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Florian Dück destaca genética de ponta da raça Santa Gertrudis no Paraguai e novas oportunidades com o Corredor Bioceânico

Presidente da Associação Paraguaia de Criadores de Santa Gertrudis afirma que integração regional poderá ampliar o intercâmbio genético, os negócios e o desenvolvimento da pecuária no Chaco

No último dia da Expo Trébol 2026, realizada em Loma Plata, no Departamento de Boquerón, Paraguai, o engenheiro Florian Dück, presidente da Associação Paraguaia de Criadores de Santa Gertrudis, destacou a evolução da genética da raça no país e as perspectivas de crescimento proporcionadas pelo Corredor Bioceânico.

A feira, que neste ano completou 50 anos, reuniu produtores, empresas, especialistas e representantes de diferentes setores do agronegócio no Chaco Central. Durante a entrevista, Dück ressaltou que a raça Santa Gertrudis está presente no Paraguai há aproximadamente seis décadas e se consolidou por sua adaptação às condições climáticas da região, fertilidade e qualidade da carne.

“A raça Santa Gertrudis está presente no Paraguai há aproximadamente 60 anos. É uma raça muito bem adaptada, muito fértil e com excelente qualidade de carne”, afirmou.

Segundo o presidente da associação, os criadores paraguaios têm investido continuamente no aprimoramento dos rebanhos por meio da incorporação de material genético de diferentes países, especialmente dos Estados Unidos e da Austrália.

“Estamos melhorando continuamente, incorporando genética dos Estados Unidos e da Austrália. Dessa forma, combinamos diferentes linhagens genéticas para alcançar um animal superior”, explicou.

Genética reconhecida internacionalmente

Florian Dück avaliou que os avanços tecnológicos aplicados à pecuária permitiram um salto significativo na qualidade dos animais criados no Paraguai. Para ele, o país já possui genética de alto nível e reconhecimento internacional.

Durante a programação da Expo Trébol 2026, os animais da raça passaram por julgamento conduzido por um especialista dos Estados Unidos. O evento também contou com a presença do presidente da associação norte-americana da raça Santa Gertrudis.

De acordo com Dück, os representantes estrangeiros destacaram a qualidade dos exemplares apresentados na exposição.

“Podemos afirmar que contamos com uma genética de ponta em nível mundial. O presidente da associação Santa Gertrudis dos Estados Unidos destacou a extraordinária qualidade genética dos exemplares que temos aqui”, relatou.

Dos primeiros animais ao melhoramento contínuo

A história da raça Santa Gertrudis no Paraguai começou com a chegada dos primeiros animais transportados em um avião das Forças Armadas dos Estados Unidos. A partir desses exemplares, os produtores iniciaram um processo de expansão e melhoramento dos rebanhos.

“Os primeiros animais chegaram vivos, transportados em um avião das Forças Armadas dos Estados Unidos. Foram trazidos alguns exemplares e, a partir daí, começou a importação de muito sêmen de diferentes países”, contou.

Ao longo dos anos, a introdução de novas linhagens e tecnologias de reprodução contribuiu para o desenvolvimento da raça. Segundo o engenheiro, a evolução foi gradual e permanente, com a incorporação de material genético selecionado de diferentes origens.

“Com o passar dos anos, cada vez mais material genético foi incorporado, e a raça foi sendo melhorada continuamente”, disse.

Corredor Bioceânico amplia horizontes para o Chaco

Além do desenvolvimento genético, Florian Dück destacou que o Corredor Bioceânico deverá modificar profundamente a dinâmica econômica e produtiva do Chaco paraguaio.

Segundo ele, durante muitos anos, a principal conexão asfaltada da região foi a Rodovia Transchaco, o que mantinha os fluxos comerciais e logísticos concentrados em direção a Assunção.

“Até alguns anos atrás, nossa única saída asfaltada era a Rodovia Transchaco, e nosso olhar estava direcionado quase exclusivamente para Assunção”, explicou.

Com a implantação do Corredor Bioceânico, o Chaco passa a ter novas possibilidades de integração com o Brasil, especialmente com Mato Grosso do Sul, além da Argentina, do Chile e da Bolívia.

“Atualmente, com a Rota Bioceânica e com o corredor, podemos direcionar nossa visão para outras regiões, especialmente para o Brasil, que apresenta um enorme desenvolvimento”, afirmou.

Para Dück, o novo eixo logístico poderá favorecer o transporte de animais, material genético, insumos e produtos agropecuários, além de estimular novos investimentos e parcerias.

“Acredito que haverá um grande desenvolvimento na integração com a Argentina e a Bolívia. O Corredor Bioceânico poderá gerar avanços muito importantes para toda esta região”, acrescentou.

Intercâmbio com produtores brasileiros

O presidente da Associação Paraguaia de Criadores de Santa Gertrudis também destacou a relação mantida com produtores e criatórios brasileiros.

Segundo ele, o intercâmbio ganhou ainda mais força a partir de 2023, quando o Brasil sediou o Congresso Mundial da raça Santa Gertrudis. O encontro ampliou os contatos entre produtores, técnicos e associações dos dois países.

“A partir desse encontro, as relações aumentaram consideravelmente. No entanto, há muitos anos já existe intercâmbio com diferentes criatórios brasileiros”, afirmou.

Nos últimos anos, o Paraguai importou sêmen do Brasil para fortalecer seus programas de melhoramento genético. O movimento também ocorre no sentido contrário, com exportações paraguaias de material genético para criadores brasileiros.

“Foi importado muito sêmen do Brasil para a realização de intercâmbios genéticos. Da mesma forma, o Paraguai também já exportou sêmen para o Brasil”, destacou.

Integração pode fortalecer a raça

Ao deixar uma mensagem aos produtores brasileiros e de outros países, Florian Dück reforçou que a genética Santa Gertrudis desenvolvida no Paraguai está preparada para contribuir com o crescimento da pecuária regional.

“Acredito que a genética Santa Gertrudis que temos aqui é de ponta. Temos acesso a diferentes regiões e países, o que nos permite combinar diferentes linhagens genéticas”, declarou.

Para o engenheiro, a integração proporcionada pelo Corredor Bioceânico deverá estimular a troca de conhecimentos, o intercâmbio comercial e o desenvolvimento de novas parcerias entre criadores.

“Com esse trabalho, podemos contribuir significativamente para o desenvolvimento da raça. Essa evolução poderá ser fortalecida por meio da integração e das novas oportunidades geradas pelo Corredor Bioceânico”, concluiu.

Realizada no encerramento da edição comemorativa de 50 anos da Expo Trébol, a entrevista evidencia a importância da pecuária para a economia do Chaco Central e o potencial do Corredor Bioceânico para aproximar produtores, mercados e centros de excelência genética da América do Sul.

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