ENTEL será um ponto de conexão para a América do Sul
A Empresa Nacional de Telecomunicações (ENTEL) é muito mais do que apenas uma operadora de telecomunicações. Com sua nova gestão e visão, está trilhando um caminho que a impulsiona rumo ao mercado internacional, graças ao seu Corredor de Fibra Óptica Bioceânico, à tecnologia 5G, aos serviços em nuvem, à cibersegurança e às parcerias com empresas de tecnologia. Assim, a Bolívia se posiciona como um polo de conectividade na América do Sul.
Durante anos, a ENTEL baseou seu crescimento em telefonia móvel, internet e conectividade, mas hoje em dia, a empresa almeja ser a parceira tecnológica de empresas nacionais e internacionais, aproveitando a localização geográfica do país.
“O papel da ENTEL não será apenas nacional, mas também em nível latino-americano, abrindo-se para o mundo”, afirma Yerko Vargas, Gerente Adjunto de Negócios Corporativos e de Atacado da ENTEL.
Mais do que projeções, o objetivo se baseia na realidade, no próprio progresso. A fibra óptica, por exemplo, é uma infraestrutura que a diferencia na região, pois sua rede conecta o Pacífico ao Atlântico. E é própria. Em outras palavras, a ENTEL tem o potencial de conectar a Bolívia a outros países e, portanto, a outros mercados.
Atualmente, a infraestrutura de fibra óptica da ENTEL permite conexões no Peru e no Brasil, chegando até São Paulo. A empresa também está trabalhando para concluir sua conectividade com Santiago, no Chile, e planeja expandir seus planos para incluir a Argentina e o Paraguai.
A empresa planeja usar essa infraestrutura para desenvolver empreendimentos comerciais estratégicos com parceiros internacionais. Em outras palavras, está caminhando em direção ao seu objetivo estratégico de se tornar líder na região.
O Corredor Bioceânico
Um fator diferenciador da nova estratégia da ENTEL é a interconexão de baixa latência entre o Pacífico e o Atlântico.
A baixa latência determina o tempo que a informação leva para viajar de um ponto a outro. A rota da ENTEL leva aproximadamente 50 milissegundos, em comparação com os 120 milissegundos de outras rotas tradicionais.
Essa diferença é importante para processar grandes quantidades de informação em menos tempo. O caminho da empresa é atraente para empresas de inteligência artificial, hiperescaladores e empresas OTT internacionais.
A esse respeito, o vice-gerente explicou que a Bolívia possui um anel subterrâneo de fibra óptica quase novo conectando o Peru ao Brasil. Isso implica um aumento na capacidade, já que ela não é mais medida em megabytes ou gigabytes, mas em unidades inteiras, devido ao crescimento dos serviços digitais e ao processamento de grandes quantidades de informação.

A visão para os próximos cinco anos é que a Bolívia se torne “hiperconectada”, com uma infraestrutura capaz de participar ativamente do ecossistema tecnológico latino-americano. “Temos uma posição estratégica muito ampla e é hora de começar a usá-la”, disse Vargas, com base no plano de alavancar as conexões com o Pacífico e o Atlântico para integrar o país às redes regionais de troca de informações e serviços digitais.
Essa digitalização não consiste apenas em expandir a conectividade, mas também em criar um ecossistema no qual empresas e profissionais participem.
ENTEL, parceira tecnológica
A rede de fibra óptica, as conexões internacionais, o Corredor Bioceânico, o Centro de Dados, a expansão do 5G, as capacidades em nuvem e a cibersegurança fazem parte da infraestrutura que a empresa possui para sua estratégia de projeção na região e de atuação como ponte entre empresas nacionais e internacionais no país.
De acordo com Vargas, a ENTEL possui três vantagens competitivas para assumir esse papel: a rede, a capacidade de seus profissionais e a força de sua marca.
Atualmente, o maior desafio é transformar essa infraestrutura em negócios sustentáveis, utilizando as conexões que atravessam a Bolívia, para que o país não seja apenas um ponto de trânsito de dados, mas um espaço onde empresas de tecnologia encontrem infraestrutura, parceiros locais e oportunidades de expansão.
“Eles veem a Bolívia como um ponto verdadeiramente estratégico na América Latina”, afirmou Vargas.
Atacado e proposta da ENTEL
A divisão de Atacado da empresa estatal visa servir como ponto de contato entre fornecedores internacionais, empresas de tecnologia e o mercado interno. Nesse contexto, mantém contato com fornecedores internacionais e empresas ligadas ao ecossistema digital. Seu objetivo é familiarizá-los com a infraestrutura disponível da ENTEL para facilitar seus empreendimentos comerciais no país.
No mundo das telecomunicações, o atacado envolve uma empresa que detém infraestrutura (redes de fibra óptica, telefonia móvel, internet, etc.) e vende capacidade ou acesso a outras operadoras para que estas possam fornecer serviços aos seus próprios clientes.
Por essa razão, a localização geográfica da Bolívia assume um significado importante, pois não se trata apenas de uma posição, mas também da possibilidade de usar o país como rota de comunicação entre diferentes mercados, de acordo com Vargas.
A Expoteleinfo, realizada em Santa Cruz, foi um dos espaços onde a ENTEL buscou potenciais parceiros e estabeleceu contatos com empresas nacionais e internacionais nas áreas de cibersegurança, conectividade e equipamentos.
Além disso, o encontro permitiu à empresa explorar novas soluções e renovar sua rede de alianças para oferecer serviços no mercado.
Potenciais aliados
A Cloud IT é uma integradora de soluções tecnológicas que atua na Bolívia há 30 anos. Mauricio Gonzales destacou o crescimento que a empresa tem experimentado no mercado boliviano. Ela trabalha com mais de 52 marcas em diversos setores tecnológicos, incluindo redes, cibersegurança, backup, antivírus, controle de acesso, software e soluções corporativas.
Além disso, seu portfólio inclui soluções para data centers, desenvolvimento de software e licenciamento de ferramentas de inteligência artificial e plataformas tecnológicas.
Nesse contexto, Gonzales explicou que a Cloud IT está em negociações com a ENTEL para estabelecer acordos comerciais e corporativos que lhes permitam expandir o alcance de suas soluções no mercado boliviano.
Gonzales afirmou que a Bolívia é um mercado em expansão onde sua empresa encontrou, em três anos, oportunidades de negócios em cibersegurança, centros de dados e software.
Com o aumento das conexões, dos serviços em nuvem, da virtualidade e do uso da inteligência artificial, crescem também as necessidades de proteção de sistemas e usuários.
A Check Point é uma empresa de cibersegurança com mais de três décadas de experiência no mercado.

O representante da empresa, Marco Mejía, explicou que a Bolívia precisa fortalecer seus padrões de segurança diante do crescente uso da inteligência artificial. Ele enfatizou a importância de proteger e-mails, dispositivos móveis, atividades de navegação e a segurança dos dados do usuário. Alertou que a inteligência artificial também é usada para ataques direcionados, tornando crucial o trabalho em segurança, já que as medidas tradicionais não são mais suficientes diante dos avanços tecnológicos. Ressaltou que a proteção do usuário final é primordial.
Mejía mencionou a importância de uma possível aliança com a Entel, para a incorporação de soluções de cibersegurança no ecossistema da empresa.
Nancy Villaroel, da Lanly Tecnología, explicou que identificaram uma oportunidade de crescimento e expansão digital na Bolívia graças à implementação da fibra óptica e da tecnologia 5G da ENTEL no país.
A Lanly trabalha com equipamentos e soluções de headend para redes externas, bem como com equipamentos para a “última milha” e dispositivos para usuários finais. Em resumo, essas empresas e outras multinacionais têm a ENTEL em seu radar comercial para entrar na Bolívia ou para firmar acordos que lhes permitam melhorar seu posicionamento regional.
Um novo modelo de relacionamento com empresas
A transformação da ENTEL também envolve a mudança na relação entre uma operadora de telecomunicações e seus clientes. Isso implicará a criação de unidades e equipes especializadas para compreender as necessidades dos fornecedores internacionais.
“A ENTEL está se abrindo muito para o mercado, não apenas para o mercado nacional, mas também para o mercado internacional”, disse Yerko Vargas.
Além disso, a especialização nos segmentos B2B (business-to-business) e B2C (business-to-consumer), a expansão das larguras de banda e o desenvolvimento de novas soluções fazem parte dessa nova abordagem para a expansão do mercado.
A presença de empresas internacionais na Expoteleiifo demonstra o interesse não apenas em um produto, mas em diversos, que vão desde infraestrutura e cibersegurança até inteligência artificial, centros de dados e software.
Yerko Vargas, Subgerente de Negócios Corporativos e de Atacado da ENTEL, explicou que a rede 5G oferece velocidades de transferência de dados mais rápidas e já está disponível nas capitais, enquanto novos locais continuam sendo adicionados.
Essa tecnologia pode ser usada tanto por usuários comuns quanto por clientes corporativos, mas requer dispositivos compatíveis.
A chegada da tecnologia 5G e suas vantagens
Além disso, a chegada do 5G à Bolívia melhora a velocidade e a qualidade das conexões de internet para diversos setores. Abre possibilidades para impulsionar a telemedicina, o comércio digital, a condução autônoma e facilitar atividades cotidianas como entretenimento, comunicação e muito mais.
“Atualmente, temos velocidades em torno de 100 megabits por segundo para conexões fixas. Agora, poderemos multiplicá-las em até 100 vezes. Poderemos acessar conteúdo de alta qualidade. Já existe experiência com telemedicina. Será possível baixar um gigabyte em um segundo”, explicou Mario Durán, especialista em direito e tecnologia.
Além da integração do 5G, a ENTEL também está trabalhando em serviços como computação em nuvem, segurança cibernética e produtos de conectividade, aproveitando sua infraestrutura nacional e internacional.
Fonte: Urgente BO

