Arwid Boschmann Durksen defende protagonismo de Boquerón na Rota Bioceânica
Entrevista realizada no último dia da Expo Trébol 2026, em Loma Plata, destaca avanços, desafios de infraestrutura e expectativas do departamento paraguaio diante do novo corredor internacional
No último dia da Expo Trébol 2026, realizada em Loma Plata, no Departamento de Boquerón, no Paraguai, o concejal departamental Arwid Boschmann Durksen destacou os preparativos da região para a consolidação da Rota Bioceânica. A edição deste ano da feira teve significado especial ao celebrar os 50 anos de uma das principais exposições produtivas, tecnológicas e culturais do Chaco Central.
Durante a entrevista, Durksen ressaltou que a busca por maior integração internacional não é recente. Segundo ele, há décadas o Paraguai trabalha para ampliar as conexões com os países vizinhos, especialmente por causa da distância entre o Chaco paraguaio e os principais mercados e centros industriais do país.
“O Paraguai há décadas se preocupa com uma interconexão internacional com os países vizinhos, especialmente o Chaco paraguaio, que fica muito distante dos mercados e das indústrias em nível nacional”, afirmou.
O concejal avaliou que o projeto da Rota Bioceânica está em estágio avançado e destacou o esforço do Paraguai para cumprir os compromissos assumidos. Ele também lembrou que Boquerón tem participado ativamente das articulações políticas e institucionais relacionadas ao corredor, incluindo a realização de um fórum bioceânico internacional no departamento.
Entre os avanços mencionados está a construção da ponte internacional entre Carmelo Peralta, no Paraguai, e Porto Murtinho, no Brasil. Apesar do progresso, ainda existem obras pendentes, como os acessos à ponte, melhorias em trechos rodoviários e uma futura ligação com a Argentina por meio de uma ponte sobre o rio Pilcomayo.
“Está tudo encaminhado, então estamos avançando bem com o projeto”, declarou.
Infraestrutura ainda é um dos principais desafios
A Rota Bioceânica passará próxima aos principais centros econômicos do Chaco Central, como Filadelfia, Loma Plata e Neuland. O trajeto cruza a região de Mariscal Estigarribia, município que, segundo Durksen, já trabalha na melhoria de ruas, avenidas e estruturas de apoio.
O aumento do fluxo de veículos, turistas, trabalhadores e empresários deverá exigir novos investimentos em hotéis, pontos de parada, alimentação, serviços e logística. Entretanto, o conselheiro reconheceu que a preparação da infraestrutura ainda precisa avançar.
“Tudo deverá ser planejado para que, quando houver um movimento intenso de tráfego, também exista estrutura hoteleira. Mas eu diria que isso ainda não está tão avançado”, explicou.
Além das oportunidades econômicas, Durksen alertou para os efeitos sociais e demográficos que poderão acompanhar a abertura de novas rodovias e pontes. Para ele, a segurança pública será um dos temas mais importantes para os municípios e para o governo nacional.
“Não será apenas um benefício econômico, mas também trará muitas questões sociais. Sabemos que nossa infraestrutura é muito deficiente para um desenvolvimento muito rápido”, afirmou.
Segundo o concejal, o crescimento acelerado poderá aumentar a demanda por serviços públicos, segurança, planejamento urbano e políticas sociais. Ele observou ainda que, em determinados setores, a presença do Estado não tem acompanhado o ritmo de desenvolvimento do Chaco Central.
Boquerón quer produzir, exportar e participar dos negócios
Durksen defendeu que Boquerón não deve ser apenas uma região de passagem dentro do corredor. Para ele, produtores rurais, indústrias, comunidades indígenas e demais setores econômicos precisam se preparar para aproveitar diretamente as oportunidades criadas pela nova rota.
“Não queremos apenas ficar olhando o tráfego passar de um lado para o outro. Queremos também colocar nossos produtos nesse caminho e aproveitar aquilo que os outros países trouxerem”, destacou.
A região possui produção de grãos, carne e outros produtos primários e industrializados destinados a mercados internacionais. Com a Rota Bioceânica, a expectativa é reduzir distâncias, custos e tempo de transporte até os portos do oceano Pacífico.
Durksen observou que empresas do Chaco já exportam para mercados da Europa, do Japão e de outras regiões do mundo. Entretanto, ele reconheceu que ainda falta conhecimento e preparação para que os diferentes setores econômicos aproveitem plenamente o novo fluxo comercial.
“É muito importante que aproveitemos as oportunidades que passarão pela Rota, transportando nossa produção, tanto produtos primários quanto produtos industrializados”, disse.
Integração entre quatro países
Ao final da entrevista, o concejal enviou uma mensagem ao Brasil, à Argentina e ao Chile. Ele afirmou que o Paraguai considera os países vizinhos como amigos e parceiros comerciais, produtivos e culturais.
Durksen também destacou o potencial turístico e histórico do Chaco paraguaio, além da disponibilidade de terras férteis e oportunidades de investimento em uma região que ainda possui amplo espaço para desenvolvimento.
“Queremos fazer parte dessa integração entre os quatro países, de maneira que cada um possa contribuir e também aproveitar suas oportunidades”, afirmou.
Para o representante de Boquerón, o corredor deve promover benefícios compartilhados entre os territórios envolvidos. A expectativa é que o departamento paraguaio seja reconhecido não apenas como área de trânsito, mas também como produtor, parceiro e beneficiário direto da integração sul-americana.
“Esperamos que a Rota Bioceânica seja realmente um projeto de desenvolvimento para toda a região da América do Sul”, concluiu.
Realizada no encerramento da Expo Trébol 2026, a entrevista reforçou o papel estratégico do Chaco Central no processo de integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Ao completar 50 anos, a feira de Loma Plata também evidenciou a força produtiva de uma região que busca se preparar para uma nova etapa de crescimento, intercâmbio e abertura internacional.
*Obs. Concejal Departamental é equivalente ao Deputado Estadual no Brasil.

