Colaso Bo enfatiza a força da gastronomia para o turismo e o desenvolvimento do Corredor Bioceânico
Jurado convidado do MasterChef Paraguay, chef participou da escolha dos melhores churrasqueiros da Expo Rodeo Trébol 2026 e defendeu qualidade, integração e valorização da culinária paraguaia
No último dia da Expo Rodeo Trébol 2026, realizada em Loma Plata, no Departamento de Boquerón, Paraguai, o chef Nicolás Bo, conhecido como Colaso Bo, destacou o potencial da gastronomia como instrumento de promoção turística, geração de negócios e integração entre os países do Corredor Bioceânico.
Jurado convidado em episódios especiais do programa MasterChef Paraguay, Colaso Bo também integrou a comissão julgadora da competição de melhores assadores chaquenhos da exposição.
Segundo o chef, a disputa entre os participantes foi uma das mais equilibradas que já acompanhou durante sua trajetória profissional. Na categoria destinada aos competidores profissionais, ele atuou como jurado ao lado de Niki Stöckel, Nicolás Casabianca e do doutor Egon Neufeld.
“A competição foi realmente muito acirrada. Foi a mais disputada que já acompanhei em meus muitos anos de atuação na gastronomia”, afirmou.
Durante a avaliação, os jurados degustaram diferentes cortes e preparações. Pela manhã, foram apresentados pratos com flat iron e carré francês de cordeiro. Ao meio-dia, a avaliação incluiu costela larga e coração de alcatra.
Gastronomia como atração turística
Para Colaso Bo, a gastronomia deve ocupar uma posição estratégica no desenvolvimento turístico dos países que integram o Corredor Bioceânico. Ele observou que uma parcela crescente dos viajantes escolhe seus destinos não apenas pelas paisagens e atrações culturais, mas também pela possibilidade de conhecer sabores, pratos típicos e experiências culinárias.
“A gastronomia, em todos os países, é uma ferramenta extremamente importante para o turismo. Muitas pessoas viajam para comer”, declarou.
O chef destacou que promoções de agências de viagens, empresas de turismo e instituições financeiras têm facilitado o deslocamento entre os países. Nesse cenário, os roteiros gastronômicos tornam-se uma alternativa para atrair visitantes e fortalecer negócios locais.
Segundo ele, o corredor poderá ampliar a circulação de turistas, famílias, motociclistas, caminhoneiros e motoristas de veículos leves entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
“Definitivamente, a gastronomia será uma ferramenta muito forte para todas as pessoas que utilizarem o Corredor Bioceânico”, avaliou.
Projeto estratégico para o Paraguai
Colaso Bo considera o Corredor Bioceânico um dos principais projetos estruturantes das últimas três décadas para o Paraguai. Na avaliação do chef, a nova conexão facilitará o acesso do país ao Oceano Pacífico e também aproximará o território paraguaio do Atlântico.
O corredor deve ampliar a integração com Brasil, Argentina, Chile e Bolívia, favorecendo o deslocamento de pessoas, produtos, serviços e experiências culturais.
“Para nós, no Paraguai, o Corredor Bioceânico talvez seja o projeto mais importante dos últimos 30 anos”, afirmou.
Para o Chaco paraguaio, a expectativa é de crescimento do movimento econômico e turístico ao longo dos próximos anos. Colaso Bo acredita que a região tem condições de aproveitar esse novo fluxo, desde que invista na qualificação de seus serviços.
“O Chaco paraguaio tem tudo para ganhar nos próximos 15 anos. E, se a gastronomia contribuir, melhor ainda”, ressaltou.
Qualidade como diferencial competitivo
Ao analisar a posição do Paraguai diante de mercados maiores, como Brasil e Argentina, Colaso Bo defendeu que o país deve priorizar a qualidade em vez de tentar competir em volume.
Segundo ele, o Paraguai precisa identificar nichos de mercado e posicionar seus produtos de maneira estratégica, principalmente nos setores da carne e da gastronomia.
“Nós, como paraguaios, precisamos entender que tudo o que fizermos deve ter qualidade. Estamos ao lado de dois países gigantes, como Brasil e Argentina, e não podemos competir com eles em quantidade”, explicou.
O chef defendeu a continuidade dos investimentos em genética animal, qualificação da produção, correção de eventuais falhas e busca por mercados que valorizem produtos diferenciados.
Na avaliação de Colaso Bo, a carne paraguaia possui potencial para ampliar sua presença internacional. O país exporta grande parte da produção e deve buscar melhores condições comerciais por meio da qualidade e da consolidação de mercados especializados.
“Precisamos continuar buscando mercados de qualidade para vender melhor e consolidar os nichos que pretendemos alcançar”, destacou.
Hospitalidade e identidade paraguaia
Além dos produtos alimentícios, o chef apontou a hospitalidade como um dos principais diferenciais do Paraguai. Para ele, a experiência gastronômica não depende apenas do prato servido, mas também da forma como o visitante é recebido.
Entre as características que podem fortalecer o turismo, Colaso Bo citou a identidade paraguaia, a solidariedade, a fraternidade e a habilidade dos profissionais da cozinha.
“O Paraguai possui uma mão de obra muito boa. Temos a identidade paraguaia, a solidariedade, a fraternidade com que recebemos os estrangeiros e as mãos dos nossos cozinheiros, que são fantásticas”, afirmou.
Convite para conhecer o Chaco
Ao final da entrevista, Colaso Bo convidou turistas, produtores, empresários e investidores de outros países a conhecerem o Paraguai e o Chaco Central.
O chef afirmou ser apaixonado pelo país e destacou que o povo paraguaio é reconhecido pela capacidade de receber bem os visitantes.
“O paraguaio é um anfitrião extraordinário. Quero que as pessoas venham conhecer o meu país e que, no próximo ano, visitem o Chaco”, disse.
Segundo ele, quem conheceu a região há três décadas encontrará atualmente uma realidade muito diferente, marcada pelo crescimento econômico, pela modernização e pelo compromisso da população local.
Colaso Bo também ressaltou a participação dos menonitas, dos paraguaios e de outros grupos que contribuíram para o desenvolvimento do Chaco com trabalho, responsabilidade e dedicação.
“Aquelas pessoas que conheceram o Chaco paraguaio há 30 anos hoje não conseguirão acreditar no quanto ele cresceu”, afirmou.
Para o chef, as próximas décadas poderão representar um período de grande protagonismo para o Paraguai. A ampliação das conexões internacionais, os investimentos e a geração de oportunidades nas áreas de trabalho e educação poderão contribuir para o desenvolvimento do país.
“Acredito que o Paraguai dará muito o que falar nos próximos 20 ou 30 anos. Serão os anos do Paraguai, e precisamos aproveitá-los”, concluiu.

