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Egon Neufeld faz balanço dos 50 anos da Expo Rodeo Trébol e fala dos desafios do Corredor Bioceânico

Presidente da exposição afirma que edição histórica reuniu recordes de público, animais e expositores e reforçou o papel do Chaco no desenvolvimento agroindustrial do Paraguai

No último dia da Expo Rodeo Trébol 2026, realizada em Loma Plata, no Departamento de Boquerón, Paraguai, o presidente da exposição, Egon Neufeld, fez um balanço da edição comemorativa de 50 anos do evento. Com o lema “História, presente e futuro”, a edição de aniversário buscou resgatar a trajetória da exposição e das pessoas que contribuíram para sua consolidação ao longo de cinco décadas. Segundo Neufeld, a Expo Rodeo Trébol acompanhou e impulsionou o desenvolvimento agroindustrial e, especialmente, pecuário da região.

“É uma exposição que marcou esse movimento agroindustrial e, sobretudo, pecuarista aqui do Chaco do Paraguai”, afirmou.

A programação foi organizada para aproximar o público da história da vida no campo, por meio de fotografias, espaços de tradições e apresentações relacionadas ao cotidiano das fazendas, dos produtores, trabalhadores rurais e boiadeiros.

De acordo com o presidente, um dos objetivos foi fortalecer entre as famílias e as novas gerações a relação com a terra, com a produção e com a identidade rural do Chaco.

“A ideia foi mostrar a história, fazer a história falar e viver a história daqueles que formaram esta associação e esta exposição”, explicou.

Do passado de importação ao presente exportador

Ao abordar o presente, Neufeld destacou a transformação econômica e produtiva vivida pelo Paraguai. Segundo ele, uma região que anteriormente importava genética e bens agropecuários tornou-se exportadora de produtos, animais e material genético para os países do Mercosul.

Essa mudança, na avaliação do presidente, demonstra a capacidade de crescimento do setor produtivo e o avanço da pecuária e da agricultura no Chaco.

“O presente mostra a realidade de um Paraguai que está crescendo. Uma região que foi importadora de genética hoje é exportadora de bens, produtos agropecuários e genética para o Mercosul”, ressaltou.

A edição de 50 anos também registrou números expressivos. Segundo Neufeld, houve recorde de animais inscritos, de estandes de expositores e de público.

A exposição reuniu atrações esportivas, apresentações acrobáticas, competições, conferências e atividades de transferência de conhecimento voltadas a estudantes de escolas e universidades.

Competição valoriza a carne do Chaco

Entre os destaques da programação esteve a 11ª edição da competição de assadores do Chaco, realizada no encerramento da feira.

Para Neufeld, a atividade contribui para promover a qualidade da carne produzida na região e fortalecer a construção da marca “carne do Chaco”.

“Terminamos a melhor competição de assadores do Chaco, que já está em sua 11ª edição. A melhor carne do Paraguai vem daqui, e fomentar essa marca é uma das ideias da competição”, afirmou.

Segundo ele, a exposição procura gerar impacto em diferentes áreas da sociedade, envolvendo produção, gastronomia, cultura, educação, esporte e negócios.

Plataforma para negócios e intercâmbio

Neufeld definiu a Expo Rodeo Trébol como uma plataforma de encontro entre oferta e demanda.

O objetivo, segundo ele, é permitir que visitantes, produtores, empresários e instituições encontrem soluções, produtos, serviços e oportunidades em diferentes setores.

“Esperamos que cada pessoa que venha visitar a exposição possa encontrar uma oferta para a demanda que possui e, assim, chegar a um acordo”, explicou.

Além dos negócios, a feira também contribui para a formação de amizades, parcerias e relações institucionais.

“Aqui se constroem relações, amizades, negócios e, sobretudo, uma convivência intercultural, que é muito importante no Chaco”, disse.

O presidente destacou que a região reúne cerca de nove ou dez diferentes etnias e comunidades, que convivem em um mesmo território.

Para ele, essa diversidade exige responsabilidade na criação de oportunidades para que os diferentes grupos possam se desenvolver e realizar seus próprios projetos.

“Todo esse conjunto de populações e povos precisa conviver, desenvolver-se e crescer. Cada um tem o seu sonho, e somos responsáveis por começar a oferecer oportunidades para que cada um possa avançar”, afirmou.

Legado para as novas gerações

Ao tratar do futuro, Neufeld defendeu a transferência do legado dos pioneiros para as novas gerações.

Segundo ele, o Chaco continuará dependendo de produtores dispostos a assumir riscos e enfrentar as condições exigentes da região.

“O Chaco é produção primária. É gado, carne e uma produção agrícola crescente”, declarou.

O presidente ressaltou que a região apresenta condições climáticas severas e variáveis, com períodos de calor intenso, ventos fortes e mudanças rápidas no ambiente.

Por isso, o desenvolvimento produtivo exige preparo, compromisso e capacidade de adaptação.

“Precisamos, no futuro, de produtores dispostos a assumir o risco de enfrentar as condições do Chaco. O Chaco é duro”, afirmou.

Para Neufeld, a exposição tem justamente a missão de mostrar a história, valorizar o presente e estimular as novas gerações a projetarem o futuro.

Corredor Bioceânico traz oportunidades e desafios

Ao falar sobre as perspectivas para os próximos anos, Egon Neufeld apontou o Corredor Bioceânico como um dos principais fatores de transformação da região.

Segundo ele, a nova ligação internacional já é uma realidade e deverá entrar em operação plena em curto prazo.

“A Bioceânica é uma realidade. Falta pouco para que funcione plenamente”, afirmou.

O corredor deverá trazer mudanças econômicas, logísticas, produtivas, culturais, educacionais e sociais. Para o presidente da Expo Rodeo Trébol, ainda existe dificuldade em compreender toda a dimensão do potencial do projeto.

“Acredito que ainda não conseguimos captar completamente esse potencial”, avaliou.

Neufeld defendeu que o Paraguai amplie sua infraestrutura rodoviária para conectar a produção do interior do Chaco ao eixo principal da rota.

Segundo ele, é necessário garantir que o corredor não funcione apenas como um canal de passagem de produtos de outros países.

“O Paraguai precisa aproveitar essa oportunidade com outras estradas asfaltadas, para que os produtos do Chaco cheguem à Bioceânica e para que ela não seja somente um canal de transporte que beneficie o Brasil e os países andinos”, alertou.

Na avaliação do presidente, o desafio é preparar a região para que produtores, empresas e comunidades paraguaias também se beneficiem diretamente da obra.

“Ela vai mudar a agroindústria, a logística e também os impactos sociais. É uma grande oportunidade, mas há desafios, e precisamos nos preparar para aproveitá-la”, afirmou.

Convite para a edição de 2027

Ao final da entrevista, Egon Neufeld convidou brasileiros, bolivianos, argentinos, chilenos e visitantes de outros países a conhecerem a Expo Rodeo Trébol.

Segundo ele, a feira recebe tradicionalmente visitantes do Brasil, especialmente de Porto Murtinho, além de representantes da Bolívia, Argentina, Uruguai, Estados Unidos e países europeus.

“Fica o convite para o próximo ano, em agosto. Todos estão convidados para participar da 51ª edição da Expo Rodeo Trébol”, concluiu.

A edição de 50 anos encerrou-se com recordes, celebração da trajetória dos pioneiros e uma visão voltada para os desafios que deverão transformar o Chaco nos próximos anos. Entre a preservação da história e a preparação para o Corredor Bioceânico, a exposição reafirmou seu papel como espaço de produção, conhecimento, integração intercultural e geração de oportunidades.

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