Corredor bioceânico pode reduzir frete em até 40% e acelerar exportações para a Ásia
A criação de um corredor bioceânico ligando o Brasil ao Oceano Pacífico pode reduzir significativamente o tempo e os custos das exportações brasileiras para a Ásia, afirmou Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Logística e Supply Chain da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, a viabilidade econômica do projeto está diretamente ligada à produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro e ao interesse chinês em ampliar o acesso à soja produzida no país.
Em entrevista nesta sexta-feira (26) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, O especialista explicou que os estudos indicam uma redução de aproximadamente duas semanas no tempo de transporte, além de uma queda expressiva no custo do frete.
“Ele é viável principalmente na questão da economia de tempo, que pode chegar a cerca de duas semanas até a Ásia, e também por uma redução nos custos de frete de 30% a 40%”, afirmou.
Resende acrescentou que a demanda pelo corredor está relacionada principalmente ao interesse da China em facilitar o escoamento da produção agrícola brasileira. “A China tem grande interesse nessa saída pelo Pacífico, principalmente por causa da soja produzida no Brasil. A grande questão não está no porto, mas em como chegar até ele”, ressaltou.
Desafios logísticos
Segundo o especialista, a implantação do corredor depende da integração entre ferrovias e hidrovias, com investimentos principalmente no trecho boliviano.
Ele explicou que o Brasil já possui parte da infraestrutura ferroviária necessária, mas ainda existe um vazio logístico na Bolívia, além de limitações na capacidade dos portos do país para receber grandes navios graneleiros.
“Os cálculos mostram que esse corredor só consegue funcionar por meio de uma combinação entre ferrovias e hidrovias. O grande desafio está justamente na região boliviana e na infraestrutura portuária”, observou.
Projeto estratégico
Na avaliação de Resende, a construção do corredor representa um dos projetos logísticos mais relevantes para o reposicionamento do Brasil no comércio internacional.
Ele ponderou que o cronograma dependerá de fatores como licenciamento ambiental, acordos bilaterais e decisões sobre o modelo de investimento. “Estamos falando literalmente de um dos projetos mais importantes para o Brasil se reposicionar na logística mundial”, destacou.
O especialista também alertou que a nova rota poderá enfrentar resistência por alterar fluxos consolidados do comércio marítimo internacional. “As rotas atuais já estão estabelecidas pelo Oceano Índico, pelo Estreito de Magalhães e pelo Canal do Panamá. Naturalmente, esse novo corredor afetaria esse movimento de granéis nos portos do Atlântico”, concluiu.
Fonte: Times Brasil

