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Trecho brasileiro da ponte da Rota Bioceânica passa a se chamar Heitor Miranda dos Santos

Lei sancionada por Geraldo Alckmin homenageia ex-prefeito de Porto Murtinho, que defendia desde a década de 1980 a implantação do corredor de integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile

O trecho brasileiro da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, passa oficialmente a se chamar Ponte Heitor Miranda dos Santos. A denominação foi estabelecida pela Lei nº 15.507/2026, sancionada na segunda-feira (21) pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (22).

A estrutura é uma das principais obras do Corredor Bioceânico e está em fase final de construção. Segundo informações divulgadas pela Câmara dos Deputados, a previsão é que a ponte seja inaugurada até o próximo ano.

A nova ligação internacional permitirá a travessia rodoviária direta entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e integra o eixo que pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, passando pelo Paraguai e pela Argentina até chegar ao Chile.

Homenagem a um dos defensores da Rota Bioceânica

Heitor Miranda dos Santos foi prefeito de Porto Murtinho entre 2013 e 2016 e morreu em 2022, aos 69 anos. Além da atuação política municipal, exerceu funções como promotor e procurador de Justiça e ocupou cargos no governo de Mato Grosso do Sul.

A homenagem teve origem no Projeto de Lei 780/2023, apresentado pelo deputado federal Geraldo Resende. O texto estabelecia justamente a denominação do trecho brasileiro da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Após tramitar no Congresso Nacional e ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, o projeto seguiu para sanção.

Ao justificar a homenagem, Resende destacou o envolvimento de Heitor Miranda com o projeto de integração regional desde a década de 1980. Segundo o parlamentar, o ex-prefeito atuou para demonstrar às autoridades brasileiras e estrangeiras a viabilidade e a importância do Corredor Bioceânico para o desenvolvimento do Centro-Oeste e para a melhoria do transporte de cargas e passageiros entre os países envolvidos.

Projeto foi aprovado pelo Congresso

Na Câmara dos Deputados, a proposta passou pelas Comissões de Viação e Transportes e de Cultura. Em maio deste ano, o projeto teve a urgência aprovada e seguiu para análise do Plenário, onde a deputada federal Camila Jara (PT-MS) foi designada relatora. A proposta foi aprovada e encaminhada para as etapas seguintes do processo legislativo.

Durante a análise, Camila Jara relacionou a homenagem ao processo de integração sul-americana. Para a parlamentar, discutir a Rota Bioceânica significa reconhecer o Brasil como parte da América Latina e ampliar as conexões com Paraguai, Argentina e Chile. Ela também ressaltou o pioneirismo de Heitor Miranda na defesa dessa ligação ainda na década de 1980.

Com a sanção da Lei 15.507/2026, o nome de Heitor Miranda passa a integrar oficialmente uma obra diretamente relacionada ao projeto que ele defendeu durante décadas.

Ponte é estratégica para o Corredor Bioceânico

Construída sobre o Rio Paraguai, a ponte internacional representa um dos principais elos físicos da Rota Bioceânica. A estrutura eliminará a dependência da travessia por balsa entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e estabelecerá uma ligação rodoviária permanente entre Brasil e Paraguai.

A partir de Mato Grosso do Sul, o corredor atravessa o território paraguaio, segue pela Argentina e alcança o norte do Chile, onde estão portos do Pacífico. A proposta é criar uma alternativa logística para cargas brasileiras, além de ampliar o comércio, o turismo e a circulação de pessoas entre os países envolvidos.

Para Porto Murtinho, a obra também representa uma mudança de dimensão histórica. O município sul-mato-grossense deverá funcionar como uma das principais portas brasileiras de entrada e saída do corredor internacional.

A escolha do nome de Heitor Miranda para o trecho brasileiro associa, assim, uma das obras mais emblemáticas da integração física entre Brasil e Paraguai à trajetória de um murtinhense que participou da defesa do projeto décadas antes de sua concretização.

Fonte: Agência Câmara de Notícias e Folha MS

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