Documentário sobre a Rota Bioceânica leva memórias da integração sul-americana a Loma Plata no Paraguai
Exibido na III Feira Bioceânica de Livros do Chaco, filme de Mara Silvestre reúne relatos de quem ajudou a tirar o projeto do papel e aproxima cinema, pesquisa e comunidade
O retorno da cineasta Mara Silvestre ao Chaco paraguaio, onde foram gravadas cenas do documentário “Integracionistas – O Rio, a Rota e o Mundo”, foi também um reencontro com pessoas que acolheram a equipe e compartilharam suas memórias sobre o Corredor Bioceânico. Exibido em Loma Plata durante a III Feira Bioceânica de Livros do Chaco 2026, o filme recupera a trajetória de quem imaginou e ajudou a construir a integração sul-americana.
Mara recorda que lideranças do interior “desenharam no mapa” uma possibilidade de conexão entre os países e se mobilizaram para concretizá-la. O desejo de contar essa história acompanhou a diretora até ganhar forma no documentário. Na feira, a exibição foi acompanhada por depoimentos de pessoas ligadas à implantação do corredor, que compartilharam com o público suas lembranças dessa mobilização.
A pesquisadora Ynes da Silva Félix, coordenadora da Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), levou ao encontro uma perspectiva acadêmica. Desde 2018, ela pesquisa o Corredor Bioceânico, orienta trabalhos científicos e participa de projetos de extensão e grupos de pesquisa. Sua atuação relaciona a integração regional às relações de trabalho e aos direitos humanos sociais.
Entre 29 e 31 de outubro de 2026, Ynes viajou de Campo Grande a Porto Murtinho, atravessou o Rio Paraguai de balsa até Carmelo Peralta e seguiu para Loma Plata. Durante a travessia, viu surgir no horizonte a estrutura da ponte internacional, ainda em obras naquele momento. Em seu relato, a pesquisadora descreveu a emoção de observar uma construção que, para ela, representa o esforço de brasileiros, paraguaios, bolivianos, argentinos e chilenos pela integração regional.
A viagem também chamou sua atenção para a história e o cotidiano do Chaco. Ynes destacou a presença das comunidades menonitas em Loma Plata e Filadélfia, a produção de leite e derivados, a pecuária e o cultivo de soja. Entre as expressões culturais observadas, citou o artesanato do povo Ayoreo, feito com fibras de caraguatá. Na paisagem, registrou as palmeiras carandá, as árvores barrigudas e estruturas como os tajamares e os tanques australianos, usados para armazenar água durante a seca.
A programação da feira reuniu escritores, professores, jornalistas, crianças e moradores, além de proporcionar contato com integrantes da Escritoras Paraguayas Asociadas (APA). Nesse encontro entre cinema e literatura, os relatos de Mara e Ynes ofereceram perspectivas complementares: enquanto a cineasta registra as memórias de quem se mobilizou pelo corredor, a pesquisadora chama atenção para as questões sociais e jurídicas que acompanham a integração dos territórios.
Ficha técnica
- Documentário: Integracionistas – O Rio, a Rota e o Mundo
- Direção e realização: Mara Silvestre
- Produção: Água Comunicação TV (AguaComTV)
- Marketing e divulgação internacional: Orlando Silvestre Filho

