Rota Bioceânica deve transformar Maracaju em polo logístico e industrial, afirma Agadir Mossmann
Maracaju vive um momento estratégico no processo de consolidação da Rota Bioceânica. A avaliação é do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Agadir Mossmann, que durante a 6ª edição do Conexão para Transformar – Rota Bioceânica, realizada nos dias 9 e 10, destacou que o município reúne condições para se tornar um dos principais polos logísticos do corredor internacional que ligará o Brasil aos portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina.
Segundo o secretário, a Rota Bioceânica representa muito mais do que um corredor para o transporte de cargas. Para ele, o projeto abre um amplo leque de oportunidades para empreendedores, trabalhadores e investidores de toda a região.
“As pessoas pensam que a rota é simplesmente um caminho para caminhões transportar carga. Não. Ela é muito mais grandiosa. A oportunidade de negócios que vai surgir com exportação, importação, geração de empregos de alto valor agregado e novas profissões será enorme”, afirmou.
Entroncamento estratégico
Mossmann explica que Maracaju ocupa uma posição privilegiada dentro da malha viária do Centro-Oeste, tornando-se um ponto natural de convergência dos fluxos logísticos da Rota Bioceânica.
“Quem segue para São Paulo, para o Sul ou para outras regiões passa por Maracaju. Estamos em um entroncamento inteligente da rota”, destacou.
Essa localização estratégica sustenta o planejamento do município para implantação de um hub logístico e a busca pela criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), iniciativa que poderá atrair indústrias voltadas ao comércio exterior e ampliar a agregação de valor à produção regional.
Oportunidades para toda a população
Para o secretário, os benefícios da Rota Bioceânica não estarão restritos ao setor de transportes.
Ele acredita que pequenos empresários, comerciantes, prestadores de serviços e o setor turístico serão diretamente impactados pelo aumento da circulação de pessoas e mercadorias.
“Não serão apenas caminhões passando pela região. Haverá turistas, investidores e empresários. Quem estiver preparado para oferecer segurança, conforto, alimentação, hospedagem e serviços terá grandes oportunidades”, ressaltou.
De acordo com Mossmann, estudos apontam que cerca de 1.400 caminhões por dia deverão utilizar o corredor quando a infraestrutura estiver plenamente operacional. Além disso, levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) identifica mais de 180 produtos brasileiros já demandados pelos países integrantes da rota, ampliando as possibilidades de exportação para empresas da região.
Mato Grosso do Sul deixa de ser o fim e passa a ser o começo
Durante a entrevista, o secretário também destacou a mudança da posição geográfica de Mato Grosso do Sul no cenário logístico nacional.
Segundo ele, antes da implantação da Rota Bioceânica, o Estado estava voltado principalmente aos portos de Santos e Paranaguá. Com o novo corredor internacional, passa a ocupar posição central na integração entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
“Antes estávamos no fim da rota. Hoje estamos no começo. Isso muda completamente a lógica da economia regional e coloca Mato Grosso do Sul em uma posição estratégica”, afirmou.
Além da localização rodoviária, Mossmann ressaltou que Maracaju reúne condições para se consolidar como um polo intermodal, citando a futura reativação de trechos ferroviários, estudos para novas ferrovias e os investimentos realizados no aeroporto municipal, preparado para receber aeronaves de grande porte e, futuramente, operações de carga.
Evento aproxima empresários e investidores
O secretário avaliou positivamente a realização da sexta edição do Conexão para Transformar – Rota Bioceânica, promovido pelo Celeiro MS, agência de desenvolvimento formada por lideranças voluntárias da Grande Dourados.
Segundo ele, o encontro reuniu representantes do Chile, Bolívia, empresários, investidores, corretores, universidades e autoridades públicas, proporcionando um ambiente favorável para a troca de informações e identificação de oportunidades de negócios.
“Foi um evento riquíssimo em conhecimento. As palestras mostraram o que está acontecendo na Rota Bioceânica, quais mercados estão se abrindo, quais produtos têm demanda e como nossa região pode aproveitar esse novo cenário”, destacou.
Preparação para uma nova fase de desenvolvimento
Para Mossmann, o encontro representa apenas o início de uma agenda permanente voltada ao fortalecimento da participação do interior de Mato Grosso do Sul na Rota Bioceânica.
Ele defende que os benefícios do corredor internacional devem alcançar também os municípios de menor porte, impulsionando o desenvolvimento regional de forma integrada.
Entre as prioridades da administração municipal estão a atração de novos investimentos, a industrialização da produção agrícola, especialmente do milho e da soja, a implantação de um hub logístico e a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), considerada estratégica para ampliar a competitividade da região.
“A Rota Bioceânica representa uma mudança de paradigma. Estamos trabalhando para posicionar Maracaju como referência logística, industrial e de comércio exterior. Queremos transformar nossa matéria-prima aqui mesmo, agregar valor aos produtos e aproveitar todas as oportunidades que esse corredor internacional trará para nossa população”, concluiu o secretário.

