Maracaju investe em infraestrutura para aproveitar oportunidades da Rota Bioceânica
A construção da Rota Bioceânica representa uma oportunidade histórica para o desenvolvimento de Maracaju e de toda a região sul de Mato Grosso do Sul. A avaliação é do prefeito Marcos Calderan, que participou da 6ª edição do Conexão para Transformar – Rota Bioceânica, realizada nos dias 9 e 10, em Maracaju.
Em entrevista concedida durante o evento, o prefeito afirmou que o município acompanha o projeto desde as primeiras discussões e que, ao longo dos últimos anos, vem se preparando para ocupar uma posição estratégica no novo corredor internacional que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Segundo Calderan, a administração municipal passou a compreender, de forma cada vez mais clara, que a Rota Bioceânica vai muito além da construção da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho.
“Hoje a gente entende um pouco melhor isso. A cada encontro como este, realizado em Maracaju, vamos multiplicando essa consciência do impacto positivo que a rota terá não apenas para nossa região, mas para todo o Estado, para o Brasil e para os quatro países envolvidos”, afirmou.
Oportunidade construída ao longo dos anos
O prefeito lembrou que o município passou a acompanhar o projeto ainda no início de seu primeiro mandato, quando as primeiras obras da ponte internacional começaram a sair do papel.
Ele destacou que o corredor bioceânico é resultado de décadas de articulação entre governos e instituições e que sua consolidação depende da participação ativa do poder público, da iniciativa privada e da sociedade.
“Há mais de trinta anos esse projeto vem sendo discutido. Os primeiros idealizadores pareciam sonhadores, mas hoje vemos que essa integração é uma realidade. Quanto mais acreditarmos e trabalharmos para divulgar seus benefícios, mais rapidamente colheremos seus frutos.”
Para Calderan, o papel da gestão municipal é criar condições para que investidores encontrem um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos e à geração de empregos.
Planejamento urbano voltado ao futuro
Entre as medidas adotadas pelo município está a atualização do Plano Diretor, que já considera os impactos esperados da Rota Bioceânica.
Segundo o prefeito, o estudo contempla a ampliação do zoneamento urbano e o planejamento das áreas localizadas no entorno das rodovias, permitindo que esses espaços possam receber empreendimentos comerciais, industriais e logísticos.
“Estamos atualizando nosso Plano Diretor pensando justamente no entorno da cidade, na ampliação do zoneamento urbano e nas áreas próximas aos eixos rodoviários para que possam ser utilizadas comercialmente ou industrialmente.”
Turismo e industrialização entram na agenda
Durante o evento, Calderan destacou que o potencial da Rota Bioceânica não se limita ao transporte de commodities.
Na avaliação do prefeito, a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile deverá impulsionar especialmente o turismo e estimular a industrialização da produção agrícola regional.
“A rota não existe apenas para exportar soja e milho. Precisamos agregar valor à nossa produção e, ao mesmo tempo, fortalecer o turismo e o intercâmbio entre os quatro países.”
Ele observou que esse processo ocorrerá gradualmente e dependerá da continuidade dos investimentos públicos em infraestrutura e da confiança do setor privado.
Maracaju quer ser reconhecida como entroncamento estratégico
Embora o traçado oficial da Rota Bioceânica passe por Campo Grande, o prefeito defende que Maracaju ocupa uma posição privilegiada dentro da malha rodoviária do Estado.
Segundo ele, a lógica econômica e operacional fará com que muitos transportadores utilizem o município como principal ligação entre diferentes regiões do país.
“Qualquer motorista que colocar o destino no GPS perceberá que Maracaju é o caminho mais curto. Somos um entroncamento inteligente da Rota Bioceânica.”
Calderan ressaltou que eventos como o Conexão para Transformar contribuem para ampliar a visibilidade do município junto a investidores nacionais e internacionais.
Cidade investe em qualidade de vida para receber novos empreendimentos
O prefeito destacou que a estratégia de desenvolvimento de Maracaju vai além da infraestrutura logística.
Segundo ele, a administração municipal tem concentrado investimentos em educação, saúde, segurança pública e mobilidade urbana para criar um ambiente atrativo para empresas e trabalhadores.
Entre os avanços, Calderan citou a construção de um novo aeroporto, a ampliação da infraestrutura urbana e o fortalecimento da rede municipal de saúde.
Embora reconheça que os casos de alta complexidade ainda dependam da regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS), o prefeito afirmou que o município está ampliando sua capacidade de atendimento.
“Estamos estruturando nossa cidade antes que esse desenvolvimento aconteça. Diferentemente de outros lugares onde a indústria chega primeiro, estamos preparando Maracaju para crescer de forma organizada.”
Ele também anunciou a implantação de um centro de hemodiálise, que permitirá aos pacientes realizar o tratamento no próprio município, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para Campo Grande.
Ambiente favorável aos investimentos
Ao finalizar a entrevista, Marcos Calderan afirmou que Maracaju reúne características que fortalecem sua competitividade diante das oportunidades abertas pela Rota Bioceânica.
Além de ser o maior produtor de grãos de Mato Grosso do Sul, o município apresenta elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), boa renda per capita e investimentos contínuos em infraestrutura e qualidade de vida.
“Estamos fortalecendo saúde, segurança, educação e infraestrutura para que as pessoas queiram morar aqui e para que os investidores encontrem um ambiente preparado. A economia de Maracaju é forte e acreditamos que estamos adiantados nesse processo de preparação para a Rota Bioceânica.”
Para o prefeito, o desenvolvimento proporcionado pelo corredor internacional ocorrerá de forma gradual, permitindo que o município continue ampliando sua estrutura e consolidando sua posição como uma das principais portas de entrada para a nova logística de integração sul-americana.

