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Ministro João Carlos Parkinson defende fortalecimento da saúde para garantir sucesso da Rota Bioceânica

A consolidação da Rota Bioceânica exige muito mais do que rodovias, pontes e infraestrutura logística. A avaliação é do ministro de carreira do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), João Carlos Parkinson de Castro, um dos principais articuladores do Corredor Bioceânico Rodoviário, durante sua participação na 6ª edição do Conexão para Transformar – Rota Bioceânica, realizada nos dias 9 e 10, em Maracaju.

Em entrevista concedida durante o evento, Parkinson destacou que o crescimento da circulação de pessoas entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile exigirá uma nova visão para a saúde pública nos municípios inseridos no corredor internacional.

Segundo ele, o aumento do fluxo de turistas, caminhoneiros, empresários e trabalhadores estrangeiros trará desafios inéditos para os serviços de saúde, que precisarão estar preparados para atender pacientes de diferentes nacionalidades, idiomas e perfis.

“É importante que o serviço de saúde se prepare para essa diversidade de situações. Você poderá atender desde casos simples até acidentes graves que exijam uma UTI ou uma cirurgia de emergência”, afirmou.

Saúde também atrai investimentos

Para Parkinson, a qualidade da rede de saúde deixou de ser apenas uma política pública e tornou-se um fator estratégico para o desenvolvimento econômico.

O diplomata relatou uma experiência vivida pelo então prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra. Segundo ele, um empresário paulista manifestou interesse em instalar um empreendimento no município, mas desistiu do investimento ao descobrir que a cidade não dispunha de atendimento pediátrico para sua família.

“Se você quer captar um investimento ou atrair profissionais qualificados, precisa oferecer educação e saúde. Não basta incentivo fiscal. As condições de vida da família influenciam diretamente na decisão de quem pretende morar e investir em uma cidade”, destacou.

Com base em sua experiência internacional, Parkinson lembrou que países competitivos investem simultaneamente em infraestrutura, educação e saúde para atrair empresas e mão de obra especializada.

Atendimento internacional

Outro ponto defendido pelo ministro é a adaptação dos serviços públicos às características internacionais que a Rota Bioceânica proporcionará.

Segundo ele, a existência de escolas bilíngues nas regiões de fronteira demonstra que o mesmo conceito precisa ser aplicado ao atendimento em saúde.

“Se temos escolas binacionais, também devemos pensar em atendimento em mais de um idioma. Hoje já existe essa necessidade nas fronteiras e ela será ampliada com a chegada de pessoas de diferentes países pelo corredor bioceânico.”

Para Parkinson, a comunicação eficiente entre profissionais de saúde e pacientes estrangeiros será fundamental para garantir qualidade e segurança nos atendimentos.

O desafio da assistência aos brasileiros no exterior

Durante a entrevista, o ministro chamou atenção para outro aspecto pouco discutido: a necessidade de conscientizar a população brasileira sobre as diferenças entre os sistemas de saúde dos países que integram a Rota Bioceânica.

Ele lembrou que o atendimento universal oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é uma característica brasileira e não encontra reciprocidade automática nos países vizinhos.

“Quando o brasileiro ingressa no Paraguai, na Argentina ou no Chile, ele não conta com o SUS. É importante que os seguros de saúde ofereçam cobertura nesses países, porque, caso contrário, o cidadão poderá enfrentar dificuldades para receber atendimento médico.”

Na avaliação do diplomata, esse debate deve ser liderado por Mato Grosso do Sul e pelos governos subnacionais diretamente envolvidos com o corredor internacional, considerando que a demanda afetará principalmente a população que utilizará a rota.

Levantamento identificou gargalos

Parkinson revelou ainda que solicitou ao Ministério da Saúde um diagnóstico da capacidade hospitalar dos municípios localizados ao longo da Rota Bioceânica.

O objetivo foi identificar previamente as principais carências da rede pública para que soluções possam ser implementadas antes da intensificação do fluxo internacional.

Segundo ele, o levantamento apontou diferenças significativas entre os municípios, especialmente na disponibilidade de leitos de UTI, médicos especialistas e equipamentos hospitalares.

“Existem gargalos que precisam ser atendidos. Em alguns lugares há equipamentos, mas faltam especialistas. Em outros, existem especialidades que ainda não estão disponíveis. É importante identificar essas lacunas enquanto ainda há tempo para buscar soluções.”

Saúde como eixo estratégico da integração

Ao participar da 6ª edição do Conexão para Transformar – Rota Bioceânica, João Carlos Parkinson reforçou que a integração sul-americana depende de uma visão ampla, capaz de articular logística, desenvolvimento econômico e políticas públicas.

Para o diplomata, preparar os municípios para receber o novo fluxo internacional significa investir não apenas em infraestrutura viária, mas também em serviços capazes de garantir qualidade de vida à população e segurança aos viajantes.

Nesse contexto, a saúde deixa de ser apenas uma responsabilidade dos gestores públicos e passa a integrar a estratégia de desenvolvimento regional da Rota Bioceânica, fortalecendo a competitividade dos municípios e ampliando sua capacidade de atrair investimentos, talentos e novos negócios.

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