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Rota Bioceânica acende alerta para avanço dos crimes transnacionais em MS

A consolidação da Rota Bioceânica, que deve ampliar a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, também traz uma preocupação para as autoridades de segurança, que é evitar que o novo corredor utilizado para ampliar o comércio entre os países seja aproveitado pela criminalidade.

O alerta foi feito durante a abertura da Semana Nacional do Trânsito, realizada nesta sexta-feira (18), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. A expectativa é de que a rota impulsione o desenvolvimento econômico, mas a operacionalização exige articulação entre os quatro países também na área de segurança, principalmente no que envolve os crimes transnacionais.

Conforme a diretora de Integração Regional do Ministério das Relações Exteriores, Daniela Benjamin, a segurança nas rodovias e nas fronteiras precisa começar a ser planejada antes mesmo da conclusão das obras da rota.

“Temos que pensar com muito cuidado e atenção na operacionalização do corredor. Isso passa por adotar as medidas necessárias em articulação com os países vizinhos, mas, sobretudo, com as forças de segurança”, explica a representante do Ministério.

Além da segurança viária, a preocupação também envolve o combate ao crime transnacional. Segundo Daniela, a prioridade é garantir que o corredor não seja utilizado como uma nova porta de entrada para atividades criminosas no Brasil, como, por exemplo, o tráfico de drogas e contrabando.

“É uma preocupação de todos e uma prioridade agora da presidência brasileira do GT de coordenadores nacionais do corredor: garantir que o corredor não funcione como uma porta para o crime, muito antes pelo contrário”, afirmou.

Para o superintendente da PRF-MS (Polícia Rodoviária Federal), João Paulo Pinheiro Bueno, o crescimento da rota também aumenta a importância estratégica de Mato Grosso do Sul, especialmente por causa da posição do Estado na região de fronteira.

“A rota é uma rota nova para o desenvolvimento, mas também para a criminalidade. A gente não pode fugir disso”, destacou.

João Paulo Pinheiro Bueno, superintendente da PRF-MS. (Foto: Claudemir Candido/Jornal Midiamax)

Segundo ele, a PRF já investe em tecnologia e monitoramento das rodovias para acompanhar o aumento do fluxo e reforçar a segurança. A fronteira é apontada como um dos principais focos de atuação devido ao grande fluxo de entrada de produtos relacionado ao crime no Brasil.

“É onde as mercadorias vão vir, vão sair e é onde a criminalidade trabalha também. Então é ali que a gente tem o nosso foco, ali que é o nosso fortalecimento”, afirmou.

A diretora do Ministério das Relações Exteriores explicou ainda que o trabalho envolve Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Ministério da Justiça, em articulação com os demais países integrantes da rota, para construir uma agenda conjunta de segurança.

A expectativa é de que o corredor reduza custos de transporte, facilite o acesso dos produtos aos mercados asiáticos e gere impactos econômicos para as comunidades locais. A preocupação das autoridades é fazer com que esse crescimento seja acompanhado por mecanismos capazes de impedir o avanço do crime transnacional.

Tráfico de drogas

Somente neste ano em Mato Grosso do Sul, foram registrados 3.104 casos de tráfico de drogas, entre os municípios e as fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. No total, conforme a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), em 2026, foram apreendidas mais de 7 toneladas de cocaína no Estado.

Já no caso da maconha, o painel da Secretaria registra a apreensão de mais de 393 toneladas da droga somente neste ano, o que representa uma quantidade 56 vezes maior do que a de cocaína em todo o Estado, grande parte vinda da fronteira com os dois países.

Fonte: Midiamax

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