Nelsinho Trad articula no Chile apoio à Rota Bioceânica para ampliar exportações
Missão reúne parlamentares e autoridades para discutir logística, acesso aos mercados asiáticos e cooperação em segurança
A busca por alternativas para o transporte de mercadorias brasileiras aos mercados asiáticos está entre os principais temas da missão do senador Nelsinho Trad no Chile. Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e representante de Mato Grosso do Sul, estado por onde a Rota Bioceânica ingressa no território brasileiro, o parlamentar se reuniu com autoridades e representantes empresariais para discutir o avanço do corredor e as oportunidades comerciais entre os dois países.
Nos dias 20 e 21 de outubro, a agenda incluiu encontros parlamentares, reuniões com autoridades regionais e debates sobre logística, comércio exterior e segurança portuária. O projeto prevê uma ligação rodoviária entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Oceano Pacífico, atravessando Paraguai e Argentina até chegar ao Chile.
“A proposta é ampliar as opções de transporte para as exportações brasileiras, especialmente as originadas no Centro-Oeste e facilitar o acesso aos mercados asiáticos. Para que a rota se torne competitiva, porém, será necessário combinar infraestrutura, procedimentos aduaneiros eficientes e capacidade para movimentar as cargas nos portos”, explicou o parlamentar.
Nelsinho Trad apresenta projeto ao Senado chileno
Em reunião com Paulina Núñez, presidente do Senado chileno e representante da região de Antofagasta, Nelsinho Trad apresentou o projeto da Rota Bioceânica e as perspectivas econômicas da ligação entre Brasil e Chile.
Em declaração à imprensa, o senador destacou a importância do diálogo entre os países para ampliar as oportunidades de negócios.
“A diplomacia, quando ela se fortalece, os laços dos países se fortalecem e os negócios aparecem. Estamos prontos para promover cada vez mais esse entendimento. Você não faz negócio, você não faz desenvolvimento com quem você não conversa, com quem você não dialoga”, afirmou.
Paulina Núñez ressaltou a necessidade de avançar nos procedimentos para viabilizar o corredor. Também chamou a atenção para a segurança dos portos e o reforço da fiscalização, mencionando equipamentos como detectores infravermelhos.
As discussões incluíram o combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas. A preocupação é preparar as estruturas de fiscalização para acompanhar o possível aumento da circulação de mercadorias.
O senador também se reuniu com Enrique Lee Flores, presidente do Grupo Parlamentar Brasil–Chile no Senado chileno. Na conversa, apresentou o potencial da rota para aproximar a produção brasileira dos mercados asiáticos. Lee Flores manifestou apoio à iniciativa e mencionou a possibilidade de incluir outros portos no corredor futuramente, entre eles o de Arica.
Estimativas apontam redução no tempo e nos custos de transporte
Durante a apresentação aos parlamentares, Nelsinho Trad expôs estimativas atribuídas a um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre os possíveis ganhos logísticos da Rota Bioceânica em comparação com trajetos marítimos tradicionais.
Segundo os números apresentados, o corredor poderia reduzir em 23% o tempo de viagem, o equivalente a cerca de 12 dias, diminuir em aproximadamente 8 mil quilômetros os percursos marítimos considerados e proporcionar uma redução de até 40% nos custos de transporte.
Esses resultados são estimativas e dependem dos trajetos comparados, dos destinos das cargas, das condições de operação e dos custos incluídos no estudo. Portanto, não representam uma economia garantida para todas as exportações.
Para Mato Grosso do Sul, a ligação poderá ampliar as alternativas de escoamento da produção. Outros estados do Centro-Oeste também poderão se beneficiar de uma nova opção de acesso aos portos do Pacífico.
Para o Chile, o corredor representa uma oportunidade de atrair cargas brasileiras, ampliar a movimentação portuária e desenvolver serviços de logística, armazenagem e distribuição.
Cooperação policial e segurança portuária
A preparação para o funcionamento do corredor também envolve a fiscalização das fronteiras e a atuação conjunta contra o crime organizado.
Nelsinho Trad defendeu a integração das autoridades de segurança e das aduanas dos quatro países envolvidos na Rota Bioceânica — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Segundo o senador, a cooperação é necessária para garantir que a infraestrutura voltada ao comércio não seja utilizada por organizações criminosas.
“A questão da segurança pública é fundamental que tenha uma integração entre os quatro países. Por quê? Porque nós não podemos fazer dessa estrutura um caminho para as situações de malfeitos”, afirmou.
O tema ganhou relevância após uma investigação contra 19 pessoas apontadas como integrantes de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) identificada no Chile. O episódio reforça a importância da cooperação entre as autoridades, mas não comprova que a Rota Bioceânica esteja sendo utilizada para atividades ilícitas.
Durante o Encontro Bioceânico Chile–Brasil, realizado em 20 de outubro, o diretor-geral da Polícia de Investigações do Chile (PDI), Eduardo Cerna Lozano, apresentou iniciativas de combate ao crime organizado. Entre elas estão brigadas de investigação de delitos portuários em San Antonio, Antofagasta e Mejillones, além de estruturas especializadas no combate à lavagem de ativos e ao cibercrime.
“A integração dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Chile é fundamental para que a Rota cumpra a sua missão de desenvolvimento econômico e progresso”, afirmou o senador.
Trad também ressaltou que a integração deve contribuir para objetivos que vão além do transporte de cargas.
“Vim aqui checar e verificar a integração que tem que haver entre as aduanas e os Ministérios da Justiça e Segurança Pública para que essa Rota sirva para a logística, o turismo, para o desenvolvimento e para o intercâmbio educacional e da cultura”, declarou.
Convenção TIR busca facilitar o transporte internacional
A redução de entraves burocráticos é outro aspecto considerado importante para a competitividade do corredor. A Convenção TIR é um acordo internacional que estabelece mecanismos para facilitar o trânsito de mercadorias entre países e simplificar determinados procedimentos aduaneiros.
Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, relatou a proposta de adesão brasileira ao instrumento. O Congresso Nacional aprovou a convenção em dezembro de 2025, e o Brasil formalizou sua adesão em janeiro de 2026. O acordo entrou em vigor internacionalmente para o país em 30 de julho de 2026.
A aplicação efetiva dos mecanismos depende dos procedimentos operacionais necessários e da coordenação entre as autoridades envolvidas. No contexto da Rota Bioceânica, a convenção integra as medidas que podem contribuir para tornar o transporte internacional mais eficiente.
Autoridades regionais discutem oportunidades comerciais
A missão também incluiu contatos com a ProChile, agência chilena de promoção das exportações, além de representantes diplomáticos, empresários e autoridades regionais.
Entre os participantes da agenda estiveram Ricardo Díaz Cortés, governador regional de Antofagasta, e Mauricio Soria Macchiavello, prefeito de Iquique. As conversas abordaram oportunidades comerciais e o papel dos portos chilenos na conexão com os mercados brasileiros.
Realizado em Santiago, em 20 de outubro, o Encontro Bioceânico Chile–Brasil reuniu representantes ligados ao comércio, à logística e à segurança. A participação de autoridades regionais e municipais permitiu discutir possibilidades de negócios, atração de investimentos e capacidade portuária.
Agenda segue em Valparaíso
Entre os dias 21 e 23 de outubro, Nelsinho Trad participa, em Valparaíso, do Segundo Encontro da Rede Parlamentar de Segurança do ParlAmericas, dedicado às respostas legislativas ao crime organizado e à violência nas Américas.
A programação dá continuidade às discussões sobre cooperação internacional e segurança transnacional, temas que também integram o diálogo entre os países envolvidos na Rota Bioceânica.
Fonte: Capital News



