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Jujuy promove a inclusão dos ramais C14 e C15 nas concessões da Belgrano Cargas

O governo provincial e a Faculdade de Engenheiros alertam para a necessidade de garantir a manutenção das ferrovias e propõem o desenvolvimento de soluções técnicas para fortalecer a conectividade entre Jujuy, Salta e os mercados internacionais

O governo provincial de Jujuy (Argentina) e a Escola Superior de Engenheiros estão avançando com uma proposta para incorporar dois corredores ferroviários ao processo de licitação da ferrovia de carga Belgrano Cargas. A iniciativa visa garantir a manutenção desses corredores, melhorar a logística regional e fortalecer a conexão entre a produção agrícola e a mineração e os mercados internacionais.

A recuperação da infraestrutura ferroviária no norte da Argentina voltou a ser prioridade na agenda de Jujuy. O governador Carlos Sadir reuniu-se com representantes do Colégio de Engenheiros de Jujuy (CIJ) para promover a inclusão dos ramais C14 e C15 nas licitações de carga da Belgrano Cargas, com o objetivo de garantir a continuidade da operação dessas linhas e aproveitar seu potencial para o transporte de mercadorias.

A reunião ocorreu no Salão Branco da Casa do Governo e reuniu Marcelo Helou, presidente do Fórum de Engenharia da NOA, representando o CIJ; Emilio Coronel, especialista da instituição em assuntos ferroviários; e Alfredo Simón, referência em assuntos relacionados ao Corredor Bioceânico.

Após a reunião, Sadir enfatizou o papel da infraestrutura ferroviária no desenvolvimento econômico da província, afirmando: “Jujuy tem uma localização estratégica e um enorme potencial produtivo. Reunimo-nos com representantes do Northwest Engineering Forum e da Jujuy College of Engineers para apresentar propostas que permitam a inclusão dos ramais C14 e C15 na licitação da Belgrano Cargas.”

Nesse sentido, o governador afirmou que “essas melhorias nos permitiriam conectar nossa produção a novos mercados, aumentar a competitividade e gerar mais oportunidades para a população de Jujuy”. Ele enfatizou ainda: “O norte precisa de uma ferrovia à altura de suas necessidades, uma que apoie seu crescimento”.

Infraestrutura ferroviária: um elemento fundamental para a mineração e a produção regional

A principal preocupação do setor de engenharia é evitar que ramais ferroviários sejam excluídos de contratos de concessão e fiquem sem garantias contratuais de manutenção. Especialistas acreditam que a restauração e a manutenção dessas conexões reduziriam os custos de transporte, melhorariam a competitividade das economias regionais e ampliariam as oportunidades de comercialização de minerais e produtos agrícolas.

Marcelo Helou elogiou a disposição do Executivo provincial em trabalhar em uma agenda compartilhada e confirmou que o Fórum de Engenharia da NOA desenvolverá alternativas técnicas para apoiar os esforços do governo nacional e de outros atores da região.

O prazo acordado para a apresentação de propostas é de 30 dias. Uma vez elaboradas, as iniciativas serão também submetidas a outros governos provinciais para apreciação, com o objetivo de construir uma posição comum para o norte da Argentina no que diz respeito à infraestrutura e conectividade ferroviária.

Helou argumentou que os ramos C14 e C15 deveriam ser considerados “estratégicos e não opcionais”, devido ao seu papel na integração da NOA com os circuitos comerciais internacionais.

Dessa perspectiva, a reabilitação das estradas permitiria a consolidação de um corredor logístico transversal, de leste a oeste, ligado aos objetivos do Corredor Bioceânico e à necessidade de oferecer alternativas de transporte mais eficientes aos setores produtivos.

O líder também destacou as oportunidades de complementaridade entre a mineração no noroeste da Argentina e a produção agrícola no Brasil e no Paraguai. Ele observou que a coordenação dessas duas atividades poderia facilitar o uso de corredores ferroviários para o transporte de mercadorias até os portos do Pacífico e agilizar sua chegada a destinos internacionais.

Eles alertam para lacunas nas especificações da concessão

Um dos pontos centrais da proposta técnica está relacionado aos trechos ferroviários que, segundo os representantes do Conselho de Engenheiros, não estão incluídos nas especificações da concessão atual.

Emilio Coronel alertou que a Linha C, que liga Güemes a Perico, e o ramal C13, que liga Güemes a Cerrillos e serve de acesso à Linha C14, não foram incluídos nesses documentos. Essa situação pode afetar a preservação da infraestrutura e a continuidade dos serviços ferroviários.

A este respeito, o especialista afirmou que “a ausência dessas rotas nas licitações coloca em risco as tarefas de manutenção, uma vez que as empresas concessionárias não teriam obrigações contratuais para realizá-las”.

Coronel também destacou que Jujuy e Salta possuem uma localização relevante dentro do esquema de integração bioceânica, embora tenha considerado que esse potencial exige um planejamento ferroviário que esteja em consonância com as necessidades econômicas do norte da Argentina e dos países vizinhos.

Nesse sentido, ele questionou por que a elaboração dos documentos da licitação não levou suficientemente em consideração as demandas de produção e logística da região, especialmente aquelas relacionadas a uma maior conectividade com os portos chilenos.

O Corredor Bioceânico, no centro da estratégia logística

A inclusão dos ramais C14 e C15 nas licitações visa evitar que importantes conexões ferroviárias do noroeste da Argentina sejam excluídas de investimentos e compromissos de manutenção. Ao mesmo tempo, a proposta busca integrar o planejamento ferroviário às perspectivas de crescimento da mineração, da agricultura e do comércio exterior.

Para Jujuy e Salta, ter uma rede ferroviária operacional representa uma alternativa para otimizar o transporte de cargas, reduzir o impacto dos custos logísticos e fortalecer os laços comerciais com o Brasil, o Paraguai e os mercados internacionais.

O desafio proposto pelo governo provincial e pela Faculdade de Engenheiros será o de traduzir essas necessidades em propostas técnicas concretas que possam ser consideradas nas fases de licitação e negociação com as autoridades nacionais.

Caso a iniciativa avance, a recuperação e a manutenção desses corredores poderão ajudar a consolidar a NOA como um centro logístico de integração regional, com maior capacidade para conectar sua produção mineira e agrícola a novas rotas comerciais e destinos internacionais.

Fonte: Salta Mining

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