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Um novo corredor de quase 4.000 km atravessará 4 países da América Latina e ligará 2 oceanos para fortalecer o comércio com a Ásia

Corredor Bioceânico de Capricórnio emergiu como um projeto fundamental de integração física na América Latina, reconfigurando o fluxo de mercadorias das áreas de produção no interior para os terminais marítimos internacionais. Embora as informações públicas sugiram um trajeto de aproximadamente 4.000 quilômetros, documentos técnicos especificam que o eixo rodoviário prioritário ultrapassa 2.400 quilômetros. Essa ambiciosa rede logística e portuária visa otimizar o comércio exterior por meio de infraestrutura eficiente e estratégica.

A iniciativa visa reduzir distâncias, coordenar investimentos e integrar as passagens de fronteira por meio de políticas públicas conjuntas entre governos nacionais e subnacionais. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Plano Diretor da rota definirá uma visão comum e consensual focada na facilitação do comércio, no desenvolvimento produtivo local e na conectividade digital.

O Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC) é uma iniciativa de cooperação que visa se tornar a mais importante em nível subcontinental. Foto: Corredor Bioceânico
O Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC) é uma iniciativa de cooperação que visa se tornar a mais importante em nível subcontinental. Foto: Corredor Bioceânico

Quais países da América Latina serão conectados pelo novo Corredor Bioceânico e quais oceanos ele interligará?

O megaprojeto ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando de forma eficiente os oceanos Atlântico e Pacífico. O plano de ação da Comissão de Alto Nível para este projeto rodoviário, publicado pelo Ministério da Economia do Chile, o define como um “ambicioso projeto de integração regional” baseado em uma extensa rede de infraestrutura rodoviária e portuária.

A rota inclui a passagem por São Paulo, Mato Grosso do Sul, o Chaco paraguaio, as províncias de Salta e Jujuy, e os terminais marítimos do norte do Chile, especialmente Antofagasta, Mejillones e Iquique. Segundo o Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, a rota tem mais de 3.200 quilômetros de extensão em seu eixo central e otimizará o transporte internacional entre o interior da América do Sul e os portos chilenos.

O megaprojeto cria uma ligação entre o porto de Santos (Brasil) e os portos do norte do Chile. Foto: Corredor Bioceânico
O megaprojeto cria uma ligação entre o porto de Santos (Brasil) e os portos do norte do Chile. Foto: Corredor Bioceânico

Em relação ao financiamento, não existe um orçamento único para todo o megaprojeto, uma vez que ele combina infraestrutura nacional, melhorias no cais e coordenação multilateral. O BID aprovou uma doação de cooperação técnica não reembolsável de US$ 600.000 para o desenvolvimento do Plano Diretor Regional; além disso, a agenda chilena identifica projetos específicos, como a expansão do quebra-mar em Antofagasta, no valor de US$ 39 milhões, e obras adicionais estimadas em US$ 15 milhões.

O novo Corredor Bioceânico que ligará dois oceanos: que vantagens trará para o comércio com a Ásia?

O principal benefício desse canal de integração reside em proporcionar uma rota direta para a região Ásia-Pacífico para mercadorias provenientes da América do Sul central. Segundo o documento chileno, a nova rota tem o potencial de reduzir o tempo de transporte entre as áreas do Mediterrâneo e os destinos asiáticos em “até 10 dias”, em comparação com as rotas tradicionais que conectam aos portos do norte do Chile.

Essa otimização logística impulsionará as exportações de produtos agroindustriais, minerais e manufaturados — setores que atualmente enfrentam altos custos devido ao isolamento geográfico. Nesse sentido, a plataforma oficial do Corredor Bioceânico de Capricórnio destaca que o Plano Diretor visa “melhorar a conectividade, promover o comércio intrarregional e apoiar o desenvolvimento produtivo das economias regionais” para estruturar cadeias de valor competitivas.

Os fluxos comerciais para o Oriente dependem de procedimentos alfandegários eficientes, razão pela qual o BID prioriza a padronização das regulamentações e a modernização das passagens de fronteira. O sucesso desses projetos de infraestrutura consolidará essa rota transcontinental como uma opção previsível e atraente para exportadores que buscam impulsionar as vendas em mercados-chave como China, Japão e Coreia do Sul.

Como o Corredor Rodoviário Bioceânico competiria com o Canal do Panamá?

O Corredor Rodoviário Bioceânico Sul está se consolidando como um megaprojeto colossal de US$ 10 bilhões, concebido para ligar o porto chileno de Coquimbo à cidade brasileira de Porto Alegre. Essa infraestrutura terrestre cruza oito fronteiras e conecta áreas estratégicas de quatro nações sul-americanas, com o objetivo explícito de “competir diretamente com o Canal do Panamá”. Ao oferecer uma rota alternativa e eficiente, a rede rodoviária visa otimizar o fluxo de mercadorias entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Em comparação com a rota marítima da América Central, que movimenta no máximo 36 navios por dia e sofre atrasos de “três ou quatro dias”, este projeto promete uma redução drástica nos tempos de trânsito. A iniciativa terrestre diminui os custos logísticos para os países do Cone Sul, consolidando-se como uma vantagem comercial decisiva diante das interrupções no transporte marítimo tradicional.

Como está o progresso da construção do Corredor Bioceânico de Capricórnio em 2026?

O projeto de infraestrutura rodoviária está atravessando sua fase de pico. Faltando apenas 3 metros para a conclusão da ligação física da Ponte Bioceânica sobre o Rio Paraguai. Essa estrutura monumental ligará Carmelo Peralta a Porto Murtinho, o eixo central de uma rota logística de 3.200 quilômetros, projetada para conectar o Oceano Atlântico aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no Pacífico. A iniciativa surge como uma alternativa fundamental às restrições do Canal do Panamá, com estimativas que preveem uma economia de dez a quinze dias no tempo de trânsito para os mercados asiáticos.

Para o Paraguai, um país sem litoral cujas exportações atingiram US$ 16,72 bilhões em 2025 pela Hidrovia Paraguai-Paraná, essa rota terrestre representa um acesso estratégico e direto aos terminais marítimos do oeste. O governo do presidente Santiago Peña está priorizando o projeto, juntamente com planos complementares de rodovias e ferrovias, para impulsionar os setores agrícola, de mineração e de energia da região.

Os governos envolvidos preveem a inauguração formal de todo o complexo logístico durante o segundo semestre de 2026, após a conclusão das obras finais nos territórios fronteiriços. O viaduto internacional serve como peça central de uma rede que irá remodelar o transporte de mercadorias no continente.

Fonte: La República

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