Governo acelera obras do acesso à Ponte Bioceânica para conclusão até junho
O governo federal decidiu reforçar os investimentos no acesso rodoviário brasileiro à Ponte da Bioceânica, em Porto Murtinho (MS), com o objetivo de antecipar em mais de um ano a conclusão da obra. A meta é que o corredor internacional entre em operação o mais próximo possível do cronograma previsto pelo Paraguai, que já executa a ponte sobre o Rio Paraguai e trechos de acesso em seu território.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (31/07) pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante agenda em Mato Grosso do Sul, que incluiu a entrega do lote 4 da BR-419, em Aquidauana.
Na ocasião, Santoro informou que, após o desbloqueio de R$ 1 bilhão no orçamento do ministério, foram destinados R$ 80 milhões adicionais para as obras do acesso à Bioceânica e R$ 55 milhões para manutenção de rodovias federais no estado.
Acordo com construtora prevê mais verba se obras acelerarem
Além dos recursos já liberados, o governo firmou um acordo com a Construtora Caiapó, responsável pela execução do acesso brasileiro, para ampliar os investimentos caso o cronograma seja acelerado. “Fizemos um combinado: se as obras andarem e performarem, vamos colocar mais R$ 55 milhões para concluir completamente o trecho que falta do acesso e também da BR-267”, afirmou Santoro.
A declaração ocorreu em um contexto de avanços recentes na infraestrutura estadual, que incluem a garantia de recursos para concluir a restauração da BR-262, a futura duplicação de 105 quilômetros da rodovia entre Terenos e Aquidauana e a confirmação de que o governo pretende realizar ainda neste ano o leilão da Malha Oeste.
Sincronia com o Paraguai é o grande desafio
Em maio, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) indicava que a previsão de conclusão do acesso brasileiro era apenas para dezembro de 2027, enquanto a Ponte da Bioceânica, construída pelo Paraguai, deve ser entregue em setembro deste ano.
Além da ponte, o governo paraguaio executa um acesso pavimentado de 3,8 quilômetros ligando a estrutura à rodovia PY-15, com expectativa de conclusão entre março e abril do próximo ano.
“A previsão do Paraguai é concluir os 72 quilômetros em março e abril. Se conseguirmos conciliar o lado do Paraguai com o lado do Brasil, teremos o corredor totalmente operante”, disse o ministro. Santoro reconheceu que o desafio é ousado, principalmente pelas dificuldades de engenharia encontradas no lado brasileiro, mas garantiu que não faltarão recursos para acelerar os serviços.
Dirigindo-se à engenheira da Caiapó responsável pela obra, o ministro lançou um desafio claro: “Ela acha que não vai conseguir entregar no primeiro trimestre, mas eu dei o desafio. Se conseguirmos chegar em março, seria o ideal. Acho difícil chegar em abril, mas se conseguirmos pelo menos até junho, teremos o corredor completo”.

O que será construído no acesso brasileiro
As obras brasileiras começaram apenas em setembro de 2024 e representam um investimento de aproximadamente R$ 500 milhões. O projeto prevê a implantação de 13,1 quilômetros de rodovia, ligando a BR-267 à Ponte da Bioceânica, além da construção de um Centro Integrado de Fronteira entre Brasil e Paraguai.
O traçado inclui um viaduto na BR-267 e seis pontes. Duas delas, sobre o Rio Amonguijá e uma vazante, já foram concluídas. Também já foram executados o canteiro de obras, as centrais de concretagem, o pátio de protensão de vigas, cercas na faixa de domínio e outras estruturas de apoio.
O Centro Integrado de Fronteira concentrará em um único complexo órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Vigiagro, Anvisa, DNIT, ANTT e PRF, além de áreas separadas para veículos leves e caminhões, reduzindo o tempo de liberação das cargas na fronteira.
Corredor estratégico para o comércio exterior
Para Santoro, a combinação entre a conclusão da BR-419, a recuperação da BR-267, o acesso à Ponte da Bioceânica e a futura relicitação da Malha Oeste transformará Mato Grosso do Sul em um dos principais centros logísticos do País. “O governo federal vê Mato Grosso do Sul como a porta de entrada do Brasil para a América Latina. Esse corredor via Porto Murtinho é fundamental para desenvolver o comércio com os demais países, acessar a Rota Bioceânica, chegar ao Porto de Antofagasta e atrair novas indústrias para o Estado”, afirmou.
A Ponte da Bioceânica integra o Corredor Bioceânico de Capricórnio, também chamado de RILA (Rota da Integração Latino-Americana), um eixo logístico de mais de 3,2 mil quilômetros que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por rodovias atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho será a porta de entrada do corredor em território brasileiro, conectando a produção nacional aos portos chilenos, especialmente o de Antofagasta, no Pacífico.
Segundo um estudo da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), o corredor poderá encurtar em mais de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras para a Ásia e reduzir em cerca de 23% o tempo de viagem até a China, o equivalente a aproximadamente 12 dias.
Além de ampliar a competitividade do comércio exterior e aproximar a produção sul-americana dos portos do Pacífico e dos mercados asiáticos, a rota deverá estimular a integração econômica entre os quatro países, atrair investimentos e fortalecer o intercâmbio turístico e cultural ao longo de todo o corredor.
Fonte: Folha de Campo Grande

