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Ministros apontam MS como estratégico para investimentos e integração regional

A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, os investimentos em infraestrutura e a implantação da reforma tributária colocaram o Estado no centro das discussões realizadas nesta quinta-feira (30), na Casa da Indústria, em Campo Grande. Durante encontro promovido pela Fiems, representantes do Governo Federal defenderam maior diálogo com o setor produtivo para ampliar investimentos e reduzir entraves ao desenvolvimento econômico.

Participaram da coletiva de imprensa Dario Durigan, do Ministério da Fazenda; o ministro dos Transportes, George Santoro; e o presidente do Comitê Gestor do IBS e do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, Flávio César de Oliveira.

O encontro abordou os impactos da reforma tributária, o ambiente de negócios e as obras consideradas importantes para a logística de Mato Grosso do Sul, especialmente as relacionadas à Rota Bioceânica.

Durigan afirmou que a localização do Estado, próxima de grandes mercados consumidores e conectada aos corredores de integração da América do Sul, aumenta sua capacidade de atrair novos empreendimentos.

“Mato Grosso do Sul cumpre um papel estratégico para o Brasil. Além da sua importância nacional, passa a assumir uma relevância regional cada vez maior na América Latina, com potencial para atrair investimentos e ampliar suas cadeias produtivas”, declarou.

A avaliação é de que essa posição será fortalecida com o avanço da Rota Bioceânica, corredor que pretende conectar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico por meio do Paraguai, da Argentina e do Chile.

Reforma tributária entra na fase prática

A implementação do novo sistema de tributação sobre o consumo também esteve entre os principais temas do encontro.

Durigan afirmou que a reforma deixa gradualmente a etapa de elaboração das regras para entrar na aplicação prática. Segundo ele, a mudança tem potencial para simplificar procedimentos, reduzir a burocracia e tornar o sistema tributário mais transparente.

O representante da Fazenda também defendeu a manutenção do diálogo com empresas e entidades do setor produtivo durante a transição.

A reforma criou a Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços, administrado de forma compartilhada por estados e municípios.

A partir de agosto de 2026, documentos fiscais eletrônicos de empresas do regime regular deverão conter os campos referentes ao IBS e à CBS, incluindo as alíquotas utilizadas na fase de testes do novo modelo.

Para Flávio César, a atuação conjunta entre União, estados e municípios será necessária para cumprir os prazos e reduzir dificuldades durante a implantação.

“A reforma tributária está saindo da teoria para a prática. Estamos construindo, de forma conjunta, um modelo mais transparente, mais simples e mais justo para o Brasil”, afirmou.

Ele destacou ainda a parceria entre o Comitê Gestor do IBS, o Comsefaz e o Ministério da Fazenda na regulamentação e na operacionalização do sistema.

Flávio César de Oliveira durante o encontro empresarial realizado na Casa da Indústria, em Campo Grande.

Governo cita R$ 2,8 bilhões para infraestrutura

George Santoro apresentou um balanço dos investimentos federais em infraestrutura de transportes no Estado.

Segundo o ministro, Mato Grosso do Sul deverá receber aproximadamente R$ 2,8 bilhões ao longo do atual ciclo de gestão. O valor, conforme apresentado durante a coletiva, supera os recursos aplicados em períodos anteriores.

Santoro afirmou ainda que a proporção de trechos da malha rodoviária classificados como bons ou ótimos passou de cerca de 50% para 85%, conforme indicadores utilizados pelo Ministério dos Transportes.

Os números foram apresentados como resultado da ampliação de obras, serviços de manutenção e recuperação das rodovias federais que atravessam Mato Grosso do Sul.

O Estado ocupa posição relevante no transporte rodoviário por concentrar rotas utilizadas para o escoamento da produção agropecuária e industrial, além das ligações com países vizinhos.

Acessos à Ponte Bioceânica estão entre prioridades

Outro ponto discutido foi a conclusão da infraestrutura brasileira de acesso à Ponte Internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai.

As obras federais incluem a implantação de 13,1 quilômetros de rodovia, seis pontes e um viaduto na BR-267. O investimento informado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes é de aproximadamente R$ 472 milhões.

“A expectativa é garantir que o corredor esteja plenamente operacional, ampliando a competitividade de Mato Grosso do Sul e fortalecendo sua integração econômica com os países vizinhos”, afirmou Santoro.

O avanço dos acessos é considerado necessário para que a ponte possa receber o fluxo de veículos previsto para o corredor internacional.

Informações mais recentes do Governo de Mato Grosso do Sul indicam que o acesso e o contorno rodoviário de Porto Murtinho tinham cerca de 35% de execução em janeiro de 2026, com previsão de conclusão em julho de 2027.

A Rota Bioceânica é vista pelo setor produtivo como uma alternativa para reduzir distâncias até os mercados asiáticos, além de ampliar as relações comerciais entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Setor produtivo cobra previsibilidade

A presença dos representantes do Governo Federal na Fiems também abriu espaço para o setor industrial apresentar preocupações relacionadas à carga tributária, aos juros elevados, à disponibilidade de crédito e à necessidade de ampliar os investimentos.

A avaliação apresentada no encontro é de que a competitividade de Mato Grosso do Sul dependerá não apenas da construção de estradas e corredores internacionais, mas também de regras tributárias claras e de maior previsibilidade para as empresas.

O desafio será transformar a posição geográfica do Estado em ganhos concretos para a indústria, o comércio e a geração de empregos.

O encontro “Reforma Tributária e o Futuro da Economia” foi realizado pela Fiems na Casa da Indústria, em Campo Grande.

Fonte: A Crítica

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