Rota Bioceânica terá nova base da PRF em Porto Murtinho e integração policial com três países
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) vai ter um posto em Porto Murtinho, a 450 quilômetros de Campo Grande, no ponto por onde a Rota Bioceânica vai deixar o Brasil. A unidade operacional ficará no Centro Aduaneiro de Controle de Fronteira, a área de fiscalização que ainda será construída junto à ponte sobre o Rio Paraguai, na ligação com Carmelo Peralta, no Paraguai.
A previsão foi informada pelo superintendente da PRF em Mato Grosso do Sul, inspetor João Paulo Pinheiro Bueno, em entrevista nesta terça-feira (27). “A gente tem já a previsão de uma construção de uma nova unidade operacional da Polícia Rodoviária no Centro Aduaneiro, que vai ser construído lá em Porto Murtinho”, disse.
Por enquanto, o posto existe só no planejamento. Segundo o superintendente, não há valor definido para a obra, cronograma de construção nem número de policiais previsto. E a base depende de outra obra ainda incompleta: o próprio centro aduaneiro faz parte do pacote de acesso brasileiro à ponte, que o Tribunal de Contas da União (TCU) colocou entre as dez obras federais prioritárias para 2027.
Policiais de quatro países já estudam juntos
A parte da preparação que já saiu do papel é a formação. A PRF oferece cursos de segurança viária e de legislação de trânsito a policiais do Paraguai, da Argentina e do Chile, os três países que o corredor atravessa até os portos do Oceano Pacífico. As aulas são organizadas pela Universidade Corporativa da PRF (UniPRF), que, segundo Bueno, está sendo transferida de Florianópolis para Brasília.
O plano é que, com a rota em operação, as polícias dos quatro países passem também a trocar dados e informações. O superintendente enxerga no corredor um risco do mesmo tamanho da oportunidade. “É uma nova rota para o desenvolvimento, mas também é uma nova rota para a criminalidade. A gente tem que entender isso”, afirmou.
A preocupação com o crime transnacional acompanha o projeto. Neste mês, o senador Nelsinho Trad levou o debate sobre crime organizado e Rota Bioceânica ao Chile.
Tecnologia antes de mais policiais
Bueno disse que a corporação aposta em tecnologia para dar conta do novo fluxo de caminhões e ônibus. “A PRF tem um efetivo bom, muito competente. Só que o investimento em tecnologia facilita muito o nosso trabalho, principalmente dos policiais que estão operando na pista”, afirmou.
Não há concurso nem reforço de efetivo anunciado para a rota. Uma ampliação, na avaliação do superintendente, depende da proposta de emenda constitucional da segurança pública, que pode estender a atuação da PRF a ferrovias e hidrovias. A mudança ainda precisa ser aprovada no Congresso.
O acesso brasileiro à ponte ainda está em obras
Do lado brasileiro, a ponte só funciona com o acesso: 13,1 quilômetros de rodovia entre a BR-267 e a cabeceira, o contorno rodoviário de Porto Murtinho e o centro aduaneiro onde ficará a PRF. Em março, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que o conjunto estava com 31,73% de execução e custo total estimado em R$ 496,9 milhões.
No dia 21, o TCU listou o acesso a Porto Murtinho entre as dez obras prioritárias do Fiscobras 2026, a fiscalização anual de obras públicas, como A Crítica mostrou. O critério é o risco de a obra andar devagar por falta de dinheiro, não a existência de irregularidade.
Entrar na lista orienta a discussão do Orçamento da União de 2027, mas não garante a liberação dos recursos.
A ponte está unida, falta o acabamento
A ponte tem 1.294 metros e liga as duas margens desde a noite de 15 de julho, quando as últimas aduelas, os blocos de concreto que formam a pista, se encontraram sobre o rio. A cerimônia oficial ocorreu oito dias depois, em 23 de julho. Desde então, as equipes ajustam a tensão dos cabos que sustentam a pista, pavimentam, sinalizam e instalam equipamentos de segurança.
A obra custa cerca de US$ 103 milhões, pagos pela margem paraguaia da Itaipu Binacional. A previsão inicial de entrega, maio de 2026, ficou para trás.

No Paraguai, dois dos três trechos ainda esperam asfalto
Segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC), a travessia do Chaco foi dividida em três trechos. O primeiro, de 277 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata, está concluído e custou US$ 443 milhões.
O segundo, de 102 quilômetros entre Cruce Centinela e Mariscal Estigarribia, tem investimento previsto de US$ 200 milhões, com empréstimo autorizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Enquanto ele não é pavimentado, a PY-09, rodovia que já existe na região e foi remodelada, pode servir de alternativa. O terceiro, de 224 quilômetros pela PY-15, vai de Mariscal Estigarribia a Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina.
Pronta, a Rota Bioceânica vai ligar Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico, atravessando o Chaco paraguaio e o norte argentino.
Fonte: A Crítica

