Rota Bioceânica pode ampliar negócios e turismo em Mato Grosso do Sul
A consolidação da Rota Bioceânica poderá abrir novas oportunidades de negócios, impulsionar o turismo e ampliar a circulação de mercadorias em Mato Grosso do Sul. Entretanto, para aproveitar esse potencial, empresários e municípios precisarão investir em qualificação, infraestrutura e planejamento. Os desafios foram discutidos durante o II Fórum MS Sustentabilidade, realizado nos dias 2 e 3 de novembro, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.
Um dos principais pontos levantados durante o encontro foi a necessidade de preparar os pequenos empreendedores para a concorrência que poderá surgir com a integração comercial entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O diretor de Operações do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, alertou que empresas de outras regiões também buscarão oportunidades ao longo do corredor internacional. “É muito importante qualificar os empreendedores que estão no território, porque, quando surgir um mercado, os de fora vão querer absorver esse mercado”, afirmou. Segundo ele, o Sebrae pretende intensificar em 2027 as ações de capacitação desenvolvidas em parceria com prefeituras e entidades empresariais.
O turismo aparece entre os setores com potencial de crescimento, especialmente em municípios como Bonito, Jardim e Porto Murtinho, que poderão receber novos fluxos de visitantes com a ampliação das conexões internacionais. Além das atividades turísticas, a integração rodoviária poderá favorecer o comércio, os serviços e a logística. A organizadora do fórum, Ana Cristina Franzoloso, da DuBem Sustentável, destacou que esse desenvolvimento precisará considerar os impactos ambientais e sociais, além de envolver governos, empresas, universidades e comunidades na elaboração de estratégias conjuntas.
Durante o encontro, também foram apresentados projetos voltados à sustentabilidade e à inovação nos territórios atravessados pela rota. O Desafio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Corredor Bioceânico recebeu mais de 40 trabalhos elaborados por universidades e profissionais, dos quais 12 foram selecionados para apresentação. Segundo Marcos Rocha Martins da Silva, coordenador-geral do Movimento Nacional ODS/MS, a iniciativa busca aproximar as pesquisas acadêmicas das necessidades da população e estimular soluções para questões relacionadas ao desenvolvimento regional.
Outro obstáculo identificado está na necessidade de padronizar os procedimentos alfandegários entre os quatro países envolvidos. O gestor de negócios internacionais do Escritório Comercial de Tarapacá, Fábio Roberto Cordeiro, destacou que a conclusão das obras de infraestrutura deverá ser acompanhada por medidas que facilitem o transporte internacional de mercadorias. Segundo ele, a Receita Federal realizou visitas técnicas para identificar dificuldades nas estruturas aduaneiras e avaliar possibilidades de integração. A expectativa é que essas ações contribuam para transformar o corredor em uma alternativa logística capaz de fortalecer a economia sul-mato-grossense.
Fonte: Capital News

