Ponte Bioceânica está se aproximando de um marco histórico para a integração regional
Um dos marcos mais importantes na construção da ponte internacional que ligará Carmelo Peralta, no Paraguai, a Porto Murtinho, no Brasil, está prestes a ser alcançado. A iminente união física de suas duas extremidades sobre o Rio Paraguai marcará um ponto de virada histórico e aproximará a conclusão de um dos projetos mais significativos para a integração regional.
Esta ponte, considerada um elo central do Corredor Rodoviário Bioceânico, ligará por terra os portos do Oceano Atlântico, no Brasil, aos do Pacífico, no Chile, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o que facilitará o transporte de mercadorias em larga escala de forma mais rápida, eficiente e direta.
A moderna infraestrutura, que servirá como principal porta de entrada para o Chaco paraguaio, terá 1.294 metros de comprimento, com um trecho estaiado de 632 metros e um vão principal de 350 metros. Quando estiver em operação, tanto a ponte quanto o Corredor Bioceânico permitirão uma economia de aproximadamente 4.000 milhas náuticas e até 14 dias no tempo de transporte para os mercados do Pacífico.
Nesse sentido, essa nova rota combinada levaria cerca de 37 dias — dois por terra e 35 por mar —, em comparação com até 49 dias para a rota tradicional entre Santos e Xangai.
Dessa forma, a redução do tempo e da distância melhoraria a competitividade dos produtos paraguaios, fortaleceria a posição do país no comércio internacional e ofereceria condições mais favoráveis para atrair investimentos, aumentar a produção e gerar novas fontes de emprego.
Outro benefício será a redução nos custos de transporte. O transporte de um contêiner de 20 pés de Antofagasta para Xangai custaria cerca de US$ 1.520, em comparação com os US$ 2.170 necessários para a rota atual pelo porto de Santos, no Brasil.
Uma conexão estratégica
No total, o Corredor Rodoviário Bioceânico terá aproximadamente 2.396 quilômetros de extensão: 890 km no Brasil, 605 km no Paraguai, 531 km na Argentina e 370 km no Chile. No Paraguai, atravessará a região do Chaco e conectará áreas produtivas a portos e postos de fronteira, integrando o país a uma rede estratégica de comércio internacional.
No Paraguai, a rodovia internacional está sendo construída em etapas. A primeira etapa, que consistiu na pavimentação de 277 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata, foi concluída em fevereiro de 2022, com um investimento de US$ 443 milhões.
A segunda etapa, atualmente em fase de gestão, inclui 103 quilômetros de pavimentação asfáltica, com um investimento estimado em US$ 200 milhões e financiamento previsto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A terceira etapa abrange 225 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, no departamento de Boquerón, e sua construção está sendo realizada graças a um empréstimo de 354 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento Fonplata.

Impacto econômico em Chaco
Atualmente, o Chaco paraguaio possui aproximadamente 145.000 hectares de terras agrícolas. Com melhorias na conectividade e na logística, essa área poderia triplicar nos próximos 10 a 12 anos, enquanto a produção florestal poderia aumentar de três a quatro vezes na próxima década.
O corredor também atrairá investimentos e promoverá novas cadeias produtivas por meio do regime maquilador. Isso permitirá o estabelecimento de novas indústrias e parques logísticos, a geração de mais empregos, a expansão das exportações e a diversificação dos mercados e parceiros comerciais do Paraguai.
Um caminho de novas oportunidades
Por outro lado, o comércio entre o Paraguai e o Chile atingiu US$ 1,75 bilhão em 2023, e as projeções indicam que esse volume poderá dobrar em menos de quatro anos. O acesso aos portos do Pacífico também abrirá novas oportunidades para expandir a presença de produtos paraguaios nos mercados asiáticos.
Cinquenta e quatro por cento das exportações paraguaias destinam-se a países da América do Sul, enquanto apenas 16% chegam à Ásia. A nova conexão promoverá a diversificação de mercado e facilitará o acesso a uma das regiões economicamente mais dinâmicas do mundo.
Por fim, a construção da Ponte Bioceânica requer um investimento de US$ 103 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, com o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) como órgão executor. A obra está sendo realizada pelo Consórcio PYBRA, composto por Tecnoedil SA, Paulitec Construções e Construtora Cidade Ltda., sob a supervisão do Consórcio Prointec.
Uma vez ativado, juntamente com o corredor, novas oportunidades se abrirão para o desenvolvimento de Chaco, impulsionando a instalação de indústrias, centros urbanos e serviços próximos aos principais polos logísticos, além de atividades como hotéis, restaurantes e serviços relacionados ao transporte de cargas.
Todo esse novo cenário transformará o Paraguai em um centro logístico multimodal de valor agregado, e não apenas em um território de trânsito, o que favorecerá o crescimento econômico de todo o país.




Fonte: MOPC

