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Nelsinho Trad apresenta no Chile estimativa de 12 dias a menos no transporte até a Ásia pela Rota Bioceânica

O frete que sai do Centro-Oeste rumo à Ásia faz, hoje, uma volta longa por mar. A Rota Bioceânica propõe cortar caminho por terra: sair do Brasil por Mato Grosso do Sul, atravessar o Paraguai e a Argentina e chegar aos portos chilenos do Pacífico. Para convencer os vizinhos, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) levou a Santiago uma conta.

Na terça-feira (20) e na quarta-feira (21), o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado foi atrás de apoio político, de parceiros comerciais e de respostas sobre um ponto que costuma aparecer quando se fala em corredor: quem vigia o que passa por ele. Entre os números que apresentou está uma redução de cerca de 12 dias no tempo de viagem. O relato abaixo se apoia no material divulgado pela assessoria do senador; ninguém de fora do gabinete foi ouvido para esta reportagem.

O Chile quer o corredor, mas pede portos vigiados

Na reunião com a presidente do Senado chileno, Paulina Núñez, que representa a região de Antofagasta, Nelsinho apresentou o projeto e as perspectivas econômicas da ligação entre os dois países. À imprensa, resumiu a lógica da viagem: “A diplomacia, quando ela se fortalece, os laços dos países se fortalecem e os negócios aparecem. Estamos prontos para promover cada vez mais esse entendimento. Você não faz negócio, você não faz desenvolvimento com quem você não conversa, com quem você não dialoga”.

Do lado chileno, vieram condições. Paulina Núñez defendeu avanços nos procedimentos necessários para viabilizar o corredor e voltou-se para os portos: segurança, reforço da fiscalização, equipamentos como detectores infravermelhos. A conversa passou pelo combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas. A preocupação é preparar as estruturas de controle para um possível aumento da circulação de mercadorias.

Nelsinho se reuniu também com Enrique Lee Flores, presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Chile no Senado do país. Lee Flores manifestou apoio à iniciativa e mencionou a possibilidade de incluir outros portos no futuro, entre eles o de Arica.

Senador Nelsinho Trad à esquerda e Enrique Lee Flores à direita, sentados a uma mesa com microfones, em sala de madeira
Nelsinho Trad em reunião com Enrique Lee Flores, presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Chile no Senado chileno (Foto: Assessoria do senador Nelsinho Trad)

Uma conta que depende de quem a faz

Para sustentar o argumento, o senador levou números. Na apresentação aos parlamentares chilenos, expôs estimativas que atribuiu a um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): redução de 23% no tempo de viagem, o equivalente a cerca de 12 dias; aproximadamente 8 mil quilômetros marítimos a menos; e uma possível diminuição de até 40% nos custos de transporte.

A CONTA APRESENTADA EM SANTIAGO

12 dias – a menos de viagem, cerca de 23% do tempo, em comparação com trajetos marítimos tradicionais

8 mil km – marítimos a menos no percurso

até 40% – de redução possível nos custos de transporte

Estimativas expostas pelo senador Nelsinho Trad e atribuídas a estudo do Ipea. Os ganhos dependem dos trajetos comparados, dos destinos, das condições de operação e dos custos considerados. O estudo não acompanha o material divulgado pela missão.

Telão com mapa de mercados da Rota Bioceânica durante apresentação do senador Nelsinho Trad em Santiago
Apresentação do senador no Encontro Bioceânico Chile-Brasil mostra a rota até mercados asiáticos (Foto: Assessoria do senador Nelsinho Trad)

O próprio material da missão faz a ressalva: a avaliação dos ganhos depende dos trajetos comparados, dos destinos, das condições de operação e dos custos considerados no estudo, que não acompanha a divulgação. Há ainda uma diferença com o que o gabinete anunciou antes da viagem. Em reportagem de 17 de outubro, este jornal registrou, com base na agenda, uma redução de “até 14 dias”. A estimativa apresentada em Santiago fala em cerca de 12.

Para Mato Grosso do Sul, a ligação pode ampliar as alternativas de escoamento da produção, tema que já ocupa pequenos empresários do estado. Outros estados do Centro-Oeste também poderiam usar os portos do Pacífico. Para o Chile, a rota é uma chance de atrair cargas brasileiras, aumentar a movimentação nos portos e desenvolver serviços de logística, armazenagem e distribuição.

Nelsinho condicionou o êxito do projeto a três frentes. “A proposta é ampliar as opções de transporte para as exportações brasileiras, especialmente as originadas no Centro-Oeste e facilitar o acesso aos mercados asiáticos”, afirmou. Para que a rota seja competitiva, disse, será preciso combinar infraestrutura, procedimentos aduaneiros eficientes e capacidade para movimentar as cargas nos portos.

O PCC entrou na conversa, mas não na rota

A segurança foi o outro eixo da viagem. Nelsinho defendeu a integração das autoridades de segurança e das aduanas dos quatro países do corredor. “A questão da segurança pública é fundamental que tenha uma integração entre os quatro países. Por quê? Porque nós não podemos fazer dessa estrutura um caminho para as situações de malfeitos”, disse.

“Nós não podemos fazer dessa estrutura um caminho para as situações de malfeitos.”Nelsinho Trad, senador

Segundo o material da missão, o tema ganhou peso depois de uma investigação contra 19 pessoas apontadas como integrantes de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) identificada no Chile. O episódio reforça a importância da cooperação entre as autoridades, mas não demonstra que a Rota Bioceânica esteja sendo usada para atividades ilícitas.

No Encontro Bioceânico Chile-Brasil, realizado em Santiago na terça-feira (20), o diretor-geral da Polícia de Investigações do Chile (PDI), Eduardo Cerna Lozano, apresentou o que o país já tem em campo: brigadas de investigação de delitos portuários em San Antonio, Antofagasta e Mejillones, além de estruturas especializadas em lavagem de ativos e cibercrime.

Plenário com parlamentares e público em encontro de segurança, com participante em telão ao fundo
Encontro de segurança durante a missão do senador ao Chile (Foto: Assessoria do senador Nelsinho Trad)

“A integração dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Chile é fundamental para que a Rota cumpra a sua missão de desenvolvimento econômico e progresso”, afirmou o senador. Ele disse ter ido ao Chile “checar e verificar” a integração que precisa haver entre aduanas e ministérios, para que a rota sirva “para a logística, o turismo, para o desenvolvimento e para o intercâmbio educacional e da cultura”.

Menos papel na fronteira

A burocracia é o outro obstáculo à competitividade do corredor. A Convenção TIR, acordo internacional que cria mecanismos para facilitar o trânsito de mercadorias entre países e simplificar certos procedimentos aduaneiros, entra nessa conta. Nelsinho foi relator, na Comissão de Relações Exteriores, da proposta de adesão brasileira. O parecer foi aprovado em novembro de 2025 e, segundo o material da missão, a convenção entrou em vigor para o Brasil em 30 de julho de 2026.

A aplicação, porém, depende da implementação dos procedimentos necessários e da coordenação entre as autoridades dos países participantes. Para a Rota Bioceânica, o instrumento está entre as medidas que podem tornar o transporte internacional mais eficiente.

Governador, prefeito e presidente da Câmara

A missão incluiu contatos com a ProChile, agência chilena de promoção das exportações, além de diplomatas, empresários e autoridades regionais. Participaram da agenda o governador regional de Antofagasta, Ricardo Díaz Cortés, e o prefeito de Iquique, Mauricio Soria Macchiavello. As conversas trataram de oportunidades comerciais, de atração de investimentos e do papel dos portos chilenos na conexão com os mercados brasileiros. O senador também foi fotografado com Jorge Alessandri Vergara, presidente da Câmara dos Deputados do Chile; o material não informa o que foi tratado entre eles.

Senador Nelsinho Trad aperta a mão de Jorge Alessandri Vergara entre as bandeiras do Chile
Nelsinho Trad cumprimenta Jorge Alessandri Vergara, deputado da UDI e presidente da Câmara dos Deputados do Chile (Foto: Assessoria do senador Nelsinho Trad)

De Santiago a Valparaíso

A agenda segue. Entre quarta-feira (21) e sexta-feira (23), Nelsinho participa, em Valparaíso, do Segundo Encontro da Rede Parlamentar de Segurança do ParlAmericas, dedicado às respostas legislativas ao crime organizado e à violência nas Américas. A programação dá continuidade às discussões sobre cooperação internacional e segurança transnacional, temas que também fazem parte das conversas entre os países da Rota Bioceânica.

Fonte: A Crítica

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