Corredor Bioceânico: uma plataforma para impulsionar o desenvolvimento regional
O Corredor Bioceânico Norte ganhou relevância nas últimas semanas como uma das iniciativas de integração mais significativas da América do Sul, projetado para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio de uma rede logística que visa aproximar o centro produtivo continental dos mercados da Ásia-Pacífico, de acordo com Antonia Bordas, consultora do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI).
O potencial transformador dos corredores logísticos
Segundo a consultora, limitar esta iniciativa a um projeto de conectividade ignora uma parte considerável do seu alcance. Antonia Bordas argumenta que “os corredores de integração são muito mais do que rotas para o transporte de mercadorias” e, portanto, devem ser vistos como “plataformas de desenvolvimento capazes de transformar territórios, gerar novas oportunidades produtivas e fortalecer a competitividade regional”.
Nesse sentido, o especialista sugere que o foco deve mudar para um objetivo mais amplo do que a mera otimização operacional. “Talvez a questão não seja simplesmente como movimentar cargas com mais eficiência, mas como aproveitar essa conectividade para impulsionar o desenvolvimento regional e melhorar a qualidade de vida das comunidades”, afirma Antonia Bordas.
A necessidade de uma visão ecossistêmica
A geração de benefícios a partir desses projetos de grande escala não ocorre espontaneamente. Segundo a consultora do CPI, a experiência internacional confirma que “os benefícios dos principais corredores logísticos não são gerados automaticamente”, mas exigem “planejamento, coordenação e investimentos complementares que permitam capturar o valor que produzem”.
Para Antonia Bordas, elementos como “portos, infraestrutura rodoviária e ferroviária, zonas logísticas, energia, conectividade digital e capital humano fazem parte do mesmo ecossistema”. Quando esses componentes são desenvolvidos sob uma estrutura integrada, “os territórios aumentam sua capacidade de atrair investimentos, diversificar suas economias e gerar empregos”, explica Bordas.
Desafios para as regiões do norte e integração nacional
As regiões do norte do Chile enfrentam uma oportunidade única, dada a sua localização geográfica estratégica, a sua crescente participação na transição energética e a sua liderança na mineração — fatores que poderiam transformá-las em “um centro logístico e produtivo de importância continental”. No entanto, a consultora alerta que alcançar esse objetivo “requer uma visão compartilhada que transcenda projetos individuais e caminhe em direção a um planejamento de longo prazo”, observa Antonia Bordas.
De acordo com a especialista, a integração não deve se limitar exclusivamente à relação entre países, mas precisa ser fortalecida dentro do próprio Chile. Isso requer “uma melhor conexão dos portos com seus hinterlands (áreas rurais remotas), a vinculação da infraestrutura ao desenvolvimento produtivo e a geração de maior colaboração entre os atores públicos e privados”, condições que, para a consultora, são “essenciais para aproveitar plenamente essas oportunidades”, afirma Antonia Bordas.
Capacidades nacionais e visão de desenvolvimento
O Chile possui pilares fundamentais para esse propósito. Segundo Antonia Bordas, o país tem “experiência em infraestrutura, capacidades técnicas, estabilidade institucional e uma posição privilegiada na costa do Pacífico”, qualidades que, se complementadas com “uma visão estratégica”, permitirão que a conectividade se traduza em bem-estar e desenvolvimento.
Em última análise, o desafio desses corredores reside em projetar uma visão que transcenda fronteiras e a execução de projetos específicos. “Os corredores de integração nos convidam a pensar além das fronteiras e dos projetos individuais”, afirma a consultora do CPI, que acrescenta que o desafio consiste em “construir uma visão de desenvolvimento onde a infraestrutura atue como um facilitador de novas oportunidades para os territórios”, conclui Antonia Bordas.
Fonte: Logística 360

