CDL e Tarapacá discutem rota aérea entre Campo Grande, Assunção e Iquique
A possibilidade de uma ligação aérea entre Campo Grande, Assunção e Iquique entrou na pauta do setor produtivo durante encontro entre a CDL Campo Grande e uma comitiva da região chilena de Tarapacá, realizado na quarta-feira (8). A agenda reuniu empresários, representantes de entidades e o governador regional José Miguel Carvajal Gallardo, com foco em ampliar a cooperação ligada à Rota Bioceânica.
Segundo o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, a proposta agora é avançar para ações práticas. “A ideia aqui é justamente sair da retórica, sair da discussão e ir realmente para a prática. Hoje nós fizemos aqui um compromisso de montar um grupo de cem empresários e irmos até o Chile, conhecer todas as potencialidades e também apresentar as potencialidades que nós temos aqui em Campo Grande”, explicou.
Ele afirmou que a integração pode ampliar o alcance comercial da Capital, hoje voltado a um mercado de cerca de um milhão de consumidores, para uma conexão com mais de 20 milhões de pessoas.
Rota aérea direta
Durante o encontro, Adelaido também citou a discussão sobre uma frente aérea envolvendo a AENA, como alternativa complementar à rota terrestre. “Se nós tivermos a capacidade e a inteligência de trazer pelo Pacífico, Campo Grande passa a ser a grande fornecedora do Brasil”, disse.
O governador de Tarapacá, José Miguel Carvajal Gallardo, afirmou que o corredor bioceânico é um dos projetos latino-americanos mais importantes do ponto de vista geopolítico nas últimas décadas. A visita integra o terceiro ano consecutivo das Jornadas de Tarapacá em Campo Grande, iniciativa vinculada ao escritório da região chilena instalado na Capital para aproximar empresários dos dois territórios.
Entre os temas tratados, o governador destacou a conectividade aérea como uma das principais frentes da agenda. Segundo ele, uma das tratativas levadas após a visita é a possibilidade de iniciar o processo de ligação aérea entre Campo Grande e Assunção, com continuidade até Iquique, o que também poderia favorecer o intercâmbio turístico.
A presidente da FCDL, Inês Santiago, afirmou que a Federação deve atuar no apoio à CDL Campo Grande e às demais CDLs de Mato Grosso do Sul para que a iniciativa privada possa iniciar a rota aérea e movimentar o setor de turismo no Estado, no Paraguai, na Argentina e no Chile. Segundo ela, já existe um voo entre Assunção e Iquique, e o próximo passo seria viabilizar uma ligação entre Campo Grande e a capital paraguaia.
O diretor da AENA em Mato Grosso do Sul, Usiel Vieira, confirmou que a companhia avalia a viabilidade da conexão internacional. Ele explicou que, atualmente, um passageiro que sai de Iquique com destino a Campo Grande precisa passar por quatro operações de voo, com escalas em Santiago e Guarulhos. Uma rota direta ou com apenas uma conexão reduziria esse percurso e poderia melhorar a integração entre as regiões.
Integração de outros setores
Representantes do turismo e da hospitalidade também participaram da reunião. O diretor do SindHA, Carlos Genoud Neto, avaliou que a Rota Bioceânica pode abrir novas oportunidades para além do transporte de cargas, especialmente para destinos turísticos de Mato Grosso do Sul, como Bonito. Já a diretora executiva da Abrasel em Mato Grosso do Sul, Paola Lani, apontou potencial de crescimento para os bares e restaurantes, com o aumento do fluxo de visitantes e o intercâmbio entre empresários.
O encontro reuniu ainda representantes de outras entidades, diretores da CDL Campo Grande e empresários da Capital, em uma agenda voltada à aproximação comercial com o Chile e à busca por alternativas de transporte, turismo e negócios dentro do corredor bioceânico.
Fonte: A Crítica

