Projeto do corredor bioceânico está paralisado devido à falta de financiamento na ponte de Pozo Hondo
O progresso do Corredor Bioceânico posiciona o Paraguai como um ator fundamental na integração regional, mas também evidencia diversos problemas na ponte que liga Pozo Hondo, em Boquerón, a Misión La Paz, em Salta. Apesar dos avanços em outros trechos, a falta de financiamento e os conflitos socioambientais ameaçam transformar essa passagem de fronteira em um gargalo para o ambicioso projeto.
“Ainda não há financiamento para a ponte nem para as vias de acesso à ponte”, afirmou Julio Ríos, chefe interino da Direção de Estradas do Ministério das Obras Públicas e Comunicações (Mopc), a respeito do estado atual dessa infraestrutura fundamental.
Nesse aspecto, difere do ritmo de execução de outros projetos ao longo do corredor, que juntos representam um investimento de aproximadamente US$ 1,2 bilhão. O Corredor Bioceânico ligará o porto de Santos, no Brasil, ao porto de Antofagasta, no Chile. Seu trecho no Paraguai tem 373 quilômetros de extensão.
O projeto prevê a construção de uma nova ponte com aproximadamente 360 metros de extensão a montante da ponte existente, mas sua implementação ainda depende de acordos bilaterais com a Argentina e da obtenção de financiamento. Enquanto isso, o corredor, que se estende por cerca de 531 quilômetros em território paraguaio, avança em diversas frentes, com projetos como a ponte Carmelo Peralta–Puerto Murtinho atingindo 85% de conclusão.
Falta de Financiamento
O trecho que liga Mariscal Estigarribia a Pozo Hondo, atualmente em construção com financiamento da Fonplata, já inclui a passagem de fronteira, mas não a ponte internacional. Segundo Ríos, os estudos técnicos estão bem avançados e as negociações com a Argentina estão em andamento para definir a localização final.
Nesse contexto, a alternativa imediata seria utilizar a ponte existente entre Misión La Paz e Pozo Hondo, uma estrutura de concreto com aproximadamente 180 metros de comprimento que, segundo avaliações técnicas, é capaz de suportar tráfego pesado. No entanto, sua utilização é controversa.
“A ponte existente é de concreto armado… e está em boas condições o suficiente para suportar até mesmo tráfego pesado ”, afirmou o funcionário, dissipando quaisquer dúvidas sobre sua capacidade estrutural.
Fonte: La Republica
O BID aprova US$ 200 milhões para acelerar o Corredor Bioceânico localizado no Chaco.
A definição deste ponto é crucial para o cronograma geral do corredor, cuja operação parcial poderá ser concluída no segundo semestre de 2027. Uma rota logística alternativa está inclusive sendo considerada, utilizando estradas pavimentadas já existentes no sul do Chaco para contornar os atrasos no trecho central.
QUESTÕES
Além dos aspectos de engenharia, o principal obstáculo reside no impacto que o tráfego internacional teria sobre a população de Misión La Paz. A possibilidade de milhares de caminhões atravessarem o centro da cidade gerou preocupação tanto entre as comunidades locais quanto entre as autoridades argentinas.
“Ali, o problema é mais socioambiental e relacionado à população… que praticamente estará de passagem pelo centro urbano”, explicou Ríos, argumentando que as objeções incluem tanto questões indígenas quanto o impacto direto no cotidiano dos habitantes.
Ríos indicou que essa resistência social é um dos fatores que impulsionam a construção de uma nova ponte, que permitiria desviar o fluxo logístico das áreas urbanas. No entanto, sem financiamento garantido, a solução permanece na fase de planejamento.
O desafio é significativo considerando a escala do Corredor Bioceânico. Este corredor visa conectar os oceanos Atlântico e Pacífico, reduzindo consideravelmente o tempo de exportação para os mercados asiáticos. “Em princípio, economizaria aproximadamente 14 dias em logística”, observou Ríos sobre o impacto econômico do projeto em setores como pecuária, agricultura e produção de laticínios na região do Chaco.
Entretanto, representantes do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) apresentaram o projeto na cúpula de infraestrutura em Montevidéu, obtendo uma recepção positiva entre os países participantes e as organizações multilaterais. “Construir a outra ponte… é a solução”, concluiu Ríos.

