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Opinião: Relações diplomáticas entre o Chile e a Bolívia 

Ao discutir a reabertura das relações diplomáticas entre o Chile e a Bolívia, considero Iquique, a capital regional, um local particularmente relevante. Isso porque, já em 1906, Tarapacá solicitou às autoridades centrais a construção de uma ferrovia ligando o Chile à Bolívia.

O objetivo era estabelecer atividades produtivas alternativas que superassem a dependência da região em relação a um único elemento de sua economia: os nitratos. A proposta foi ignorada. A crise dos nitratos foi devastadora para a região. Na década de 1930, foi adicionado um pedido para a construção de uma estrada ligando Iquique a Oruro.

As promessas eram variadas, mas não cumpridas. No final da década de 1950, a indústria de farinha de peixe começou a ganhar força, embora tenha entrado em declínio algumas décadas depois. Uma nova crise se instaurou, com a necessidade de distribuição de alimentos para a população local. O ponto de ruptura se repetiu: uma economia primária e extrativista. A necessidade de diversificação era evidente.

Em 1964, Jorge Soria Quiroga tornou-se prefeito de Iquique. Após um estágio nos Estados Unidos, retornou com a ideia de integrar os oceanos Atlântico e Pacífico, mas em escala sul-americana, como havia observado naquele país. Isso poderia ser alcançado por meio de rodovias transoceânicas, com benefícios econômicos, comerciais, turísticos e culturais sustentáveis.

Assim, a Bolívia foi o primeiro país do Cone Central da América do Sul a tomar conhecimento de seus esforços paradiplomáticos. Reuniões sistemáticas com autoridades locais e nacionais bolivianas e chilenas levaram à construção da rodovia internacional Iquique-Oruro, o primeiro trecho do “Corredor Bioceânico Iquique-Santos”, agora pavimentado e em operação. Foi inaugurado em 2010 pelos presidentes do Chile, Bolívia e Brasil. Merece destaque também o chamado “Corredor Bioceânico Central”, que começa em Iquique, atravessa a Bolívia e o Paraguai e chega ao porto brasileiro de Paranaguá.

Hoje, a rodovia Iquique-Oruro é a principal rota econômica e comercial, tornando a Bolívia o maior comprador da Zona Franca de Iquique. É louvável que os esforços para construí-la tenham sido empreendidos durante o auge da Guerra Fria e em um momento em que Chile e Bolívia haviam rompido relações diplomáticas. Vale ressaltar que essas relações estão suspensas desde 1962.

No entanto, houve um hiato excepcional entre 1975 e 1978. Hoje, mais de 60 anos depois, vozes de ambos os lados têm se manifestado buscando promover a retomada das relações. Em 29 de janeiro de 2026, no Panamá, os presidentes Paz e Kast discutiram o assunto.

Agora, a questão está nas mãos dos ministros das Relações Exteriores. A esse respeito, Francisco Pérez Mackenna concordou com seu homólogo boliviano, Fernando Aramayo, sobre “sete áreas de colaboração estratégica: conectividade, comércio, migração, segurança, recursos hídricos e hidrocarbonetos, integração de fronteiras e energia”.

Caso esse esforço diplomático seja bem-sucedido, embaixadas poderão ser estabelecidas tanto em La Paz quanto em Santiago, superando as atuais relações consulares. Espera-se que esse progresso, e o estabelecimento de laços fortes entre os dois países, tragam benefícios consideráveis ​​e mútuos para o Chile e a Bolívia, no contexto de um acordo necessário e viável.

Fonte: Pedro Oróstica Codoceo – Edición Cero

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