Novos corredores começam a redesenhar o mapa de investimentos do Paraguai e atrair mercado de SC
O avanço da Rota Bioceânica, projeto de integração logística que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, e de novos corredores rodoviários começa a mudar o mapa de investimentos do Paraguai. A expansão da infraestrutura cria novas conexões entre regiões produtoras, áreas industriais, fronteiras e portos, abrindo espaço para negócios que vão além do tradicional eixo econômico do país.
Para Jonathan Roger Linzmeyer, presidente da CN Mercosul, que mantém base em Santa Catarina e atua na conexão de empresários brasileiros com o ambiente de negócios paraguaio, a mudança altera os critérios usados pelas empresas na hora de escolher onde investir.
“Não estamos falando apenas de uma nova estrada. Quando colocamos no mesmo mapa o duplo grau de investimento, a expansão industrial, a Maquila, as novas pontes e os corredores logísticos, começa a aparecer uma nova geografia econômica dentro do Paraguai”, afirma Linzmeyer, que também é fundador e presidente do Grupo Linz, no Brasil.

Jonathan Roger Linzmeyer, presidente da CN MercosulFoto: Divulgação/ND Mais
Bioceânica cria novos eixos
Um dos principais projetos é a Rota Bioceânica, que conecta o Brasil ao Paraguai e cria uma futura ligação terrestre com Argentina e Chile. No lado paraguaio, a PY15 avança pelo Chaco a partir de Carmelo Peralta, na fronteira com Porto Murtinho (MS).
O primeiro trecho, entre Carmelo Peralta e Cruce Centinela, tem cerca de 174 quilômetros e foi concluído. Outro segmento, entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, soma aproximadamente 224 quilômetros e segue em execução.
Outros projetos também ampliam a malha logística, como a Ruta de la Leche, no Chaco, e a Ruta de la Integración (PY10), na Região Oriental.
“Durante muito tempo, a análise esteve concentrada principalmente em tributação e custos. Hoje entram com muito mais força logística, localização, matéria-prima, mercado, distribuição e acesso internacional”, afirma Linzmeyer.
Rota Bioceânica conecta o Brasil ao Paraguai e cria uma futura ligação terrestre com Argentina e ChileFoto: Divulgação/ND Mais
Santa Catarina acompanha movimento
A transformação também começa a ser observada por empresas catarinenses. Em agosto, executivos do Grupo Schulz participaram de uma agenda com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai para avaliar oportunidades relacionadas a uma possível instalação industrial no país.
A reunião fez parte de um processo de avaliação e não representou anúncio ou confirmação de investimento. A agenda foi conduzida por Linzmeyer por meio da CN Mercosul, com apoio institucional da Rediex.
Segundo o empresário, a nova infraestrutura amplia as possibilidades para empresas que analisam o Paraguai como parte de uma estratégia regional.
“Hoje o empresário precisa olhar para o Paraguai não apenas como um lugar onde pode reduzir custos, mas como parte de uma estratégia regional. A localização passa a ter um peso muito maior quando novos corredores começam a conectar áreas industriais, produtivas e logísticas.”
Executivos do Grupo Schulz participaram de uma agenda com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai para avaliar oportunidades relacionadas a uma possível instalação industrial no paísFoto: Grupo Schulz/Divulgação/ND Mais
Infraestrutura atrai novos negócios
O avanço das rodovias ocorre em paralelo ao novo cenário econômico do Paraguai. O país possui grau de investimento por duas das três principais agências internacionais de classificação de risco.
Na avaliação de Linzmeyer, infraestrutura e ambiente econômico formam uma combinação que pode estimular novos projetos industriais, logísticos e imobiliários.
“A grande oportunidade não é simplesmente ter caminhões atravessando o Paraguai. É conseguir transformar essa infraestrutura em indústria, logística, investimentos, empregos e desenvolvimento.”
A consolidação desses corredores ainda depende de fatores como integração das fronteiras, estrutura aduaneira, transporte e conexão com os portos. Mas a expansão da malha já começa a colocar novas regiões paraguaias no radar de investidores brasileiros.
Fonte: ND Mais

