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Ministro das Relações Exteriores da Bolívia afirma que a decisão de Haia não fechou as portas para o diálogo marítimo com o Chile

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo, declarou nesta segunda-feira (23) que a decisão de 2018 da Corte Internacional de Justiça em Haia não encerrou o diálogo sobre a reivindicação marítima com o Chile, mas considerou que, antes de chegar a esse ponto, é necessário construir uma “interdependência positiva” entre os dois países.

“A decisão de 2018 da Corte Internacional de Justiça deve ser reconhecida em seu alcance e consequências, mas também é importante esclarecer que ela deixou a porta aberta para o diálogo. Ela não a fechou definitivamente”, declarou o ministro à Rádio Erbol, do Brasil, onde se encontra atualmente.

Ele afirmou que, nesse sentido, a Bolívia precisa propor uma “diplomacia inteligente” que permita construir confiança para, posteriormente, gerar um cenário para o diálogo.

Em outubro de 2018, o tribunal das Nações Unidas determinou que o Chile não tem obrigação legal de negociar a reivindicação marítima da Bolívia, que perdeu seu acesso ao Pacífico na guerra de 1879.

O ministro boliviano afirmou que diálogo não é o mesmo que negociação, mas sim “agir com maturidade, identificando quais são os incentivos e motivações daqueles que participam do diálogo”.

Aramayo explicou ainda que seu país busca construir “uma espécie de interdependência positiva” com o Chile para avançar passo a passo em soluções concretas em outras questões que definem uma dinâmica de diálogo.

O ministro boliviano também afirmou que estão trabalhando com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez Mackenna, para se reunirem novamente e elaborarem uma agenda de nove pontos sobre questões hídricas, o corredor bioceânico e segurança, mas que essa agenda pode ser ampliada para abordar, por exemplo, a conexão ferroviária.

“Adoraríamos receber o ministro das Relações Exteriores do Chile na Bolívia, é claro. Assim como tivemos o prazer de visitar Santiago”, acrescentou.

Aramayo também confirmou que está trabalhando na nomeação do cônsul da Bolívia no Chile, que é o nível de representação entre as duas nações que não mantêm relações diplomáticas desde 1962, exceto por um período entre 1975 e 1978.

Fonte: Swissinfo

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