Federação Econômica afirma que existem investidores privados interessados em pavimentar a Agua Negra na Argentina
Após a 28ª reunião do Comitê de Integração do Paso de Agua Negra, realizada no Chile em 15 de dezembro de 2025, o setor privado de San Juan tomou a iniciativa de promover a conectividade binacional e incentivar a pavimentação do corredor internacional. Nesse contexto, a Federação Econômica de San Juan (FESJ) prevê avanços no financiamento nos próximos meses, permitindo que o projeto comece a tomar forma. Líderes empresariais consideram este projeto crucial para o desenvolvimento produtivo e logístico da província.
A informação foi confirmada por Daniel Milla, presidente da FESJ e representante da CAME, que declarou ao DIARIO HUARPE que o cronograma institucional ainda está em andamento. Ele explicou que reuniões e intercâmbios estão ocorrendo entre o setor empresarial e o setor público, com o objetivo de avançar na consolidação de uma passagem de fronteira com foco totalmente comercial. “Esses processos operacionais serão retomados em breve e aguardamos atualizações das regiões de San Juan e Coquimbo para avaliar o progresso realizado. Acredito que até o final de abril teremos um panorama mais claro e concreto em relação ao financiamento”, afirmou.
Segundo a líder, o desenvolvimento da mineração é um dos principais motores por trás desse tipo de projeto. “Com a mineração, a necessidade de outra saída para o Pacífico é iminente. Se a indústria de mineração precisar, os fundos certamente aparecerão. Dado o novo quadro de política econômica, entidades privadas ou as províncias devem assumir a responsabilidade e, como a província não pode fazer isso sozinha, será necessário buscar financiamento externo”, explicou Milla.
Nesse contexto, a pavimentação do Paso de Água Negra é considerada estratégica por múltiplos motivos. Sua proximidade, a aproximadamente 450 quilômetros de distância, reduziria os custos de exportação e geraria um impacto significativo no comércio e na logística regional. Milla enfatizou que, com a sua abertura, San Juan deixaria de ser uma cidade terminal e se tornaria um ponto de trânsito dentro de um corredor bioceânico. Isso facilitaria a passagem de cargas de outras províncias para o Pacífico e potencializaria experiências recentes de integração comercial, como o envio de produtos de San Juan para o Chile em dezembro de 2024, quando um carregamento de farinha cruzou esse passo após mais de 50 anos.
“Por exemplo, poderíamos ter a possibilidade de importar peixe fresco do porto de Coquimbo em vez de produtos congelados de Buenos Aires, além de impulsionar a exportação de produtos regionais como o azeite. Também está prevista a troca de outras mercadorias, o que ampliaria as oportunidades comerciais, turísticas e até mesmo imobiliárias”, destacou Milla.
No entanto, o progresso do projeto dependerá da resolução de questões técnicas e administrativas. Mesmo que o financiamento seja garantido pelo setor privado, o início da construção não será fácil, pois será necessário concluir diversos procedimentos administrativos e políticos, incluindo os binacionais, visto que o projeto envolve dois países. Experiências recentes com projetos de infraestrutura, como a pavimentação de trechos da Rodovia Nacional 40 ou as melhorias na Avenida Circunvalación, demonstram a complexidade desses processos, que exigem acordos entre diferentes níveis de governo.
Caso o projeto seja viabilizado por meio de investimento privado, também precisará passar por procedimentos formais em nível provincial. Nesse sentido, é possível que a iniciativa precise ser analisada pela Assembleia Legislativa de San Juan para aprovação, no âmbito dos necessários acordos entre os setores público e privado.
Fato
Em dezembro de 2024, o Paso de Água Negra registrou um evento histórico para a província: um carregamento de farinha produzida em San Juan cruzou para o Chile por meio desse corredor internacional, algo que não acontecia há mais de 50 anos.
Este marco abre uma importante alternativa comercial, pois permitiria uma redução nos custos logísticos em aproximadamente 450 quilômetros, impulsionaria as exportações locais, como o azeite, e facilitaria a entrada de produtos do porto de Coquimbo, como peixes, substituindo a transferência por Buenos Aires.
Fonte: Diario Huarpe

