FCAB destaca a solução ferroviária como fundamental para o Corredor Bioceânico
O gerente geral da Ferrovia Antofagasta-Bolívia (FCAB), David Fernández, afirmou na Exponor 2026 que o sucesso e a competitividade da rota internacional que ligará o Atlântico ao Pacífico dependerão da utilização das ferrovias diante da grande expansão da demanda de mineração no norte do país.
O Corredor Bioceânico, o megaprojeto de infraestrutura rodoviária e logística que conectará comercialmente Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, representa uma oportunidade histórica de desenvolvimento que transcende o âmbito dos transportes. No entanto, sua viabilidade econômica está atrelada ao desenvolvimento das ferrovias. “Se realmente queremos que o Corredor Bioceânico seja competitivo, a solução deve ser baseada no transporte ferroviário”, afirmou enfaticamente David Fernández.
Segundo o executivo, uma rede logística internacional eficiente e integrada servirá como motor definitivo para a criação de novas indústrias e cadeias de valor na Região de Antofagasta. “A logística viabiliza a indústria. Se conseguirmos importar matérias-primas de forma competitiva, também poderemos desenvolver processos produtivos e exportar produtos com valor agregado”, explicou Fernández, detalhando os motivos pelos quais a FCAB participa ativamente dos debates e grupos de trabalho técnicos relacionados à concepção dessa rota regional.
A eficiência do trem diante do crescimento do transporte de cargas na mineração
A necessidade de priorizar o transporte ferroviário ao longo desse corredor bioceânico baseia-se em sua capacidade de movimentar grandes volumes de carga por longas distâncias, otimizando custos operacionais e reduzindo o impacto ambiental. Em termos logísticos, a diferença de escala é drástica: enquanto um trem pode transportar mais de mil toneladas em uma única viagem, o transporte da mesma carga por rodovia exigiria dezenas de caminhões.
Essa vantagem estrutural será crucial para absorver o crescimento esperado nas atividades de mineração e logística na macrozona norte do Chile, onde os projetos em andamento têm o potencial de dobrar o volume de carga transportada pela FCAB na próxima década. Diante desse cenário, Fernández esclareceu que a ferrovia não busca substituir outros operadores, mas sim integrá-los: “O transporte ferroviário é muito mais eficiente em longas distâncias e para grandes volumes. Além disso, é um complemento natural ao transporte rodoviário, que apresenta vantagens na distribuição final”, explicou.
Segurança e tecnologia de ponta para o comércio internacional
Outro fator crucial destacado pelo executivo em defesa do transporte ferroviário para rotas internacionais é a segurança operacional. Ao circular exclusivamente em trilhos próprios, os trens eliminam os riscos inerentes ao transporte rodoviário. “As estatísticas mostram que os caminhões têm quase vinte vezes mais acidentes do que os trens por tonelada transportada”, explicou Fernández, tornando o transporte ferroviário o meio ideal para a movimentação em massa de minerais e suprimentos.
Por fim, o gerente-geral da FCAB rejeitou categoricamente a ideia de que a ferrovia seja uma alternativa obsoleta para os desafios do comércio exterior no século XXI, destacando a incorporação de tecnologia de ponta voltada para a produtividade e a sustentabilidade do corredor.
Atualmente, a empresa está implementando sistemas avançados para recuperar energia durante a frenagem e armazenar eletricidade em baterias. O marco mais impactante dessa modernização é o teste de uma locomotiva movida a hidrogênio e bateria, tornando a FCAB a primeira ferrovia na América do Sul — e uma das primeiras no mundo, juntamente com a China — a testar esse equipamento, que apresenta zero emissões diretas, ruído mínimo e vibração reduzida, para abastecer a indústria de mineração do futuro.
Fonte: Logística 360

