Desmontagem dos ‘Trens de Avanço’ marca nova etapa da Ponte Bioceânica
A construção da Ponte Internacional Bioceânica entrou em uma nova fase nesta terça-feira (11), com o início da desmontagem dos chamados “Trens de Avanço”, equipamentos que tiveram papel fundamental na execução da estrutura sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai.
Durante aproximadamente 20 meses, as estruturas foram utilizadas pelo Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidade Ltda., para conduzir e posicionar as aduelas que permitiram o avanço gradual da ponte a partir das duas margens. Os trabalhos chegaram a ser realizados a cerca de 35 metros acima da calha do rio.
A missão dos equipamentos ganhou um significado especial em 15 de julho, quando ocorreu o chamado “beijo das aduelas”, momento em que as duas frentes da ponte finalmente se encontraram sobre o Rio Paraguai. A união física da estrutura foi celebrada oficialmente no dia 23 de julho, em uma cerimônia que marcou uma das etapas mais simbólicas da implantação da Rota Bioceânica.
Com essa fase concluída, os Trens de Avanço começam agora a ser retirados da estrutura. Nesta quarta-feira (12), uma balsa chegou ao ponto central da ponte para dar continuidade ao recolhimento dos equipamentos, encerrando um ciclo que acompanhou praticamente toda a construção do trecho suspenso sobre o rio.
Os trabalhos foram conduzidos sob a liderança do engenheiro civil paraguaio Renê Gómez e de sua equipe técnica, com fiscalização dos engenheiros do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, entre eles Enciso, Pando, Rojas e Feliz Zelaya, além do acompanhamento de Pánfilo Benítez, executivo da Itaipu no lado paraguaio.
Mais do que uma etapa técnica da obra, a retirada das estruturas simboliza a proximidade da conclusão de uma ligação aguardada há anos pelos dois países. Onde antes estavam máquinas avançando metro a metro sobre o Rio Paraguai, permanece agora uma conexão física entre Brasil e Paraguai.
A Ponte Internacional Bioceânica é uma das principais estruturas do corredor que pretende integrar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e criar uma nova ligação entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Oceano Pacífico.
Para Porto Murtinho e Carmelo Peralta, a estrutura também representa uma transformação histórica na relação entre as duas margens. A retirada dos equipamentos evidencia que uma das etapas mais complexas da engenharia ficou para trás e que a ponte começa a assumir definitivamente sua forma sobre o Rio Paraguai.
Os Trens de Avanço deixam, assim, de fazer parte da paisagem após cumprirem a função para a qual foram instalados. As máquinas vão embora, mas permanece a obra que ajudaram a construir e que deverá se tornar um dos principais símbolos da integração sul-americana.
Fonte: Via Pantanal

