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Com a ponte da Rota Bioceânica quase pronta, Porto Murtinho recebeu R$ 132 milhões para virar porta de MS ao Pacífico

Desde 15 de julho, quando os dois lados da ponte se encontraram sobre o Rio Paraguai, Porto Murtinho deixou de ser fim de linha. A cidade de pouco mais de 17 mil habitantes, a 450 quilômetros de Campo Grande, está a um passo de virar o ponto de partida de um caminho por terra até o Oceano Pacífico, e é para essa virada que o governo de Mato Grosso do Sul diz ter direcionado R$ 132 milhões em obras de infraestrutura no município nos últimos quatro anos.

A ponte liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, e é a peça que faltava na Rota Bioceânica, corredor rodoviário que atravessa o Chaco paraguaio e o norte da Argentina até os portos do norte do Chile. Em setembro, a estrutura recebeu oficialmente o nome de Ponte Heitor Miranda dos Santos, em homenagem ao ex-prefeito que defendia o corredor desde os anos 1980.

Para o produtor e o industrial sul-mato-grossense, a rota funciona como uma saída pelos fundos de casa: em vez de a carga dar a volta pelos portos do Atlântico para chegar à Ásia, ela segue por estrada até o Pacífico, mais perto dos compradores chineses, japoneses e coreanos.

“Estamos olhando a Rota Bioceânica com carinho, já que vai fazer a conexão do Estado com Paraguai, Argentina e Chile, reduzindo a distância do Oceano Pacífico, rumo aos mercados asiáticos. Grandes oportunidades para exportação, importação de produtos, assim como turismo, lazer e cultura”, afirmou o governador Eduardo Riedel (Progressistas), que disputa a reeleição no domingo (4).

A fronteira tratada como vitrine, não como problema

A aposta do governo é mudar a forma como a faixa de fronteira é vista. “Fronteira não pode ser problema, e sim uma grande oportunidade ao Estado e ao Brasil”, disse Riedel.

Segundo o governo do Estado, os investimentos dos últimos quatro anos nos municípios fronteiriços se dividiram entre infraestrutura, tecnologia, segurança e saúde. Em Porto Murtinho, o foco foi preparar a cidade para o fluxo de caminhões, cargas e visitantes que deve chegar com a conexão internacional.

Ponta Porã aposta na qualificação dos jovens

A 300 quilômetros dali, Ponta Porã tenta ocupar outro espaço na nova economia da fronteira. Em março, a cidade inaugurou o Parque Tecnológico Internacional, com cerca de 1,6 mil metros quadrados, voltado a inovação, empreendedorismo e formação profissional, principalmente de jovens.

O espaço foi erguido com recursos do Fonplata, fundo de desenvolvimento dos países da Bacia do Prata, do governo federal, do Estado e da prefeitura, e reúne parceiros como a UEMS e o Senac. A ideia é que empresas, universidades e pesquisadores trabalhem lado a lado, gerando negócios e mão de obra qualificada na divisa com Pedro Juan Caballero.

“Destas formas abrimos grandes oportunidades econômicas e sociais para nossa fronteira”, afirmou o governador.

Segurança para atrair quem quer investir

O terceiro eixo é a segurança, condição para que empresas e transportadoras se sintam confiantes em usar o corredor. O governo informa ter aplicado R$ 275,4 milhões nas forças de segurança, com prioridade para inteligência e para o trabalho conjunto entre as polícias estaduais, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Receita Federal e as Forças Armadas.

O resultado aparece nas apreensões. No primeiro semestre de 2026, as forças de segurança tiraram de circulação 309,2 toneladas de drogas em Mato Grosso do Sul, 50% a mais que as 206 toneladas apreendidas no mesmo período de 2023.

Uma porta aberta para a integração

Somadas, as frentes desenham a estratégia do governo para a região: obras para receber a rota, formação de gente para trabalhar nela e segurança para que o comércio flua. Para cidades como Porto Murtinho e Ponta Porã, a expectativa é que a condição de fronteira, por muito tempo associada a isolamento, se transforme em vantagem, com novas atividades econômicas, empregos e integração com os vizinhos sul-americanos.

Fonte: A Crítica

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