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Com 60 mil m³ de concreto e torres de 125 metros, mais de três Cristos Redentores empilhados, a ponte da Rota Bioceânica ligou Porto Murtinho ao Paraguai sobre o Rio Paraguai

Quanto concreto é preciso para ligar dois países sobre o Rio Paraguai? Na Ponte Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Chaco paraguaio, foram mais de 60 mil metros cúbicos. A estrutura de 1.294 metros teve as duas metades unidas em julho de 2026. Ela é a peça central da Rota Bioceânica, o corredor rodoviário que vai conectar Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, no Chile.

Os números da Ponte Bioceânica em concreto, aço e estais

O volume de concreto passa de 60 mil metros cúbicos, segundo o balanço publicado em outubro de 2025 pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC). O mesmo relatório lista 1.020 toneladas de aço, 300 toneladas de aço para protensão e 680 toneladas de estais, os cabos que seguram o tabuleiro.

A base da obra também é grande: são 302 estacas, 52 blocos de fundação, 29 pilares e 176 vigas pré-moldadas, distribuídas em 22 vãos nos viadutos de acesso. As duas torres principais, chamadas de pilones, chegam a 125,42 metros de altura contados a partir da fundação, de acordo com o MOPC.

No desenho final, a ponte tem 1.294 metros de extensão, com trecho estaiado de 632 metros e vão central de 350 metros, como mostra a descrição oficial do projeto feita pelo MOPC. A pista terá duas faixas de 3,6 metros, acostamentos de 3 metros e espaço para pedestres e ciclistas. Sensores e estações meteorológicas vão monitorar a estrutura, segundo o informe do MOPC sobre a visita do presidente Santiago Peña.

Porque cada torre tem mais que o triplo da altura do monumento carioca. Segundo o Santuário Cristo Redentor, a estátua mede 30 metros e o pedestal tem 8, num total de 38 metros. Três Cristos empilhados somariam 114 metros, ainda abaixo dos 125,42 metros dos pilones da Ponte Bioceânica.

A abertura da Ponte Bioceânica ao tráfego depende da conclusão dos acessos rodoviários
A abertura da Ponte Bioceânica ao tráfego depende da conclusão dos acessos rodoviários – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Essa altura tem uma função. O vão central de 350 metros depende de torres altas para que os estais, presos em ângulo, sustentem o tabuleiro sem pilares no meio do canal. Segundo o MOPC, esse vão livre preserva a navegação no Rio Paraguai e deixa passar embarcações de grande porte.

Como a ponte foi construída sobre o Rio Paraguai?

A ponte foi erguida em balanço, peça por peça, a partir das duas torres. Cada pilone recebeu 42 aduelas, segmentos de concreto moldados no local com carros de avanço. Esses equipamentos pesam cerca de 47 toneladas e, no fim, foram baixados cerca de 30 metros até uma balsa, como detalhou o MOPC em agosto de 2026.

As duas metades se encontraram em 15 de julho de 2026. A concretagem da última aduela, que fechou o espaço entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, terminou por volta das 22h daquela quarta-feira, segundo a Agência IP, do governo paraguaio.

Porto Murtinho e Carmelo Peralta ganham passagem ao Pacífico

A ponte põe as duas cidades no caminho da Rota Bioceânica, a ligação por terra entre o Atlântico e o Pacífico. Pelas contas do MOPC, o corredor pode poupar cerca de 4.000 milhas náuticas e até 14 dias no transporte de cargas aos mercados do Pacífico. A obra custou cerca de US$ 103 milhões, pagos com recursos da margem paraguaia de Itaipu.

A Itaipu Paraguai, que financia a obra, publicou em seu canal oficial um vídeo sobre a Ponte Bioceânica entre Carmelo Peralta e Puerto Murtinho, como os paraguaios chamam a cidade. O registro, intitulado Puente Bioceánico sobre el Río Paraguay, é dedicado à travessia entre as duas margens.

A travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta recebeu financiamento da margem paraguaia de Itaipu
A travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta recebeu financiamento da margem paraguaia de Itaipu – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Acessos rodoviários ainda separam a ponte do tráfego liberado

A ponte está unida, mas a abertura ao tráfego depende das estradas que chegam até ela. Do lado paraguaio, os acessos em Carmelo Peralta somavam 23% de avanço no fim de agosto de 2026, segundo o MOPC. Aterros, drenagem e pontilhões ainda estavam em obra.

No Brasil, o acesso a Porto Murtinho tem 13,1 quilômetros e quatro pontes, uma delas com quase 700 metros, porque cruza uma área alagada. Os dados são da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS (Semadesc). A Receita Federal estima um fluxo inicial de 250 caminhões por dia quando a Rota Bioceânica começar a funcionar.

Se a ideia é ver de perto essas torres maiores que três Cristos, programe sua viagem a Porto Murtinho com calma. Antes de pegar a estrada, confirme nos canais oficiais do MOPC, do governo de Mato Grosso do Sul e da Receita Federal se a passagem já foi liberada e quais documentos são exigidos para cruzar a fronteira.

Fronteiras curiosas não faltam no mapa brasileiro. No extremo norte do país, um município faz divisa por terra com território francês.

Fonte: Midiamax

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