BR-267 à ponte sobre o Rio Paraguai e criar um corredor rodoviário do Brasil até portos do Chile
Uma nova obra rodoviária de R$ 472,4 milhões na BR-267/MS está transformando a logística brasileira ao criar a ligação terrestre entre o Centro-Oeste e os portos chilenos no Oceano Pacífico.
Por que a rodovia precisa de viadutos gigantescos sobre o solo do Pantanal?
Construir uma estrada em região de várzea alagável é como apoiar um peso sobre uma esponja encharcada. Se o asfalto for assentado direto na terra mole, o peso dos rodotrens faz a pista afundar rapidamente, gerando deformaçoes na estrutura.
Para evitar o afundamento no solo argiloso, a engenharia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) projeta aterros elevados e viadutos em concreto protendido apoiados em estacas profundas. Essa solução distribui o peso dos eixos pesados e mantém a pista imune às cheias sazonais do Rio Paraguai.

Quais são as dimensões e especificações técnicas da nova rota bioceânica?
A implantação do contorno rodoviário e do acesso à fronteira reúne obras de arte especiais, pavimentação reforçada e um complexo aduaneiro unificado para organizar o fluxo de cargas do Mercosul.
Investimento total aprovado: R$ 472,4 milhões investidos pelo Governo Federal na execução do lote 1 de acesso viário na BR-267/MS.
- Extensão da nova rodovia: 13,1 quilômetros de pista totalmente nova construída entre o km 678,1 e o km 691,2.
- Viaduto de transposição no varjão: extensão de quase 700 metros em estrutura elevada para cruzar a área alagadiça.
- Extensão da ponte internacional: 1.294 metros de comprimento total sobre o Rio Paraguai com vão central estaiado.
- Centro Integrado de Controle de Fronteira: complexo de fiscalização alfandegária em cabeceira única entre Brasil e Paraguai.
Como funciona a travessia contínua de cargas entre o Brasil e os portos do Chile?
Os caminhões vindos das regiões produtoras de grãos e carnes entram no contorno de Porto Murtinho sem passar pela cidade. O tráfego segue diretamente para o posto alfandegário, onde a fiscalização integrada libera a documentação de exportação.
Em seguida, o veículo cruza o Rio Paraguai pela travessia estaiada e ingressa na Rota PY15, cruzando o Chaco paraguaio até a Argentina e os portos de Iquique e Antofagasta, no Chile. Esse fluxo contínuo reduz custos operacionais e acelera a chegada dos produtos à Ásia.
| MÉTRICA LOGÍSTICA | ROTA TRADICIONAL (CANAL DO PANAMÁ) | CORREDOR BIOCEÂNICO (VIA PORTO MURTINHO) |
|---|---|---|
| Cerca de 22.000 km contornando a América do Sul ou cruzando o Panamá | Aproximadamente 10.000 km partindo direto do Oceano Pacífico | |
| 40 a 45 dias em navios cargueiros | 26 a 30 dias no trajeto combinado rodoviário e marítimo | |
| Longos trechos saturados até os portos de Santos ou Paranaguá | Acesso expresso de 13,1 km na BR-267/MS com contorno urbano em Porto Murtinho |
Como está o avanço das obras da Ponte Internacional e do seu sistema de acessos?
As equipes do consórcio construtor avançam na superestrutura do vão principal da Ponte Internacional Bioceânica e no içamento das vigas pré-moldadas dos viadutos de acesso nas duas margens.
A sincronização dos trabalhos entre a ponte e as obras rodoviárias do DNIT garante que a infraestrutura de pavimentação, drenagem e sinalização fique pronta para receber os comboios de carga pesada.
Abaixo, um vídeo do Eng. Wilson Junior (YouTube) que aprofunda o tema:
Quais normas técnicas de engenharia garantem a segurança e a durabilidade das estruturas?
O dimensionamento dos viadutos e da ponte obedece rigorosamente às diretrizes da ABNT NBR 7187, norma brasileira para projeto de pontes de concreto armado e protendido. O texto estabelece parâmetros contra cargas móveis extremas e impacto de barcaças no canal de navegação.
Na pavimentação do acesso, aplica-se a norma DNIT 049/2013-ES, utilizando concreto asfáltico usinado a quente modificado por polímeros. Esse asfalto reforçado suporta a frenagem contínua de carretas sem formar trilhos de roda ou deformações plásticas no calor da região.

Quando a presença de um engenheiro geotécnico é indispensável em obras de grande porte?
Intervenções em solos moles e fundações molhadas exigem a supervisão permanente de um engenheiro geotécnico e de um engenheiro de estruturas. Esses profissionais analisam ensaios de sondagem para determinar o comprimento e a cravação das estacas subterrâneas.
Tentar executar escavações ou aterros de grande porte sem projeto assinado por um engenheiro civil especialista em infraestrutura viária compromete a estabilidade da via e pode causar desmoronamentos. A análise precisa do solo garante que a rodovia suporte décadas de tráfego intenso.
Fonte: UAI

