Rose Modesto relembra papel na consolidação da Rota Bioceânica e destaca legado de integração regional
A conclusão da ligação estrutural da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), representa um marco na integração sul-americana e também resgata a trajetória de lideranças que participaram das primeiras articulações para transformar o projeto em realidade. Entre elas está a ex-vice-governadora de Mato Grosso do Sul, ex-deputada federal e primeira mulher a comandar a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Rose Modesto.
Ao relembrar sua participação nas etapas decisivas da implantação do corredor, Rose destacou que sempre acreditou no potencial estratégico da Rota Bioceânica para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e do Centro-Oeste brasileiro.
“Eu sempre acreditei no potencial da Rota Bioceânica, porque os estudos técnicos já demonstravam a importância desse corredor para o desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro. Estamos falando de encurtar cerca de 5.479 quilômetros no transporte marítimo até a Ásia e reduzir entre 12 e 17 dias o tempo de viagem em relação à rota tradicional pelo Oceano Atlântico e pelo Canal do Panamá”, afirmou.
Segundo ela, embora o projeto tenha enfrentado inúmeros desafios ao longo dos anos, sua evolução demonstra a importância da cooperação entre os países envolvidos.
“Nós estamos falando de um projeto internacional que envolve diferentes governos, legislações, investimentos e muita articulação diplomática. O que mais me impressiona é ver como a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile amadureceu ao longo de todos esses anos. Hoje existe uma compreensão muito maior de que esse corredor beneficia todos os países envolvidos, fortalecendo a economia regional, ampliando a competitividade e aproximando ainda mais os nossos povos.”
Participação desde as primeiras articulações
Rose Modesto acompanhou momentos importantes da consolidação da Rota Bioceânica durante sua atuação como vice-governadora de Mato Grosso do Sul.
Em 2017, representou o Governo do Estado em um seminário realizado em Brasília sobre o Corredor Bioceânico, ocasião em que defendeu a construção da ponte sobre o Rio Paraguai como condição fundamental para a concretização do projeto.
No ano seguinte, participou da cerimônia realizada na Usina de Itaipu, quando os presidentes Michel Temer e Mario Abdo Benítez assinaram a declaração conjunta que autorizou oficialmente a construção da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
Para Rose, aquele momento representou um divisor de águas.
“Até então existia um grande projeto, mas ainda dependíamos dos entendimentos diplomáticos entre os dois países para que ele pudesse realmente avançar. A assinatura daquele acordo representou a superação de uma etapa decisiva e mostrou que, quando há diálogo e cooperação, é possível transformar grandes ideias em realidade. Para Mato Grosso do Sul significou abrir definitivamente as portas para uma nova posição estratégica no cenário logístico da América do Sul.”
Da expectativa à realidade
Com a conclusão da ligação estrutural da ponte, Rose considera que o corredor internacional ultrapassou definitivamente a fase do planejamento.
“É muito gratificante ver, eu que acompanhei desde as primeiras articulações, chegar a esse projeto tão perto da conclusão. A ligação estrutural histórica da ponte demonstra que políticas públicas estruturantes precisam de continuidade e compromisso, independentemente dos governos. A Rota Bioceânica deixou de ser uma expectativa e passou a ser uma grande realidade.”
Ela ressalta que a ponte ultrapassa seu significado como obra de engenharia.
“Hoje a ponte simboliza desenvolvimento, integração entre os países e novas oportunidades para Mato Grosso do Sul. A história mostra que grandes transformações acontecem quando existe capacidade de diálogo, visão de futuro e continuidade das políticas públicas. A Rota Bioceânica é uma conquista construída por muitas mãos e fico muito feliz por ter participado desse processo desde o início.”
Competitividade e desenvolvimento
Durante a entrevista, Rose relembrou que, desde o início das discussões, a proposta sempre foi posicionar Mato Grosso do Sul como protagonista da logística continental.
“Naquele momento nós já tínhamos convicção de que Mato Grosso do Sul precisava olhar além das fronteiras e aproveitar sua localização estratégica. A ponte era muito mais do que uma obra de engenharia. Ela representava a oportunidade de integrar o Estado aos grandes corredores internacionais de comércio. Reduzir a distância até os portos do Pacífico significaria mais competitividade para o agronegócio, para a indústria, para o comércio e, principalmente, novas oportunidades de desenvolvimento para todos os sul-mato-grossenses.”
Segundo ela, trata-se de um investimento pensado para o futuro.
“Era um projeto pensado para as próximas gerações e que tem capacidade de transformar a posição do Mato Grosso do Sul no cenário econômico da América do Sul.”
Visão para a próxima década
Ao projetar os impactos da Rota Bioceânica nos próximos anos, Rose acredita que o Estado deverá consolidar sua posição como um dos principais centros logísticos do continente.
“Daqui a dez anos imagino Mato Grosso do Sul ainda mais forte do ponto de vista econômico, consolidado como um dos principais centros logísticos da América do Sul. São cerca de 2.396 quilômetros de corredor rodoviário ligando Campo Grande aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile. É uma nova alternativa aos portos do Atlântico, capaz de atrair investimentos, gerar empregos, fortalecer a indústria, ampliar o turismo e criar oportunidades para quem vive aqui.”
Ela acrescenta que os benefícios da integração vão além da logística.
“A Rota Bioceânica vai transformar a logística, mas também impulsionar o comércio, a inovação, os serviços e o desenvolvimento regional. Ela conecta Mato Grosso do Sul aos mercados internacionais e coloca nosso Estado em uma posição privilegiada para crescer de forma sustentável.”
O próximo desafio
Apesar do avanço da infraestrutura, Rose ressalta que o sucesso do corredor dependerá da conclusão das obras complementares e da eficiência operacional dos países envolvidos.
“As grandes obras não terminam na inauguração. Ainda é preciso consolidar todo o complexo de acessos rodoviários e as aduanas. É a partir daí que elas começam a mostrar seu verdadeiro valor, quando passam a gerar riqueza, emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para as pessoas. É isso que eu espero da Rota Bioceânica: que ela realmente seja um instrumento de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul e de melhoria na vida de quem mora aqui.”
Com a conclusão da estrutura da ponte e o avanço das obras de acesso, o corredor bioceânico entra em sua etapa final de implantação. A expectativa agora recai sobre a conclusão dos sistemas rodoviários e aduaneiros, considerados fundamentais para que a rota opere plenamente e cumpra a promessa de transformar Mato Grosso do Sul em uma das principais portas de integração entre o Atlântico e o Pacífico.

