Novo mapeamento internacional revela andamento de obras e gargalos no Corredor Bioceânico
O avanço das obras físicas e das negociações aduaneiras do Corredor Bioceânico de Capricórnio ganhou uma nova ferramenta de monitoramento público. O Centro Regional de Pesquisa em Logística (CILOG), ligado à Universidad Católica del Norte, no Chile, publicou o seu segundo Boletim Semanal detalhando o andamento do megaprojeto de integração sul-americana.
O relatório técnico — financiado pelo Governo Regional de Antofagasta por meio do Fundo Regional para Produtividade e Desenvolvimento (F.R.P.D.) — consolida dados sobre infraestrutura de transporte, segurança de fronteira, dinâmica comercial e desenvolvimentos institucionais nos quatro países que compõem o traçado original da rota (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile).
O fator Bolívia: tentativa de inserção no traçado comercial
O principal destaque geopolítico do levantamento aponta para a tentativa de ampliação da rota comercial. A Câmara Nacional de Comércio da Bolívia (CNC) revelou que o governo do Brasil avalia a inclusão do país vizinho no corredor internacional que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico.
A discussão, que ganhou força após reuniões bilaterais na recente cúpula do Mercosul, esbarra na necessidade de maior segurança jurídica. Segundo representantes do comércio boliviano, o país precisa de leis que assegurem de forma efetiva o livre trânsito pelas principais rodovias nacionais, reduzindo barreiras físicas e burocráticas.
Paralelamente, o governo boliviano corre por fora para estruturar suas próprias ligações. Foi anunciado um pacote de investimentos de aproximadamente US$ 300 milhões garantidos para o chamado Corredor Bioceânico Central Sul, voltado à pavimentação e estudos de engenharia em trechos rodoviários estratégicos.
Articulação comercial e inclusão social em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul segue como o principal polo de debate aduaneiro do Corredor Bioceânico de Capricórnio no lado brasileiro. Em Campo Grande, a rodada de negócios Tarapacá Day MS Brasil reuniu lideranças locais e representantes da Zona Franca de Iquique (ZOFRI), do Chile.
O encontro teve como foco apresentar as vantagens fiscais do porto chileno para o escoamento de grãos e carne sul-mato-grossenses ao mercado asiático.
Além da pauta econômica, a rota avança em aspectos sociais. O projeto “Vozes da Rota” reuniu cerca de 60 representantes de seis etnias indígenas de Mato Grosso do Sul (Terena, Kadiwéu, Atikum, Guarani, Guarani Kaiowá e Kinikinau) para garantir a participação de comunidades tradicionais e povos originários no planejamento e nos impactos socioambientais da implantação da rota rodoviária.
Conexão Argentina-Chile: encurtando caminhos para a Ásia
No extremo oeste do continente, os projetos de engenharia civil começam a ganhar novos cronogramas. Os governos de Neuquén, na Argentina, e do Biobío, no Chile, retomaram os projetos executivos para a pavimentação de trechos rodoviários que conectam as duas regiões por meio do Paso Pichachén.
A viabilização dessa rota visa ligar a Bacia de Vaca Muerta (polo de gás e petróleo argentino) diretamente aos portos de Talcahuano e Huachipato, no Chile. Como Neuquén geograficamente está mais próxima dos portos chilenos do que dos terminais do Oceano Atlântico, a rota promete baratear custos logísticos e reduzir significativamente o tempo de viagem das exportações sul-americanas rumo ao mercado asiático.
Fonte: RCN 67

