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Primeiro sinal verde do novo governo chileno para o Paso de Agua Negra: pavimentação sim, túnel não

Pela primeira vez desde que o novo governo chileno assumiu o poder, uma autoridade nacional abordou publicamente o futuro do 
Paso de Agua Negra, um dos projetos estratégicos para a ligação entre San Juan e a Quarta Região de Coquimbo.

No entanto, a mensagem veio com nuances: embora o corredor volte à agenda, o projeto histórico do túnel binacional perde centralidade e uma alternativa mais austera, baseada na pavimentação da estrada existente, ganha terreno.

Quem falou sobre o assunto foi o Subsecretário de Obras Públicas do Chile, Nicolás Balmaceda, durante uma visita à Região de Coquimbo, onde participou de atividades relacionadas a diversas obras de infraestrutura.

Nicolás Balmaceda. (Foto: jornal El Día)
Nicolás Balmaceda. (Foto: jornal El Día)

O peso da mineração

Questionado pelo jornal El Día sobre o futuro do Túnel de Agua Negra — um projeto rodoviário que está atrasado há anos — o representante do governo de José Antonio Kast indicou que se trata de um projeto que precisa ser “analisado a fundo”, levando em consideração o contexto atual. Especificamente, ele se referiu à crescente importância da mineração, com diversos projetos de cobre de grande porte na província de San Juan.

“Hoje sabemos que existe uma produção mineira significativa na Argentina, cujos concentrados poderiam ser exportados pelos portos da região, portanto, tudo isso exige uma dupla perspectiva”, disse ele, de acordo com o jornal chileno.

No entanto, Balmaceda também destacou as dificuldades técnicas e econômicas do túnel, descrevendo-o como um projeto “muito desafiador”, tanto por causa de sua altitude — mais de 4.500 metros — quanto por sua extensão de cerca de 14,5 quilômetros.

Uma alternativa sem túnel

A informação mais relevante foi a confirmação de que o governo chileno já está analisando uma opção alternativa: prosseguir com a ligação rodoviária sem a necessidade de construir o túnel.

“A possibilidade de concluir a rede rodoviária sem um túnel foi estudada, o que poderia ser uma alternativa para reduzir custos e permitir que o projeto avance. Essa opção está atualmente em análise”, explicou o subsecretário.

A definição marca uma mudança de foco em relação ao projeto original, que propunha dois túneis paralelos como peça central do corredor bioceânico.

Um projeto com história e contratempos

O projeto do Túnel de Água Negra ganhou impulso significativo entre 2014 e 2016, quando a Argentina e o Chile avançaram em acordos bilaterais, aprovaram o projeto em seus respectivos parlamentos e criaram a entidade implementadora (EBITAN), ficando à beira de uma licitação internacional.

No entanto, durante o segundo governo de Sebastián Piñera, a iniciativa foi desativada e nunca mais teve um roteiro claro.

Mesmo na administração anterior, a então Ministra das Obras Públicas, Jessica López, já havia deixado claro que o túnel não era uma prioridade, embora a necessidade de melhorar a conectividade fronteiriça na região fosse.

O que isso significa para San Juan?

O novo posicionamento do Chile reacendeu as expectativas em San Juan. A possibilidade de um corredor internacional totalmente pavimentado voltou a ser discutida, mas em um formato diferente daquele que a província historicamente promoveu.

A alternativa de prosseguir com a pavimentação e melhorias no trajeto, sem o túnel, poderia acelerar os cronogramas e reduzir os custos, num momento em que a obtenção de financiamento para o megaprojeto do túnel parece distante.

Fonte: Tiempo de San Juan

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