Alejandro Marenco apresentou os desafios estratégicos do Corredor Bioceânico no Chile
O Secretário Executivo da Agência Provincial do Corredor Bioceânico de Capricórnio referiu-se à necessidade de modernização tecnológica e unificação dos sistemas e regulamentos internacionais.
O Secretário Executivo da Agência Provincial do Corredor Bioceânico de Capricórnio, Alejandro Marenco, alertou que o crescimento do transporte de mercadorias pelo Paso Jama exige modernização tecnológica e a unificação de sistemas interoperáveis e regulamentações internacionais que atualmente estão “ultrapassadas”.
O Corredor Bioceânico de Capricórnio encontra-se num ponto de viragem, em que a infraestrutura física já não é o único obstáculo. Durante a sua recente participação numa reunião organizada pela Câmara Chilena da Construção, Alejandro Marenco, chefe da Agência Provincial do Corredor Bioceânico, delineou um roteiro crucial centrado em três áreas-chave: governação, segurança e interoperabilidade.
Embora o fluxo comercial seja uma realidade tangível e crescente, Marenco destacou que existem “aspectos intangíveis” burocráticos e legislativos que atuam como entraves ao desenvolvimento regional.
O desafio da “Governança Forte”
Para o representante de Jujuy, a construção de uma governança institucional continua sendo a principal questão pendente. Marenco enfatizou que, embora províncias como Jujuy e Salta trabalhem de forma complementar com outros estados subnacionais no Brasil, Paraguai e Chile, as decisões fundamentais dependem das capitais nacionais (Buenos Aires, Brasília, Assunção e Santiago). “A legislação atual tem 20 anos. O corredor agora opera em condições modernas, mas com regulamentações de outra época. Tudo permanece meramente retórico ou baseado em letras mortas da legislação”, afirmou Marenco.
Pontos principais da alegação:
• Sistemas interoperáveis: É urgente que os controles de segurança, alfândega, imigração e saúde sejam interligados digitalmente para evitar atrasos.
• Regime TIR: Deve ser utilizado o acordo internacional que permite o trânsito de mercadorias seladas através dos controles de fronteira, sistema ao qual o Brasil aderiu recentemente.
• Escalabilidade do transporte: Jujuy vem propondo a unificação dos pesos e dimensões dos caminhões há dois anos, visto que a atual disparidade legislativa gera interpretações arbitrárias nas estradas.
Infraestrutura e o valor estratégico de Jama
Embora as obras na estrada sejam motivo de preocupação — especialmente devido aos cortes orçamentários no Paraguai e no Brasil para obras ao longo da rota do Corredor Bioceânico — Jujuy, por meio da Diretoria Provincial de Estradas, iniciará a manutenção do trecho Quebrada de Mal Paso – Susques até o Paso Jama da Rodovia Nacional 52, a espinha dorsal do Corredor Bioceânico que atravessa o território de Jujuy.
As estatísticas apresentadas por Marenco não só justificam a demanda, como também exigem uma resposta imediata das agências nacionais em relação aos investimentos. O representante destacou que o transporte de mercadorias pelo Paso Jama registrou um aumento exponencial de quase 7.000 caminhões entre 2024 e 2025, número que consolida a posição de Jujuy como o polo logístico estratégico do Cone Sul.
A este respeito, Marenco destacou duas vantagens competitivas que posicionam Jama acima de outras alternativas de montanha:
Alta eficiência operacional anual: Enquanto a passagem de Cristo Redentor (Mendoza) sofre interrupções de até 120 dias por ano, a Jama permanece operacional na maior parte do tempo, fechando apenas 35 dias por ano devido a fatores climáticos.
Conectividade estratégica: Consolida-se como a principal rota do norte argentino para o comércio com a região Ásia-Pacífico e toda a costa oeste do continente americano, do Canadá e dos Estados Unidos ao México.
Investimento tecnológico
O Paso Jama precisa urgentemente do mesmo nível de investimento tecnológico que o novo complexo de La Quiaca, incluindo scanners de última geração.
“Precisamos que Buenos Aires entenda que este é o segundo corredor comercial mais importante entre a Argentina e o Chile”, concluiu o funcionário, destacando também o progresso local no Parque Industrial Perico e outros pontos de serviço planejados para fortalecer a logística de cargas no território de Jujuy.
Fonte: Las 24 Horas de Jujuy

