PortosRio negocia acesso à MRS para viabilizar escoamento via Itaguaí
A PortosRio conduz estudos para transformar o Porto de Itaguaí em uma alternativa para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. A consolidação da nova rota, porém, depende de um acordo para o uso da malha ferroviária da MRS, especialmente na conexão, em Três Rios, entre a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e os trilhos que seguem até o complexo portuário.
A proposta foi apresentada pelo diretor-presidente da PortosRio, Flávio Vieira. Segundo ele, a intenção não é substituir o Porto de Santos, mas ampliar a capacidade logística diante do crescimento da produção nacional.
Atualmente, parte significativa das cargas originadas em regiões como Rio Verde segue pela Ferrovia Norte-Sul e pela Malha Paulista até Santos. Na rota em estudo para Itaguaí, os produtos também utilizariam a Norte-Sul, mas seriam transferidos para a FCA e, posteriormente, para a malha da MRS.
“O principal entrave está no trajeto ferroviário, na transição entre a FCA e a malha da MRS, em Três Rios, de onde a carga seguiria para o Porto de Itaguaí”, explicou Vieira.
Segundo o executivo, a PortosRio mantém diálogo com a concessionária para viabilizar novos contratos de uso da ferrovia. A definição dessas condições é considerada essencial para garantir previsibilidade aos embarcadores e tornar a rota competitiva frente aos corredores já consolidados.
Entre os diferenciais de Itaguaí estão o calado, a ampla retroárea e a disponibilidade para expansão. Vieira também destacou a menor incidência de filas para atracação e para entrada de caminhões.
A estratégia é captar principalmente o crescimento adicional da produção de grãos, sem necessariamente deslocar volumes hoje direcionados a Santos. A avaliação é que a expansão da safra exigirá uma rede logística mais diversificada.
“Nosso objetivo é atuar de forma complementar. Com o crescimento recorde do agronegócio, a demanda aumenta ano a ano, e queremos absorver parte desse avanço”, afirmou.
O diretor de Operações da Autoridade Portuária de Santos, Beto Mendes, também defendeu a integração entre os portos brasileiros. Para ele, o aumento das cargas exige uma visão sistêmica da infraestrutura.
“Não vejo os portos do Sudeste, do Arco Norte ou a Rota Bioceânica como concorrentes de Santos, mas como complementares. Sem planejamento estratégico, o sistema pode entrar em colapso”, disse.
Mendes ressaltou que Santos ainda possui projetos de expansão, como o aprofundamento do canal, ampliação da área portuária, novas estruturas de atracação e investimentos na ferrovia interna.
Ele citou como exemplo o crescimento da Cofco, que passou de três milhões para uma previsão de seis milhões de toneladas em quatro anos, com potencial de chegar a 14 milhões anuais após a conclusão dos investimentos.
Mesmo com esses projetos, a avaliação é que a produção do Centro-Oeste exigirá novas alternativas logísticas. Nesse cenário, Itaguaí surge como opção com estrutura disponível, mas ainda precisa superar o gargalo ferroviário para se consolidar como rota regular de exportação.
Fonte: Portal Be News

