Milei atrasa a construção da ponte sobre Pozo Hondo e compromete o progresso do Paraguai na rota bioceânica
A tensão diplomática entre Brasil e Argentina já começa a preocupar o governo de Santiago Peña, que busca avançar com o projeto do Corredor Bioceânico, sem encontrar apoio de Javier Milei e em meio a atritos com Lula da Silva sobre comentários a respeito da Guerra da Tríplice Aliança.
O presidente argentino ainda não deu sinal verde para a ponte que está planejada para ligar Misión La Paz (Salta) a Pozo Hondo (Boquerón), mas também não há notícias sobre as obras complementares da ponte entre Carmelo Peralta (Alto Paraguai) e Porto Murtinho (Mato Grosso do Sul), embora a estrutura principal já esteja construída.
A verdade é que o destino do Corredor Bioceânico também preocupa o Chile, o outro país envolvido. De fato, o ministro das Relações Exteriores chileno, Francisco Pérez Mackenna, reuniu-se esta semana com seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, para salvaguardar o projeto contra quaisquer fatores políticos que possam prejudicar o objetivo de conectar os oceanos Atlântico e Pacífico.
O Paraguai ficará responsável pela construção da ponte que Milei se recusa a financiar, ligando Pozo Hondo à Argentina
O encontro ocorreu no âmbito da comissão bilateral Chile-Brasil, mecanismo criado justamente para acelerar o Corredor Bioceânico e monitorar o desenvolvimento de obras prioritárias.
Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores tem pressionado Itamaraty para que avance com o acesso rodoviário à ponte Carmelo Peralta-Porto Murtinho, um passo fundamental para a integração física da região, cuja estrutura principal já está concluída.

“Eles estão um pouco atrasados. Eles têm 13 quilômetros de via de acesso, enquanto nós concluímos 3,8 quilômetros. No entanto, eles só atingiram 35% de conclusão, quando a ponte já está entrando em sua fase final”, disse Julio Ríos, diretor de Planejamento Rodoviário do Ministério de Obras Públicas e Comunicações, à LPO.
Com relação à fronteira com a Argentina, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) apresentou os estudos de viabilidade para a ponte sobre o rio Pilcomayo. O processo aguarda resposta da administração Milei para definir a localização da estrutura que permitirá a passagem de Misión La Paz, no lado argentino, para Pozo Hondo, no Paraguai.
Em abril, Peña anunciou que o Estado paraguaio assumiria o financiamento integral da construção da ponte, possivelmente por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM). O presidente havia solicitado a Lula que contribuísse com mais recursos para o FOCEM durante a última cúpula de líderes do bloco em Luque, mas a crise entre Brasil e Argentina pode frustrar os planos do Paraguai.
Peña aposta na cautela para não se envolver na guerra entre Lula e Milei
A prioridade do governo Peña é reabrir a ponte para o Brasil, embora a deterioração das relações entre os dois maiores parceiros do Mercosul e o impasse com Lula sobre seu revisionismo histórico alimentem temores de que o Brasil possa desacelerar os investimentos estratégicos. O governo também aponta para as eleições brasileiras, nas quais o líder do PT busca a reeleição, o que poderia levar à paralisação das obras relacionadas ao Corredor Bioceânico.
Fonte: Política Online

