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Hidrovia e Malha Oeste são complementares para o desenvolvimento sustentável de MS, afirma Jaime Verruck

Durante palestra realizada na tarde desta sexta-feira (12), na sede do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS), em Campo Grande, o ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, abordou os impactos da Rota Bioceânica sobre o mercado imobiliário sul-mato-grossense. Após o evento, concedeu entrevista exclusiva ao Rota Bioceânica News para comentar dois temas estratégicos para o desenvolvimento logístico do Estado: a concessão da Hidrovia Paraguai-Paraná e a revitalização da Ferrovia Malha Oeste.

Segundo Verruck, o primeiro aspecto que precisa ser compreendido pela sociedade é que a hidrovia já existe e opera há décadas, sendo utilizada para o transporte de minérios, soja, farelo, combustíveis e contêineres entre Brasil, Bolívia e Paraguai. “A hidrovia já está sendo utilizada. Muitas pessoas têm a impressão de que será criada uma nova hidrovia, mas ela já existe e opera normalmente com grande volume de cargas”, afirmou.

Atualmente, o sistema conta com portos em Corumbá, Porto Esperança, Porto Murtinho e também estruturas bolivianas que utilizam o Rio Paraguai como importante corredor logístico. Para Verruck, a proposta em discussão não se refere à criação de uma nova via navegável, mas sim à modernização e organização do sistema por meio da primeira concessão hidroviária do país.

Ele compara o processo ao modelo já adotado nas rodovias brasileiras. “O que está sendo proposto é melhorar a qualidade de uso da hidrovia, com sinalização adequada, monitoramento permanente e intervenções pontuais que permitam uma navegação mais segura e eficiente”, explicou.

Segurança e monitoramento

Entre as melhorias previstas estão a implantação de sistemas de balizamento para navegação noturna, monitoramento do tráfego e intervenções em pontos específicos de assoreamento que atualmente dificultam a passagem das embarcações.

De acordo com Verruck, em diversos trechos as barcaças precisam reduzir sua capacidade operacional ou até mesmo realizar manobras complexas devido ao acúmulo de sedimentos. “Hoje existem pontos onde as embarcações precisam ser desmembradas para atravessar áreas mais rasas. Isso gera impactos ambientais e operacionais. A proposta é justamente permitir que a navegação ocorra de forma mais fluida e segura”, destacou.

Estudos ambientais já foram realizados

Questionado sobre a necessidade de novos estudos ambientais antes da concessão, Verruck afirmou que os levantamentos técnicos existentes já demonstram a viabilidade ambiental do projeto. Segundo ele, as intervenções previstas possuem limites rigorosamente estabelecidos e não alteram a dinâmica hidrológica do Pantanal. “Os estudos já foram realizados e demonstram que as intervenções previstas não alteram o pulso de inundação, não aprofundam o canal de navegação além do previsto e não aceleram o fluxo das águas. O impacto ambiental previsto é considerado reduzido”, explicou.

O ex-secretário ressaltou ainda que a concessão permitirá maior controle sobre a operação da hidrovia, inclusive com monitoramento contínuo do volume transportado, da navegação e das condições ambientais. “Se não houver a concessão, a navegação continuará acontecendo. A diferença é que teremos menos controle e menos investimentos em segurança e monitoramento”, observou.

Hidrovia e ferrovia caminham juntas

Outro ponto destacado por Verruck foi a complementaridade entre a Hidrovia Paraguai-Paraná e a Ferrovia Malha Oeste, frequentemente tratadas como projetos concorrentes.

Na avaliação do ex-secretário, os dois modais possuem funções distintas e estratégicas dentro da logística sul-mato-grossense. “Uma coisa não elimina a outra. São mercados diferentes. A Malha Oeste atende principalmente ao mercado interno, enquanto a hidrovia tem forte vocação para o comércio exterior”, afirmou.

Ele citou como exemplo os investimentos previstos pela mineradora LHG Mining, que anunciou aportes superiores a R$ 1,2 bilhão na modernização do terminal de Porto Esperança.

A proposta inclui a conexão ferroviária entre Corumbá e Porto Esperança, reduzindo significativamente o fluxo de caminhões que atualmente atravessam áreas urbanas e comunidades da região. “Com a integração entre ferrovia e hidrovia, teremos menos acidentes, menos atropelamentos, menos poeira e uma melhora significativa na qualidade de vida das populações locais”, destacou.

Competitividade e sustentabilidade

Para Verruck, a combinação entre os modais ferroviário e hidroviário representa uma das principais oportunidades para aumentar a competitividade do minério produzido em Corumbá e fortalecer a logística de exportação do Estado.

Ele lembrou que a concessão da Malha Oeste está prevista para avançar ainda este ano e considera fundamental que os investimentos ferroviários ocorram paralelamente aos investimentos hidroviários. “O impacto conjunto desses modais é muito menor do que o impacto do transporte rodoviário. Se todo esse volume de carga tivesse que ser transportado por caminhões, os impactos sobre as rodovias e sobre as comunidades seriam muito maiores”, avaliou.

Ao final da entrevista, Verruck reforçou que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental não são objetivos incompatíveis. “Defendemos a realização de avaliações ambientais, a participação das comunidades e o acompanhamento técnico permanente. Mas entendemos que a hidrovia e a ferrovia são instrumentos fundamentais para promover desenvolvimento sustentável, competitividade e preservação ambiental no Mato Grosso do Sul”, concluiu.

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