Empresária aposta na Rota Bioceânica como vetor de desenvolvimento e integração regional
A integração promovida pela Rota Bioceânica representa uma oportunidade histórica para Mato Grosso do Sul ampliar sua conexão com os países da América Latina e acelerar seu desenvolvimento econômico. Essa é a avaliação da empresária Luciane Costadele, gestora do Depósito Copacabana, tradicional empresa do setor de materiais de construção de Campo Grande com 47 anos de atuação.
Em entrevista ao Rota Bioceânica News, Luciane destacou que acompanha o projeto há mais de uma década e acredita que o corredor internacional será um dos principais vetores de crescimento para a Capital e para todo o Estado. “Eu tive conhecimento da Rota Bioceânica por volta de 2010 e desde então venho apoiando esse projeto. Sempre enxerguei essa integração como algo muito importante para Mato Grosso do Sul e para toda a América Latina”, afirmou.
Localizado na Avenida Bandeirantes, uma das principais vias de acesso da cidade, o Depósito Copacabana acompanha de perto as transformações urbanas e econômicas da região. Segundo Luciane, a própria história da empresa está ligada ao crescimento de Campo Grande. O terreno onde hoje funciona o empreendimento, segundo relatos históricos da família, já serviu como ponto de controle de entrada na cidade décadas atrás.
“A história do depósito começa aqui mesmo. Este local era um sítio e existia um portão de ferro que funcionava como uma espécie de alfândega para quem chegava a Campo Grande. Temos uma relação muito forte com o desenvolvimento da cidade”, recorda.
Integração latino-americana
Para a empresária, a Rota Bioceânica vai além dos ganhos logísticos e comerciais. Ela acredita que o projeto representa um passo importante para fortalecer os laços culturais, sociais e econômicos entre os países do continente.
“Sempre me perguntei por que não estávamos mais integrados à América Latina. Temos países vizinhos como Argentina, Chile e Paraguai, uma população de mais de 350 milhões de habitantes e inúmeras oportunidades de troca econômica e cultural”, destacou.
Na avaliação de Luciane, o corredor bioceânico poderá estimular a circulação de pessoas, investimentos e novos negócios, consolidando Mato Grosso do Sul como uma porta de entrada para o mercado sul-americano.
Potencial de crescimento urbano
A empresária também acredita que a nova dinâmica econômica contribuirá para a expansão urbana e para o fortalecimento do setor habitacional em Campo Grande. “Campo Grande possui um território enorme. A área urbana representa apenas uma pequena parte do município. Temos terras férteis, disponibilidade de água, solo e vegetação. Existe um potencial muito grande de crescimento que poderá ser impulsionado pela integração promovida pela Rota Bioceânica”, afirmou.
Segundo ela, os benefícios não se limitarão ao comércio exterior. Setores como turismo, cultura, lazer e serviços também deverão ser impactados positivamente pela ampliação das conexões regionais. “Essa integração não é apenas econômica. Ela envolve cultura, turismo, troca de experiências e desenvolvimento em diversas áreas”, observou.
Construção civil já percebe mudanças
À frente de uma empresa ligada diretamente à cadeia da construção civil, Luciane afirma que o setor já percebe sinais de crescimento e maior diversificação da clientela. “Hoje nós já atendemos pessoas de diferentes nacionalidades. Temos clientes bolivianos, paraguaios e chilenos e observamos um movimento crescente de estrangeiros buscando oportunidades em Campo Grande. Com a consolidação da Rota Bioceânica, acreditamos que esse fluxo será ainda maior”, explicou.
Ela destaca que a localização estratégica de Mato Grosso do Sul, associada à extensa faixa de fronteira com países vizinhos, coloca o Estado em posição privilegiada para receber novos investimentos. “O Mato Grosso do Sul possui um potencial enorme de desenvolvimento. A Rota Bioceânica pode ser o grande instrumento para transformar esse potencial em realidade”, concluiu.
A expectativa é que a conclusão da Ponte Bioceânica entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, e a consolidação dos investimentos em infraestrutura logística acelerem a integração regional, ampliando as oportunidades para setores como construção civil, comércio, turismo e serviços em todo o Estado.

