Corredor bioceânico, um sonho que está cada vez mais próximo
Em Neuquén, na Argentina, e em Biobío, renovam-se as discussões sobre a possibilidade de se estabelecer um corredor bioceânico que ligue a província transandina ao Paso de Picachén e aos portos da nossa região, o que poderia ser um bom sinal de que o projeto consegue sair do papel de mera aspiração, condição em que permaneceu por décadas.
“Está começando, temos o financiamento e as medidas necessárias estão sendo tomadas para avançar com o projeto executivo”, disse Juan Luis “Pepe” Ousset, chefe de gabinete de Neuquén, ao Diario Río Negro. Após se reunir na semana passada com a ministra de Energia, Ximena Rincón, e o governador de Biobío, Sergio Giacaman, ele previu um período de crescimento para o norte da província, impulsionado pelo turismo e pelo comércio, que surgiriam se a pavimentação da rota que liga aquela região transandina à passagem internacional chilena fosse consolidada.
Uma visão igualmente otimista foi apresentada por Biobío.
“Temos a infraestrutura, faltam alguns investimentos, como investimentos ferroviários e melhorias em algumas estradas, mas a oportunidade está no ar”, disse o governador de Biobío, Sergio Giacaman.
Do lado chileno, está sendo considerada a pavimentação da Rodovia Q-45, além de outras melhorias de conectividade que garantiriam o trânsito permanente de cargas, turistas e transporte internacional.
A importância dessa conexão vai muito além da infraestrutura rodoviária. Do ponto de vista geográfico, Neuquén está consideravelmente mais perto dos portos de Biobío do que de alguns dos principais terminais atlânticos historicamente utilizados pela produção argentina.
Se a vontade política for mantida e os investimentos prometidos se concretizarem, o corredor bioceânico através do Picachén poderá deixar de ser uma aspiração que acompanha gerações de habitantes de ambos os lados da cordilheira e tornar-se realidade.
Para além dos quilômetros de asfalto, seu verdadeiro impacto residiria nas oportunidades que criaria para as pessoas, como mais empregos em logística, turismo e serviços; novas possibilidades para produtores e empreendedores; e maior integração entre comunidades que compartilham uma história e geografia comuns. Nesse cenário, o Paso de Picachén não apenas conectaria dois territórios, mas também poderia se tornar uma porta de entrada para o desenvolvimento de centenas de famílias em Neuquén e Biobío.
Fonte: Diário Concepción

