Balseiros de Porto Murtinho apostam na burocracia para sobreviver à Ponte Bioceânica
Em Porto Murtinho, a 450 km de Campo Grande, as balsas que cruzam o Rio Paraguai entre o Brasil e o Paraguai não estão apostando contra a Ponte Bioceânica. Estão apostando nas filas, na burocracia e na pressa do brasileiro. Ontem, foram quinze viagens de balsa, número bem acima dos cerca de dez carros que costumam atravessar o rio em dias comuns.
A travessia de balsa dura cerca de 15 minutos. É esse trajeto que segue movimentando a rotina da fronteira enquanto a nova estrutura ainda não está concluída.

A ponte e o cronograma
A conclusão da Ponte Bioceânica está prevista para o segundo semestre de 2026. Já os acessos brasileiros e paraguaios devem ficar prontos apenas em 2027. A obra ganharia mais um marco simbólico com o beijo das aduelas, mas a cerimônia acabou cancelada por causa do mau tempo.
A travessia também prevê a instalação de um Centro Aduaneiro Integrado, nos moldes do que existe entre São Borja e Santo Tomé, na Argentina. A estrutura passaria a concentrar os procedimentos de fronteira, hoje ainda marcados pela burocracia que sustenta o movimento das balsas.
O Corredor Bioceânico
A ponte é parte de um projeto maior. O Corredor Bioceânico, também chamado de Rota de Integração Latino-Americana (RILA), tem mais de 3.200 quilômetros de extensão e liga o Brasil ao Chile passando pelo Paraguai e pela Argentina.
A expectativa oficial é de que o corredor reduza em até 30% os custos logísticos e encurte o tempo de transporte em até 15 dias na comparação com a rota do Canal do Panamá.
Fonte: A Crítica

