Túnel Agua Negra: o projeto de quase 14 km que busca conectar San Juan ao Chile 365 dias por ano
Todos os invernos, a Cordilheira dos Andes complica a ligação entre San Juan e o Chile: a neve força o fechamento de passagens e o trânsito fica interrompido por meses.
Projeto e financiamento do Túnel de Água Negra
Atualmente, o Paso de Água Negra opera apenas durante a temporada de verão, entre dezembro e abril, e no restante do ano a rota permanece isolada devido à altitude e às condições extremas. Localizado a quase 4.800 metros acima do nível do mar, esse corredor é uma das passagens de fronteira mais altas e complexas da América do Sul.
Atualmente, a ligação conecta Las Flores (San Juan) a Huanta, no Chile, através da Rodovia Nacional 150 e da CH-4.
Quando há fortes nevascas, transportadoras, turistas e exportadores precisam buscar rotas alternativas muito mais longas e caras, o que gera atrasos e, frequentemente, congestionamento em outras vias de acesso.
Nas últimas décadas, a ideia de construir um túnel nesse trecho permaneceu um tema de debate técnico e político, mas agora está ganhando impulso graças ao apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Empréstimos totalizando US$ 280 milhões foram aprovados para a primeira fase, com contribuições previstas tanto da Argentina quanto do Chile.
Impacto econômico e desafios
O projeto inclui duas galerias paralelas, uma em cada direção, com sistemas de ventilação, rotas de evacuação e tecnologia projetada para ambientes de alta montanha.
O ponto de acesso argentino está projetado para ficar acima de 4.000 metros; o portal chileno, a aproximadamente 3.620 metros . Este projeto visa operar mesmo sob condições de neve e vento na Patagônia.
O túnel faz parte do Corredor Bioceânico Central, que visa conectar Porto Alegre ao porto de Coquimbo, proporcionando uma rota mais direta para o Oceano Pacífico. O projeto poderá impulsionar os setores de mineração, agronegócio e energias renováveis, além de reduzir os tempos e custos logísticos das exportações argentinas.
Fonte: Rádio Mitre

