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Tecnologia e conectividade entram no centro do debate sobre a Rota Bioceânica durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária

A consolidação da Rota Bioceânica dependerá não apenas de pontes, rodovias e integração aduaneira, mas também de um elemento cada vez mais estratégico para o transporte e a logística internacional: a conectividade. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas pelo fundador e presidente da BWS Tecnologia e da BWS IoT, Oswaldo Conti-Bosso, durante entrevista concedida no 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária.

Com mais de quatro décadas de atuação no setor e à frente de uma empresa que acumula cerca de quatro milhões de equipamentos fornecidos no país, o executivo apresentou a visão da companhia sobre os desafios tecnológicos associados ao avanço do corredor bioceânico e ao novo posicionamento logístico de Mato Grosso do Sul.

Segundo Conti-Bosso, o principal foco da empresa está em desenvolver soluções adaptadas às condições reais do território brasileiro, especialmente em áreas rurais e corredores rodoviários com baixa cobertura de comunicação. “Nós entendemos as dores do campo e das estradas brasileiras. O nosso foco é propor soluções para um país continental que ainda possui regiões com pouca ou nenhuma conectividade”, afirmou.

Campo Grande como novo eixo estratégico

Ao comentar os impactos da Rota Bioceânica, o executivo destacou que o corredor representa uma mudança histórica na lógica econômica brasileira.

Na avaliação dele, o país sempre estruturou seu desenvolvimento voltado para o Atlântico e agora passa a incorporar uma nova dinâmica orientada para o Pacífico. “Campo Grande vai se tornar um grande hub nacional. Essa rota muda uma perspectiva construída ao longo de séculos e cria uma integração extremamente importante entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile”, afirmou. Para Conti-Bosso, o potencial do corredor vai além da exportação para mercados asiáticos e deve ampliar o intercâmbio de produtos, serviços e cadeias produtivas entre os países participantes.

Testes em Mato Grosso do Sul apontam gargalos de conectividade

Como parte da preparação para atuar no corredor, a empresa realizou testes de campo em Mato Grosso do Sul cerca de vinte dias antes do evento. As avaliações incluíram deslocamentos até Porto Murtinho para medir qualidade de rede e capacidade de comunicação.

Os resultados preliminares acenderam um alerta. Segundo o executivo, o trecho entre Campo Grande e Jardim apresentou desempenho razoável, mas entre Jardim e Porto Murtinho o nível de comunicação foi extremamente baixo. “A conectividade registrada foi de pouco mais de 20%. O mapa praticamente ficou todo vermelho. Existe uma necessidade clara de preparar essa infraestrutura”, explicou.

Os dados levantados deverão subsidiar futuras discussões com órgãos federais e reguladores, incluindo Ministério das Comunicações, setor de infraestrutura e autoridades responsáveis pela expansão dos serviços.

Soluções híbridas para um corredor continental

Para responder aos desafios identificados, a empresa anunciou o desenvolvimento de um novo modelo tecnológico baseado em conectividade híbrida terrestre e satelital.

A proposta busca ampliar cobertura em áreas remotas e oferecer suporte para operações logísticas, monitoramento e transporte ao longo da Rota Bioceânica. De acordo com Conti-Bosso, a empresa também aposta em tecnologia própria com pedido de patente e aplicações voltadas ao rastreamento móvel de longo alcance. Segundo ele, a solução desenvolvida apresenta menor consumo energético e alcance significativamente superior aos sistemas convencionais. “Queremos entender como será a demanda ao longo da rota para construir soluções que atendam quem está na estrada, no campo e no agronegócio.”

A participação da empresa no fórum reforçou um tema que começa a ganhar espaço no debate sobre o corredor: sem infraestrutura digital e conectividade contínua, os ganhos logísticos da Rota Bioceânica podem ficar abaixo do potencial esperado.

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