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Projeções do Chile para o plano ferroviário bioceânico

Enquanto os detalhes sobre o investimento, a tecnologia e os cronogramas do chamado Corredor Bioceânico Longotoma eram revelados em Mendoza, no Chile, começaram a surgir as negociações políticas e regulatórias que o consórcio promotor considera essenciais para a conclusão do projeto.

Segundo o portal chileno Andes Online, as empresas singapurianas Beler SA e International Nusantara Investment Pte. solicitaram uma reunião com o Ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez Mackenna, para apresentar formalmente o projeto e pedir a ativação do Tratado de Maipú de Integração e Cooperação, assinado pela Argentina e pelo Chile em 2009.

A iniciativa inclui um investimento privado estimado em US$ 9,6 bilhões e prevê a construção de um túnel ferroviário entre Los Andes e Uspallata, um sistema de transporte de carga, veículos e passageiros, a expansão do Porto Terrestre de Los Andes e um novo porto de águas profundas em Longotoma, na costa chilena.

No entanto, a principal novidade divulgada pela publicação chilena não se refere à engenharia do projeto, mas sim à estratégia para agilizar sua aprovação. Segundo o artigo, o representante legal da Beler, Cristian Hewstone, afirmou que a aplicação do Tratado de Maipú reduziria os prazos administrativos e evitaria parte da burocracia que historicamente tem afetado grandes projetos binacionais.

O artigo também observa que o consórcio acredita que esse mecanismo poderia simplificar os procedimentos e agilizar o processamento das licenças necessárias para o início da construção. Segundo os responsáveis ​​pelo projeto, uma vez obtidas as autorizações correspondentes, a construção poderia começar dentro de três a quatro anos.

A Andes Online acrescentou que a iniciativa também inclui uma nova ligação ferroviária entre Los Andes e La Ligua, destinada a conectar o corredor ao futuro porto planejado para Longotoma. De lá, as exportações da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai seriam canalizadas para os mercados da Ásia-Pacífico.

A publicação também revelou que representantes do consórcio se reuniram com o Ministério da Economia do Chile, onde solicitaram diversos mecanismos para facilitar a execução do projeto. Essas solicitações incluíam benefícios associados à parceria transpacífica CPTPP, garantias de estabilidade tributária, a inclusão do projeto na lista de iniciativas de interesse nacional e acesso às ferramentas previstas na chamada 
Lei de Licenças Inteligentes.

De acordo com seus defensores, o corredor reduziria os custos logísticos do comércio regional, especialmente no transporte de grãos para a Ásia. Eles também afirmam que o projeto criaria milhares de empregos e teria um impacto significativo na economia chilena.

O plano lembra o fracassado Corredor Bioceânico do Aconcágua, promovido entre 2009 e 2017 por um consórcio internacional que previa um túnel ferroviário de baixa altitude sob a Cordilheira dos Andes. Essa iniciativa não se concretizou apesar dos estudos técnicos realizados e da criação de órgãos de coordenação binacionais.

Até o momento, não houve nenhum anúncio oficial dos governos da Argentina ou do Chile sobre a aprovação formal do projeto. Em Mendoza, fontes provinciais indicaram inclusive que os responsáveis ​​pela iniciativa ainda não fizeram uma apresentação formal às autoridades locais.

Fonte: Mendoza Post

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