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Produtora sul-mato-grossense representa o cinema brasileiro na Feira Internacional do Livro de Assunção

A cineasta sul-mato-grossense Mara Silvestre, produtora, roteirista, pesquisadora e diretora da AguaCom TV, representa o cinema brasileiro nesta sexta-feira (29) na Feira Internacional do Livro (FIL) 2026, realizada anualmente em Assunção, no Paraguai. A participação marca a presença da produção audiovisual de Mato Grosso do Sul em um dos principais eventos culturais da América do Sul e reforça o papel da cultura na integração promovida pela Rota Bioceânica.

Natural de Corumbá e criada em Porto Murtinho, Mara Silvestre carrega em sua trajetória uma forte relação com os territórios fronteiriços e com a cultura ribeirinha do Rio Paraguai. Sua história pessoal se conecta diretamente com o cenário geopolítico atual do corredor bioceânico, especialmente no município de Porto Murtinho, onde está em construção a ponte internacional sobre o Rio Paraguai, considerada um dos principais marcos da integração continental.

A programação oficial da feira inclui no Auditório Maria Helena Sachero, a partir das 16 horas desta sexta-feira, a exibição e apresentação das obras brasileiras produzidas pela AguaCom TV. Mara Silvestre levará ao público paraguaio os registros das manifestações culturais transfronteiriças “Los Mascaritas”, “Pelota Tata” e “Las Promeseras”, produções que integram a chamada Trilogia do Toro Candil. Os trabalhos têm coprodução de Orlando Silvestre, pesquisador e especialista em cultura latino-americana, que atua na organização das obras e no fortalecimento das conexões culturais entre Brasil e Paraguai.

As produções retratam tradições profundamente enraizadas nas comunidades locais e mostram como os elementos culturais atravessam fronteiras geográficas e nacionais. “Levo comigo Os Mascaritas e Pelota Tatá, documentário que dirigi e roteirizei sobre festas, máscaras e o jogo ancestral que une comunidades de fronteira”, explicou Mara Silvestre.

Para a cineasta, participar da feira representa um reconhecimento da cultura popular como patrimônio vivo e instrumento de integração entre os povos sul-americanos. “Fazer parte da feira é mais do que exibir um filme. É afirmar que nossas histórias circulam. Que a cultura popular também é literatura viva, é um patrimônio que se conta em imagens”, afirmou.

Mara também destacou o significado simbólico da Rota Bioceânica no contexto cultural do continente. “O Corredor Bioceânico não é só estrada: é rota de gente, de mito, de pelota tatá. E é essa travessia que venho compartilhar com o público da feira”, pontuou.

A tradição cultural do Toro Candil possui raízes nas touradas espanholas que atravessaram o oceano e chegaram à fronteira entre Brasil e Paraguai. Ao longo do tempo, a manifestação incorporou costumes locais, transformando-se em uma celebração híbrida, marcada pela religiosidade popular, criatividade artesanal e forte identidade comunitária.

A presença da produção sul-mato-grossense na FIL 2026 reforça a crescente internacionalização das expressões culturais da região e evidencia como o avanço da integração física promovida pela Rota Bioceânica também amplia os espaços de circulação simbólica e cultural na América do Sul.

Com informações: Edson Moraes

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