Gigante agrícola argentina investe US$ 148 milhões para comprar usina de açúcar e etanol no Brasil
A Adecoagro, empresa argentina do agronegócio listada na Bolsa de Valores de Nova York e proprietária de marcas como Las Tres Niñas, investiu US$ 148 milhões na aquisição de uma usina de açúcar, etanol e energia renovável no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. O negócio, firmado com o Grupo Raízen, empresa brasileira de energia associada à Shell, inclui cana-de-açúcar própria e contratos com terceiros.
A usina está localizada no município de Caarapó, a cerca de 100 quilômetros das usinas Angélica e Ivinhema, as duas usinas de açúcar que a Adecoagro já opera na mesma região. A operação ocorre em um momento de forte impulso para o etanol no Brasil. Em 14 de julho, o país vizinho elevou a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%, ante os 30% estabelecidos em agosto de 2025, em parte como resposta à alta dos preços do petróleo devido ao conflito entre Irã e Estados Unidos. A Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, estabelece um máximo de 35%.
Na Argentina, a mistura obrigatória de bioetanol permanece em 12%, com um limite voluntário de 15% implementado apenas em março deste ano. No entanto, existem iniciativas no Congresso que prometem abrir essa discussão. De fato, em junho, o Senado começou a debater uma nova lei sobre biocombustíveis, proposta por Patricia Bullrich, que prevê o aumento da mistura de bioetanol na gasolina de 12% para 15% e a mistura de biodiesel no diesel de 7,5% para 10%, além de autorizar motores Flex Fuel.
A iniciativa divide o setor entre grandes exportadores agrícolas, que veem uma oportunidade de transferir sua capacidade instalada para o mercado interno, e pequenas e médias empresas regionais, que temem ficar de fora de um negócio que sustentam há quase duas décadas.

Renato Junqueira Pereira, vice-presidente da unidade de negócios de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, descreveu a aquisição como
“uma extensão natural da nossa plataforma industrial no Mato Grosso do Sul” e observou que a proximidade geográfica permitirá aumentar o volume de moagem em Caarapó “por meio de investimentos marginais”. Mariano Bosch , cofundador e CEO da empresa, afirmou que a aquisição “fortalece nossa posição como um dos produtores mais eficientes do setor”.
A conclusão da compra do Caarapó está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), além do cumprimento das demais condições previstas no contrato.
Últimas movimentações da Adecoagro
A transação faz parte de uma fase de expansão sustentada da Adecoagro em diversas frentes. Em abril de 2025, o Tether Group — emissor do USDT, a maior stablecoin do mundo — confirmou a aquisição de 70% da empresa, após comprar 49.596.510 ações ordinárias a US$ 12,41 cada, em uma transação que totalizou mais de US$ 615 milhões. O Tether já detinha 19% do capital da empresa antes dessa compra.
No início de setembro do ano passado, a Adecoagro e a Associação Argentina de Cooperativas (ACA) firmaram um acordo com a empresa canadense Nutrien para adquirir a participação de 50% que esta detinha na Profertil, a única produtora de fertilizantes do país, em um contexto no qual a multinacional estava retirando investimentos da América Latina a partir de 2024. Após exercerem a opção sobre os outros 50% detidos pela YPF, ambas as empresas obtiveram o controle total, em meados de dezembro, de uma empresa que produz cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano e supre aproximadamente 60% da demanda interna desse fertilizante.

A empresa também é uma das dez licitantes que adquiriram os documentos da licitação para a compra dos ativos da SanCor, a histórica cooperativa de laticínios que entrou com pedido de falência em abril. O processo — que inclui seis fábricas e um portfólio de marcas avaliado em US$ 52,1 milhões — está suspenso desde 3 de julho, quando o Tribunal de Apelações de Rafaela interrompeu a venda a pedido de um credor que contestou o plano de desmembramento dos ativos. O Tribunal precisa se pronunciar sobre o mérito da ação para que o processo possa ser retomado.
Enquanto isso, para a Raízen, a transação é mais um sinal de sua retirada do mercado regional. Em junho, a empresa brasileira de energia — cujo capital é detido pela Shell (44%) e pelo Grupo Cosan (44%), com os 12% restantes listados na Bolsa de Valores de São Paulo — concordou em vender seus ativos na Argentina para a empresa suíça Mercuria Energy por US$ 1,42 bilhão. O pacote inclui a refinaria Dock Sud, uma das maiores do país, 894 postos de serviço da marca Shell, uma fábrica de lubrificantes e terminais de combustíveis. A Raízen especificou que os recursos obtidos serão utilizados para “gerenciar a estrutura de capital do grupo”.
Fonte: Infobae

