Enquanto o Paraguai financia uma ponte fundamental com Salta, Formosa continua a ignorar o Corredor Bioceânico
O governo paraguaio está avançando com a decisão de financiar integralmente a construção de uma nova ponte internacional sobre o rio Pilcomayo, que ligará Pozo Hondo a Misión La Paz, na província de Salta, em um projeto fundamental para consolidar o Corredor Bioceânico do norte da Argentina.
Em declarações à Rádio Uno, o chefe de gabinete de Salta, Sergio Camacho, explicou que o projeto visa melhorar a conectividade regional e impulsionar o desenvolvimento económico numa área historicamente negligenciada.
“O governo paraguaio está fazendo progressos significativos em uma rota que atravessa o Chaco paraguaio e pretende construir uma ponte muito mais moderna e importante”, observou o funcionário, enfatizando que o projeto faz parte de uma estratégia de integração mais ampla que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O aspecto político é inegável: nem a província de Salta nem o Estado argentino contribuirão com fundos para a construção da ponte, que será totalmente financiada pelo Paraguai. “Tudo relacionado à ponte está sendo pago pelo governo paraguaio”, enfatiza Camacho.


A iniciativa faz parte do desenvolvimento do Corredor Bioceânico do norte, que visa conectar portos do Atlântico e do Pacífico. Nesse contexto, Salta é um ponto estratégico, e estão sendo realizados avanços em obras complementares, como a pavimentação dos quilômetros finais em direção à Misión La Paz.
“Para nós, é estratégico. O desenvolvimento da província depende do desenvolvimento regional do Grande Norte”, afirma o funcionário, que também questiona o centralismo histórico da Argentina: “É um país organizado de forma que tudo leve ao porto de Buenos Aires.”
Nesse contexto, Camacho concentra-se no impacto econômico desses projetos: redução dos custos logísticos, aumento da competitividade e a possibilidade de agregar valor à produção regional. “A distância é um imposto para nós”, explica.
O projeto, no entanto, ainda precisa passar por procedimentos formais, como a consulta prévia às comunidades indígenas exigida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o que pode atrasar o início da construção. A intenção é que as obras estejam em andamento até 2027.
Enquanto o Paraguai acelera os investimentos em infraestrutura e Salta busca se posicionar como um centro logístico no norte, o cenário expõe mais uma vez as diferenças no ritmo de desenvolvimento dentro da região, com Formosa ainda sem um papel de liderança nesse esquema de integração continental.
Fonte: Diário El Comercial

