Corredores bioceânicos: uma oportunidade para o desenvolvimento de territórios
Nas últimas semanas, o Corredor Bioceânico Norte voltou a ser um tema central no debate público. E com razão. Trata-se de uma das iniciativas de integração mais importantes da América do Sul, concebida para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio de uma rede logística que aproximará o coração produtivo do continente dos mercados da Ásia-Pacífico.
No entanto, reduzir esta iniciativa a um projeto de conectividade seria considerar apenas parte do seu potencial.
Os corredores de integração são muito mais do que simples rotas para o transporte de mercadorias. São plataformas de desenvolvimento capazes de transformar territórios, gerar novas oportunidades produtivas e fortalecer a competitividade regional. Talvez a questão não seja apenas como movimentar cargas com mais eficiência, mas como aproveitar essa conectividade para impulsionar o desenvolvimento regional e melhorar a qualidade de vida das comunidades.
A experiência internacional demonstra que os benefícios dos principais corredores logísticos não são automáticos. Requerem planejamento, coordenação e investimentos complementares para que o valor gerado seja aproveitado. Portos, infraestrutura rodoviária e ferroviária, zonas logísticas, energia, conectividade digital e capital humano fazem parte do mesmo ecossistema. Quando esses elementos são desenvolvidos de forma integrada, as regiões aumentam sua capacidade de atrair investimentos, diversificar suas economias e gerar empregos.
Nesse contexto, as regiões do norte têm uma oportunidade única. Sua liderança na mineração, sua crescente participação na transição energética e sua localização geográfica estratégica podem transformá-las em um polo logístico e produtivo de importância continental. No entanto, isso exige uma visão compartilhada que transcenda projetos individuais e caminhe rumo a um planejamento de longo prazo.
A integração regional não deve ser entendida apenas como uma questão entre países. Ela também envolve o fortalecimento da integração dentro do Chile. Conectar melhor os portos com seus hinterlands (áreas do interior de um país), vincular a infraestrutura ao desenvolvimento produtivo e fomentar uma maior colaboração entre os atores públicos e privados devem ser condições essenciais para aproveitar plenamente essas oportunidades.
O Chile possui importantes pontos fortes: experiência em infraestrutura, capacidades técnicas, estabilidade institucional e uma posição privilegiada na costa do Oceano Pacífico, que, se conseguirmos complementar com uma visão estratégica, nos permitirão transformar a conectividade em bem-estar e desenvolvimento.
Os corredores de integração convidam-nos a pensar para além das fronteiras e dos projetos de infraestruturas. Desafiam-nos a construir uma visão de desenvolvimento em que as infraestruturas atuem como facilitadoras de novas oportunidades para os territórios.
Fonte: Agenda Logística

